segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tive uma ideia de negócio, e agora? Use o Business Model Canvas!



Durante o curso Reprograma, sobre programação e empreendedorismo, tive uma aula com a Carla de Bona sobre o Business Model Canvas (em tradução livre, Quadro de Modelo de Negócios). Antes de explicar o que ele significa em termos técnicos, acho interessante falar sobre o problema que ele resolve.

Sabe quando alguém tem uma ideia fantástica e não sabe se ela possui viabilidade ou não? Ou quando já tem um negócio em andamento e precisa analisar o processo do produto e ver se ele faz sentido? Pois é, o quadro pode ajudar nessas tarefas.

A ferramenta foi proposta por Alexander Osterwalder baseada no livro “Business Model Ontology”.

Usando a sua definição: “é um mapa visual (em uma única página) que descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor em um modelo de negócio” [Nesse vídeo ele explica melhor todo o conceito]. 




Dizendo em outras palavras, a ferramenta é o quadro onde o artista (no caso, o empreendedor) vai pintar a sua obra. Segue aqui uma explicação do próprio Osterwalder: “São nove blocos que permitem a você descrever ou desenvolver qualquer modelo de negócios que você possa imaginar”.

Mas o que isso significa na vida real? 

Quando é entregue uma proposta de valor (a oferta de um produto ou serviço) o que está sendo feito, no fundo no fundo, é sendo contada uma história. Toda história tem começo, meio e fim certo? Então, o Business Model Canvas faz com que seja mais fácil visualizar a história que está sendo contada.

Eu, que sou jornalista, relaciono o quadro às questões que aprendemos no famoso roteiro 5W (ou 5W1H), que todo profissional da área estuda na faculdade: “Quem?” “O quê?” “Quando?” “Onde?” “Por quê?” (alguns teóricos adicionam o “Como” a esta equação).

E agora, como fazer o Business Model Canvas funcionar?

Mãos à obra!

O modelo pode ser impresso em uma folha de papel ou então podem ser utilizados exemplos online. O Sebrae possui um website por meio do qual é possível criar e compartilhar quantos quadros o usuário desejar. A recomendação do autor do modelo é que seja seguido o seguinte roteiro:

1. Segmentos de mercado
Para quem estamos criando valor? Quem são os clientes mais importantes?

2. Proposta de valor
Que valor estamos entregando ao cliente? Que problemas estão sendo resolvidos com nossos produtos ou serviços?

3. Canais
Como comunicar e entregar a nossa proposta de valor? De que forma nossos produtos ou serviços chegarão até os clientes?

4. Relacionamento com clientes
Como fazer para conquistar e manter uma boa relação com os clientes?

5. Fontes de receita
Quanto e como os clientes pagarão pelo que está sendo oferecido?

6. Recursos-chave
Quais são os recursos necessários para realizar nossa proposta de valor? O que é necessário para fazer o negócio funcionar?

7. Atividades-chave
Que atividades são mais importantes para fazer nosso modelo de negócio funcionar? Quais ações são necessárias para a realização da proposta de valor?

8. Parcerias-chave
Quais parcerias fazer para entregar a proposta de valor aos nossos clientes? Quem são os aliados que podem otimizar e reduzir os riscos do negócio?

9. Estrutura de custos
Quais custos vamos ter para gerar valor para o nosso cliente? Quais são os gastos envolvidos na operação do negócio?

Algumas dicas para a elaboração do modelo:

O ideal é, ao invés de preencher o quadro diretamente, usar post-its ou quadros online de forma a manter as ideias em movimento. Em relação ao uso de cores não há uma regra rígida. Dá para usar um tipo de cor para cada segmento de mercado diferente, cores para diferentes estágios da empresa, mesma cor para cada tipo de bloco, etc.

Eu fiz um quadro para um projeto que eu tenho de um website sobre a Constituição brasileira. O site ainda está sendo melhorado, mas para quem quiser ver e opinar o modelo está aqui abaixo:



Para finalizar segue a frase do Osterwalder: “Bons produtos estão se tornando commodity. É a combinação entre bons produtos e um bom modelo de negócios que irá deixar você à frente da concorrência na próxima década”.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Direitos econômicos e sociais no centro da PEC 55

Foto do plenário do Senado durante a aprovação da PEC do Teto dos Gastos Públicos. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Continuo no meu projeto de fazer artigos sobre as aulas que tive durante o curso Formação Cidadã da Escola de Governo, que tem o objetivo de ensinar bases para a cidadania ativa, e estou agora na aula sobre Direitos Econômicos e Sociais, ministrada pela profa. Daniela Castro. Estes direitos agora estão no centro do debate com a PEC 55 (irei chegar a este ponto mais adiante).

Mais uma vez, levei um bom tempo refletindo antes de colocar as ideias no papel, em parte pelo fato de estes conceitos estarem distantes da minha realidade. E fica a reflexão, até que ponto nós sabemos sobre a realidade política e social do Brasil para além das manchetes?

Enfim, divagação feita, vou começar aqui pelo histórico. Na origem dos direitos econômicos e sociais estão fatos como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (França 1789), a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1966, ratificado pelo Brasil em 1992.

Mas afinal, o que são esses direitos econômicos e sociais?

Trata-se, por exemplo, do direito ao trabalho, à educação, à saúde e à previdência social. Eles requerem uma atuação do Estado para que sejam, de fato, exercidos, especialmente quando se trata das populações mais vulneráveis.

Creio que nunca pensei, de fato, nestas questões como direitos. Acho que é porque sempre imaginei a educação, ou a saúde como um serviço.

Eu lembro sempre de uma coisa que a Daniela me dizia em tempos passados que é a questão das regras do jogo. Quando se trata de saúde, de educação, do poder em geral: quem propõe as regras? De quem é a responsabilidade por oferecer este direito? De que forma o poder de educar, ou de prover saúde, educação, é distribuído?

E mais, e se quando quem é responsável por definir as regras também é responsável por distribuir? É como se na partida de futebol o dono do campinho fosse também o dono da bola e das traves. E se o resultado não o agrada, ele leva a bola debaixo do braço e vai embora?

Daí dá para perceber como e porque as regras são desiguais.

Sabemos que a desigualdade social é um fato, mas é interessante observar os dados que comprovam isso.

Segundo fontes como o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e a Oxfam, no mundo, 62 pessoas juntas possuem a mesma renda de 3,6 bilhão de pessoas que estão na base da pirâmide social.

Se fosse para colocar em um gráfico acho que nem daria para comparar visualmente 62 com 3,6 bilhão, é muita diferença.

No caso do Brasil, a situação é trágica. A razão entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres é de 40,6%. Apenas dez países, dos 143 analisados, estão em situação melhor do que a do nosso país.

A desigualdade possui diversos efeitos colaterais. Ela é uma ameaça à liberdade e à democracia, impede o fim da pobreza, prejudica o crescimento e impede a sustentabilidade.

Como que isso ocorre então?

Uma das formas pelas quais a divisão de riqueza ocorre é por meio da cobrança de tributos. Para se ter uma ideia, 53,9% da renda das pessoas que ganham até dois salários mínimos é comprometida com tributos, frente a uma diferença de 29% de comprometimento nos casos da renda acima de 30 salários.

No Brasil, nossa maior carga de impostos é indireta, ou seja, está “embutida” nos produtos (no café, na geladeira, no transporte, etc), enquanto em outros países a carga maior é direta, ou seja, incide sobre a renda e o patrimônio.

Entre as saídas para esse cenário estão a transparência e a progressão tributária, a maior participação política, o combate à sonegação fiscal e a adoção de pisos de proteção social.

Houve uma redução significativa da desigualdade brasileira na última década. O índice de extrema pobreza caiu 57% de 2002 a 2008. No mesmo período, ainda houve a transição de 25 milhões de pessoas das classes D e E para a C, de renda maior.

No entanto, o cenário preocupa. A previsão é que seja promulgada nessa quinta-feira pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, a PEC 55, que limita o teto dos gastos públicos pelos próximos 20 anos com o objetivo alegado de conter o agravamento da crise econômica do país.

O relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alstom, criticou a medida. Ele disse inclusive que ela viola o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, citado acima.

Alstom falou que a PEC é uma “medida radical, desprovida de nuance e compaixão” que “vai atingir com mais força os brasileiros mais pobres e vulneráveis, aumentando o índice de desigualdade em uma sociedade já extremamente desigual”.

Ele também recomendou ao governo brasileiro que garanta um debate público apropriado sobre a PEC, que estime seu impacto sobre os setores mais pobres da sociedade, e que identifique outras alternativas para atingir os objetivos de austeridade.

Outra análise com a qual concordo é de Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, dedicado a atuar na defesa de causas sociais e movimentos sociais, especialmente sobre os negros. Ele diz o seguinte: “A PEC 55 inviabiliza, na prática, os direitos sociais. O resultado disso será um acirramento dos conflitos sociais e de uma disputa terrível de grupos sociais por um minguado orçamento público”.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O que significa o tal MVP (Mínimo Produto Viável)


Durante o curso Reprograma (sobre programação front-end e empreendedorismo), tive uma aula, com a incrível Carla de Bona, sobre o MVP (Mínimo Produto Viável). Ele é um dos termos da moda no mundo das startups.

Mas o que é, de fato, o MVP? O que ele muda na vida das empresas?

O termo MVP foi popularizado a partir do livro “The Lean Startup” (A Startup Enxuta), de Eric Ries. Eu li um artigo do TechCrunch, em inglês, em que Ries explica o conceito de MVP:

“O Mínimo Produto Viável ajuda empreendedores a iniciar o processo de aprendizagem o mais rápido possível. Não é necessariamente, entretanto, o menor produto imaginado; é simplesmente o mais rápido modo de começar a construir um negócio sustentável com a mínima quantidade de esforço”.

Um dos exemplos de MVP apresentados em sala de aula foi o do Airbnb, site de compartilhamento de residências.

Assisti ao vídeo TED com o fundador da startup, Joe Gebbia, chamado “Como o Airbnb cria confiança por meio do design”.



Ele disse o seguinte: “um sistema de reputação é essencial para construir confiança”.

Gebbia revelou que foi feito um estudo, com a Universidade de Stanford, em que foi analisada a disposição de confiar em alguém com base em semelhança. A pesquisa mostrou que preferimos pessoas parecidas conosco. Até aí nada de novo certo? Mas o interessante é o que acontece quando você adiciona a reputação a esse conceito.

A reputação alta ganha da alta semelhança.  

Ou seja, quando algo (ou alguém) tem boas referências, ela não só supera a desconfiança por ser diferente como está em vantagem na comparação com o semelhante em termos de confiança.

O autor do TED contou, por outro lado, que construir a quantidade certa de confiança requer a quantidade certa de informações. 

Usando o exemplo do Airbnb, quando o anfitrião diz pouco, sua taxa de aceitação diminui. Se falar demais, também.

Voltando agora ao conceito do MVP, para mim ele é exatamente isso: fazer o justo, nem muito nem pouco. Vou colar aqui um slide da aula da Carla que ilustra bem essa ideia:





Quando você produz um MVP dá para testar uma ideia e dessa forma construir uma reputação que ajude a superar o nosso preconceito arraigado que nos diz que algo estranho representa perigo.

Outro exemplo de MVP é o do Dropbox, que é um serviço de compartilhamento de arquivos. O CEO do Dropbox, Drew Houston, viu-se às voltas com seguinte pergunta: “Se nós proporcionarmos uma boa experiência de usuário, nosso público irá nos dar uma chance?” Ele intuía – de forma correta, como se veria mais adiante – que sincronização de arquivos era um problema que os usuários nem sabiam que tinham.

Para resolver este problema, ele decidiu criar um vídeo. Além de mostrar a ferramenta, o vídeo tinha uma série de referências bem-humoradas que caíram no gosto dos fãs de tecnologia.



Após a gravação, a lista de espera da versão beta pulou de 5 mil para 75 mil em uma noite, contou Drew.

Drew resumiu essa experiência em alguns tópicos:

- O maior risco é produzir algo que ninguém queira;
- Deixar de lançar é doloroso, mas não aprender é fatal;
- Coloque algo nas mãos dos usuários (não precisa ser o código) e receba um feedback real o mais rápido possível;
- Saiba onde a sua audiência está e converse com ela de forma autêntica. 

Gostou do artigo? Espero que sim :-)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Post em homenagem ao fim do curso Formação Cidadã, da Escola de Governo

Este post (mais conhecido como textão) é uma homenagem ao fim do curso de Formação Cidadã da Escola de Governo feito durante este semestre.

"Em agosto deste ano, o destino me levou para a turma do curso de Formação Cidadã da Escola de Governo. Foi uma jornada transformadora, da qual creio que saí muito diferente de como entrei. Foi como se tivesse tido a oportunidade de colocar o Brasil no divã e ele estivesse me contando, passo a passo, o que ele passou durante esses últimos 500 anos.

A proposta do curso é conhecer temas, direitos e deveres de cada cidadão, qual o papel do Estado e o estudo da realidade brasileira, além de debates sobre diversas áreas ligadas aos problemas de nossa sociedade e também sobre a elaboração e o conteúdo de políticas públicas.

Para explicar isso tudo vou recorrer a Paulo Freire, citado mais de uma vez durante as aulas: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”.

Portanto começo a descrição do curso usando um exemplo do mundo, um incêndio em favela: “Não é que o poder econômico vá lá e acenda o isqueiro. Ele deixa o fogo queimar”.  

Vi muitos casos de gente que vive na sombra do isqueiro. Conheci a aldeia Krukutu, a história de Carolina Maria de Jesus, a vida das pessoas que estão no cabo da frigideira na luta pela moradia.
Gente que vive o risco de não ter onde morar, risco de perder a vida, risco de não ter onde estudar. E, pior do que isso, o risco de imaginar não ser “alguém na vida”.

Tivemos a oportunidade também de analisar as várias causas de cada problema social. Porque a realidade nunca é única, ela é plural. Além disso cada um teve a chance de acrescentar as suas experiências durante o debate, e isso foi muito enriquecedor. Espero que a turma possa me perdoar pelo permanente papel de advogada do diabo [risos].

Terminado o curso creio que ficou agora a responsabilidade de agir. Agir para que mais pessoas possam ter a educação política, agir para que mais comunidades possam se organizar, agir nos momentos em que alguém, do nosso lado, esteja com mais peso do que possa aguentar. Agir para que todos sejam mais felizes.


Afinal, como diz a canção Felicidade, lindamente interpretada pelo Pedro Aguerre na nossa última aula, “felicidade é só questão de ser”. Que sejamos. Obrigada".

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Será que a democracia representativa nos representa?

Ícone feito por Freepik vindo de: www.flaticon.com


Assisti à aula de democracia representativa do advogado Victor Barau, na Escola de Governo, e decidi compartilhar as suas lições, bem como algumas pesquisas e reflexões pessoais. Devo confessar que, estudando o assunto, fiquei com mais dúvidas do que conclusões e que por isso mesmo este texto foi iniciado por diversas vezes e agora está finalmente concluído.

Talvez isso ocorra por estarmos vivendo agora, sem dúvida, um profundo mal-estar em relação ao modelo representativo (a frase da moda, por sinal, é dizer que determinada pessoa ou instituição “não representa”).

Para ajudar nessa discussão seguem alguns conceitos:

O que significa a democracia

Para começar, ele disse que o termo democracia vem do grego e significa, em termos literais, autoridade para o povo (demos = povo e kratos = autoridade). A palavra, que surgiu na Grécia, ressurgiu durante a época do Iluminismo. A democracia possui como raízes os conceitos de igualdade, liberdade e fraternidade, adotados pelas revoluções francesa e americana e por boa parte dos países ocidentais.

Vou detalhar um pouco mais esta questão do conceito democrático. Segundo o material do Victor (que é bem bacana e você pode acessar neste link), o significado do princípio democrático, como vivemos atualmente, tem como melhor interpretação o seguinte:

- Igualdade de condições entre todos os cidadãos;
- Garantia de livre arbítrio (liberdade de escolha);
- Segurança jurídica;
- O bem comum com o respeito e a preocupação com o próximo, a sociedade e o Estado organizado.

“Também vale dizer que o princípio democrático do Estado Moderno implica na separação dos poderes estatais, onde o Poder Executivo administra e governa o Estado; o Poder Legislativo elabora as leis, e o Poder Judiciário zela pelo cumprimento da Lei e a aplicação da Justiça”, diz ele.

“À medida em que se ampliam as condições de interferência do cidadão no poder do Estado, está se alargando o gozo da democracia”, complementa.

Aqui fica a primeira reflexão minha: é interessante pensar de como passamos, no curso de alguns séculos, de um modelo no qual todo o poder era inquestionável para outro em que, ao menos na teoria, o poder vem do conjunto de pessoas, da coletividade. Fim da pausa.

Direitos políticos x direitos fundamentais x pizza

Os direitos de participação popular no Estado são chamados de direitos políticos. Eles são diferentes dos direitos fundamentais, pois é necessário preencher certos requisitos para ter os direitos políticos enquanto os direitos fundamentais são os direitos básicos da pessoa humana.

Para mim, isso fica mais claro quando comparo os direitos políticos com a capacidade de alguém participar do processo de produção de uma pizza. Ela pode, por exemplo, escolher um pizzaiolo, pode ela própria fazer a pizza, pode assistir e fazer parte da pizza, enfim, há um universo de possibilidades. Já o direito fundamental seria a capacidade de alguém de comer um pedaço de pizza na minha peculiar avaliação.

O cidadão, em geral, só exerce seu direito político quando vota na eleição. O direito político é muito mais do que isso. Trata-se do direito de ser votado e de organizar e participar de partidos políticos, por exemplo.

Vale colocar que o princípio democrático, no Brasil, foi reconhecido e fortalecido a partir da Constituição de 1988, sendo colocado no parágrafo único do artigo 1º:

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”

Comentário: no Direito, pequenas palavras significam grandes transformações. Esse “todo poder emana do povo” faz toda a diferença.

Durante a aula, foram abordados vários outros conceitos, mas vou destacar os critérios para definir um sistema eleitoral democrático, que pode ser definido por duas palavras: participação e competição. A eleição deve ser:

- Livre e competitiva;
- Ter igualdade de oportunidades nas candidaturas;
- Liberdade de eleição por voto secreto;
- O sistema eleitoral não deve provocar resultados perigosos para a democracia. Neste ponto estou usando como referência o material do Victor, mas me pergunto como, efetivamente, evitar isso, lembrando de casos recentes na política mundial (creio que não preciso ser mais específica do que isso).

Novas formas de representação política e o mal-estar dos tempos atuais

Coloco abaixo exemplos que buscam ampliar a modificar a forma como é feita a participação popular no sistema político. A pesquisa Sonho Brasileiro da Política listou projetos como o “A Batata precisa de você”, o Lab Hacker, de Brasília, e movimentos como Ocupa Cais Mauá (RS) e Ocupe Estelita (PE).

Mas, ao que me parece, o mal-estar que eu e muitas pessoas vivem é um pouco maior do que estes projetos podem abarcar, por mais bem-intencionadas que as iniciativas sejam. Até porque, infelizmente, a intolerância de maior audiência na internet é a política, segundo pesquisa da Revista Meio & Mensagem.

Ou seja, estamos nós, seres humanos, preparados a dividir o poder e para sermos mais solidários? Estamos, de fato, fazendo algo diferente ou sendo apenas mais do mesmo?

Eu sou otimista. Acredito, sobretudo, na educação. Há vários projetos nesse sentido como o projeto Voto x Veto, a Websérie “E eu com isso?”, o grupo no Facebook “Política para Leigos”, o evento “Política pode ser sexy sem ser vulgar”, e vários outros.

A discussão política não é uma batalha fácil. Ela deixa, naqueles que a vivem, muitas dúvidas, poucas certezas e o alívio de viver sem apequenar-se.  

sábado, 22 de outubro de 2016

Veja dicas de Comunicação para resolver conflitos e dar feedbacks

Foto: siewlian/Freeimages.com

A psicóloga Fabíola Luciano concedeu uma palestra nessa segunda-feira, 17, aos alunos do projeto Reprograma sobre Comunicação, Resolução de Conflitos e Feedback. Foi muito interessante, pois sempre é bom conhecer técnicas novas diante de temas tão atuais e delicados. Dá vontade de imprimir e deixar uma cópia na cabeceira da cama! Abaixo seguem as dicas:

Comunicação

“A Comunicação é fundamental para a pessoa se fazer entender e para desenvolver sua imagem social; além disso, ela constrói nossas relações sociais”, afirmou. Fabíola disse que há quatro competências importantes para uma boa comunicação: Objetividade, Empatia, Escuta e Respeito.

A psicóloga listou dois erros comuns cometidos na Comunicação:

1. Omissão
Deixar de informar partes importantes de determinado processo. A principal recomendação dela é sempre se fazer entender; ser didático.

2. Distorção
A mensagem é alterada de acordo com a perspectiva do ouvinte. “Muitas vezes o que a pessoa ouve não foi dito, mas a sua percepção a leva a acreditar que aquilo foi declarado”. A psicóloga classificou esse sentimento como “percepção seletiva”.

Outra questão importante assinalada pela especialista é a interferência emocional na Comunicação. “Muitas vezes carregamos o orgulho, a rivalidade e a vontade de ‘ganhar’ as discussões’. É necessário analisar o seu sentimento prévio antes de iniciar uma discussão, ter autocontrole”.

As Cinco Linguagens do Amor de Gary Chapman.
Foto: reprodução
Um livro que Fabíola sugeriu para se aprofundar nesta questão é “As Cinco Linguagens do Amor”, de Gary Chapman.

Resolução de Conflitos

Seguem itens para ajudar na resolução de conflitos:
1. Seja racional e elimine suas emoções;
2. Avalie seu objetivo ao entrar uma discussão;
3. E, a meu ver, a dica mais importante: “saiba o momento de parar!”

Outro ponto interessante colocado por ela é que, para resolver um conflito, a pessoa que conversa com o interlocutor pode tentar dizer ao interlocutor como ela se sente diante do comportamento que está sendo adotado. Eu, particularmente, considerei esta dica uma das mais úteis de toda a palestra, pois não havia pensado em colocar os conflitos desta forma. Porém, faz todo o sentido.

Agora, em relação ao feedback. Seguem dicas para quem irá dar o feedback:

1. Elenque pontos positivos ao iniciar sua conversa. “Isso abre um canal de comunicação”, declarou a especialista;
2. Aponte pontos de melhoramento de forma objetiva;
3. Feche com outro ponto positivo.

Ao receber o feedback:
1. Aja com maturidade;
2. Pratique a escuta;
3. Tenha resiliência.

Ao fim, ela deixou uma mensagem importante a todos. “Vale a pena ter empatia. Eu não pratico a empatia apenas para ser exemplo, mas para mudar aquilo que é importante em mim”.

Fabíola, muito obrigada por esta lição de Comunicação e de vida. Foi incrível :-)

Ela deixou como tarefa que cada um reflita como está a sua habilidade de comunicação. E você, já pensou como está a sua comunicação hoje?

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vamos reprogramar o mundo!

Turma 2 do Reprograma. Foto: divulgação

Nessa semana iniciei o curso Reprograma, que tem como objetivo reduzir o gap da demanda/oferta no setor tecnológico brasileiro, preparando mulheres para se tornarem programadoras.

Tem sido uma experiência profundamente transformadora. Agradeço em especial às cofundadoras – Mariel Reyes Milk, Fernanda Faria e Carla de Bona – pela iniciativa e por todas as colegas de curso pelo apoio e encorajamento.

É um ambiente de apoio mútuo em que está sendo adotado, na prática, o princípio do empoderamento feminino. Aqui no blog tentarei fazer posts sobre o conteúdo do curso a fim de disseminar os vários conhecimentos que temos tido ao longo destes dias. Foi somente há uma semana que comecei e já parece que iniciei há anos os estudos.

Dados sobre mulheres no mercado de tecnologiaNo primeiro dia tivemos contato com dados alarmantes do mercado de TI. Mulheres engenheiras são apenas 17% do mercado de profissionais brasileiros. Já no programa de TI da USP, então, as mulheres representam 12% do total (ver foto).



1.USP, Tendências e Perspectivas da Engenharia no Brasil, 2012, http://engenhariadata.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Relat%C3%B3rio-EngenhariaData-2012.pdf
2.USP Data, reportado pela Camila Achutti, CTO e co-fundadora Ponte21 3.Progra{m}aria, Lei de Acesso a Informação / INEP, http://www.programaria.org/2015/11/25/rodada-hacker-programaria/

Existe um grande déficit de profissionais (140 mil apenas no Estado de São Paulo) e a média salarial anual dos que trabalham no setor atinge R$ 83 mil/ano.



Como funciona o curso

O programa abrange conhecimentos de programação front-end, técnicas de empreendedorismo e apoio empresarial, mentoria liderada por profissionais da indústria e visita às empresas, apoio psicológico e networking que inclui acesso a oportunidades profissionais.

Ao final do curso, que dura seis semanas, a estudante precisará apresentar um projeto com os conhecimentos do curso. Os três melhores projetos serão apresentados na sede do Nubank no dia da formatura.

Entre os valores defendidos nas aulas estão a igualdade, o respeito, a determinação, a sororidade, responsabilidade, empatia, trabalho em grupo e atitude proativa.

Perguntei o que representava o termo sororidade. Trata-se de uma união e aliança entre mulheres baseada na empatia e companheirismo em busca de alcançar objetivos em comum. Não conhecia este termo, mas já amei e estou tentando praticar mais e mais, todos os dias

Processo de seleção e desafios do Reprograma

Eu participei de um processo seletivo visto que as vagas são limitadas. Atualmente, o projeto está em sua segunda turma. Segundo Carla de Bona, uma das idealizadoras, o desafio é, em primeiro lugar, compreender qual o impacto do curso; segundo, como torná-lo sustentável e, em terceiro lugar, como fazer dele um projeto replicável. Mais informações sobre o processo seletivo podem ser obtidas na página oficial do Reprograma. 

Poder da paixão e da perseverança

Termino este post com o vídeo do TED em que Angela Lee Duckworth fala sobre o poder da paixão e da perseverança. Ela afirma o seguinte:


“Cheguei à conclusão de que o que nós precisamos em educação é um melhor entendimento sobre aprendizagem a partir de uma perspectiva psicológica (...) Em vários contextos diferentes, uma característica emergiu como um indicador significativo de sucesso. E não era a aparência, a saúde física ou mesmo o QI. Era o ‘grit’”.

O termo acima, que no sentido literal significa "grão de areia", em psicologia representa um traço de personalidade que combina a paixão por objetivos de longo prazo a uma motivação poderosa para atingir seus objetivos.



Ou seja, este curso ensina muito a ter “grit” :-)


Tem como não amar? #reprograma

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Doria, da elite, atraiu votos na periferia. Como explicar?

Rovena Rosa/Agência Brasil
O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), obteve a maioria em praticamente todas as zonas eleitorais paulistanas. Apesar de seu perfil elitizado, ele conseguiu atrair eleitores na periferia. Como explicar este fenômeno?

Uma notícia da Folha de S.Paulo coloca muito bem a situação: “[Doria] personaliza o protesto do eleitor no centro das manifestações pró-impeachment. Com alta renda e escolaridade, empresário e ‘antipolítico’, Doria capitalizou os reflexos das crises nacionais sobre os valores locais, utilizando aquele mais caro ao paulistano – o trabalho”.

Traduzindo: a economia diminuiu de ritmo nesse ano. Muitas pessoas perderam renda e/ou perderam seus trabalhos. Elas acreditaram, de maneira muito pragmática, que Doria é a pessoa mais indicada para fazer com que o crescimento seja retomado. O slogan dele “acelera São Paulo” é muito revelador dessa intenção.

Vou compartilhar aqui uma experiência pessoal. Lembro de quando entrei na Universidade de São Paulo. Vinda de família humilde, aos 17 anos, ouvi, em uma palestra, dizerem que o importante era estudar e permanecer o máximo possível na universidade. No meio da palestra perguntei: “e como eu faço para pagar a minha passagem de ônibus?”.

O Doria soube dialogar com este tipo de demanda, de anseio. Cito um belo artigo que o jornalista Guilherme Weffort publicou no seu Facebook: “O João trabalhador deu segurança, olhou no olho, se mostrou disposto a acelerar a cidade. Por mais que nós, mega-esclarecidos universitários saibamos a carga de cinismo desse discurso, foi isso que atraiu as periferias. Por mais distante que o João milionário esteja do João trabalhador (o da propaganda e os milhões de Joãos por aí), o pobre escolheu o cara”.

O preconceito contra o voto do pobre

Sobre este ponto gostaria de fazer uma reflexão. Existe um mega preconceito, inclusive da esquerda, em relação ao voto do pobre. Eu ouvi uma vez, e nunca vou esquecer, a seguinte frase: “a massa é amorfa”.

Portanto eu coloco o seguinte: por mais que haja problemas no discurso do Doria ele se conectou com os desejos das periferias. E isso é importante. Porém, infelizmente, temos que lembrar que em geral a voz da periferia é ouvida somente em época de eleição.

A discussão realmente importante

Eu tenho divergências com o projeto político do Doria. Sou contra, por exemplo, a revogação do limite de velocidade, inclusive nas marginais. Também não apóio a remoção de ciclovias. E aí é que está o ponto.

Infelizmente, o debate político ainda é pouco pautado por este tipo de discussão. O cashmere do Doria ainda aparece mais do que suas propostas.

Existe um desconhecimento enorme em relação às atribuições de cada ente público e sobre como a população pode (e deve) representar um papel ativo na definição das políticas públicas.

Irei recorrer novamente à experiência pessoal (voltando ao caso da universidade). Eu entendi, somente após muitos anos, que seria possível pleitear um apoio estudantil ou outro tipo de ação governamental que ajudasse a bancar a minha permanência na universidade, por exemplo. Que eu poderia me dedicar aos estudos. Que eu poderia mais.

Nesse momento eu lembro da frase do Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Foi apenas depois de adquirir bastante conhecimento que saí dessa dicotomia.

O que o voto dos pobres em Doria nos ensina

Rovena Rosa/Agência Brasil
O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), obteve a maioria em praticamente todas as zonas eleitorais paulistanas. Apesar de seu perfil elitizado, ele conseguiu atrair eleitores na periferia. Como isso ocorreu?

Uma notícia da Folha de S.Paulo coloca muito bem a situação: “[Doria] personaliza o protesto do eleitor no centro das manifestações pró-impeachment. Com alta renda e escolaridade, empresário e ‘antipolítico’, Doria capitalizou os reflexos das crises nacionais sobre os valores locais, utilizando aquele mais caro ao paulistano – o trabalho”.

Traduzindo: a economia diminuiu de ritmo nesse ano. Muitas pessoas perderam renda e/ou perderam seus trabalhos. Elas acreditaram, de maneira muito pragmática, que Doria é a pessoa mais indicada para fazer com que o crescimento seja retomado. O slogan dele “acelera São Paulo” é muito revelador dessa intenção.

Vou compartilhar aqui uma experiência pessoal. Lembro de quando entrei na Universidade de São Paulo. Vinda de família humilde, aos 17 anos, ouvi, em uma palestra, dizerem que o importante era estudar e permanecer o máximo possível na universidade. No meio da palestra perguntei: “e como eu faço para pagar a minha passagem de ônibus?”.

O Doria soube dialogar com este tipo de demanda, de anseio. Cito um belo artigo que o jornalista Guilherme Weffort publicou no seu Facebook: “O João trabalhador deu segurança, olhou no olho, se mostrou disposto a acelerar a cidade. Por mais que nós, mega-esclarecidos universitários saibamos a carga de cinismo desse discurso, foi isso que atraiu as periferias. Por mais distante que o João milionário esteja do João trabalhador (o da propaganda e os milhões de Joãos por aí), o pobre escolheu o cara”.

O preconceito contra o voto do pobre

Sobre este ponto gostaria de fazer uma reflexão. Existe um mega preconceito, inclusive da esquerda, em relação ao voto do pobre. Eu ouvi uma vez, e nunca vou esquecer, a seguinte frase: “a massa é amorfa”.

Portanto eu coloco o seguinte: por mais que haja problemas no discurso do Doria ele se conectou com os desejos das periferias. E isso é importante. Porém, infelizmente, temos que lembrar que em geral a voz da periferia é ouvida somente em época de eleição.

A discussão realmente importante

Eu tenho divergências com o projeto político do Doria. Sou contra, por exemplo, a revogação do limite de velocidade, inclusive nas marginais. Também não apóio a remoção de ciclovias. E aí é que está o ponto.

Infelizmente, o debate político ainda é pouco pautado por este tipo de discussão. O cashmere do Doria ainda aparece mais do que suas propostas.

Existe um desconhecimento enorme em relação às atribuições de cada ente público e sobre como a população pode (e deve) representar um papel ativo na definição das políticas públicas.

Irei recorrer novamente à experiência pessoal (voltando ao caso da universidade). Eu entendi, somente após muitos anos, que seria possível pleitear um apoio estudantil ou outro tipo de ação governamental que ajudasse a bancar a minha permanência na universidade, por exemplo. Que eu poderia me dedicar aos estudos. Que eu poderia mais.

Nesse momento eu lembro da frase do Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Foi apenas depois de adquirir bastante conhecimento que saí dessa dicotomia.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Qual a responsabilidade da sociedade no caso Domingos Montagner?

Foto: B S K/freeimages.com
Tive o privilégio de assistir à peça Mistero Buffo, da Companhia de Teatro La Minima, na qual o ator Domingos Montagner se divide em vários personagens na adaptação da comédia de Dario Fo. Mal sabia eu que estaria presenciando um dos últimos espetáculos deste grande ator que se foi prematuramente nessa quinta-feira (15). Presto aqui minhas homenagens à sua família e aos seus colegas de trabalho (em especial à atriz Camila Pitanga, que esteve envolvida no acidente).

Mas o objetivo deste post é falar das circunstâncias em que ocorreram a morte do ator e, principalmente, da responsabilidade do poder público, da imprensa, da sociedade em geral diante desta tragédia.

Segundo reportagem publicada no Portal G1, a área não tinha risco de sinalização indicando risco de afogamento no local embora o próprio delegado que cuide do caso, Antônio Francisco Filho, tenha dito ao portal que “é comum afogamento naquela região”.

Ainda de acordo com a reportagem, o local do acidente foi reinaugurado, recentemente, pela Prefeitura de Canindé de São Francisco. As placas que indicavam o risco de afogamento e os salva-vidas foram retirados da área.

O delegado declarou ao G1 que está aguardando a manifestação do Ministério Público para investigar qual a responsabilidade da administração pública neste caso.

Aliás, ao invés de o próprio título da reportagem ressaltar a falta de sinalização do local, as investigações do MP, está assinalado somente: “Morte de Montagner: 'Grande e absoluta tragédia', diz delegado”.

Não, senhor delegado, não concordo com esta explicação. Não, senhor jornalista, não concordo com este título.

Eu tive a curiosidade de entrar no site da Prefeitura de Canindé de São Francisco.

Não há uma nota sequer sobre a tragédia, mas é possível visualizar uma notícia, datada de fevereiro de 2016, a qual diz que a prefeitura iria colocar guarda-vidas durante o carnaval na Prainha (local do acidente com Montagner).

A nota ainda diz que esse é “um dos pontos turísticos mais visitados nos dias de festa”.

Descobri um levantamento, feito pelo site ONDDA, que mostra que ao menos dez pessoas morreram afogadas no Rio São Francisco somente em 2016 (dá mais de um morto por mês).

Volto aqui à pergunta colocada no título: “qual a responsabilidade da sociedade nesta tragédia?”

1. Precisamos cobrar mais campanhas de prevenção a afogamentos. Medidas simples, como por exemplo aprender a boiar, são fundamentais. Este post contém muitas dicas úteis para evitar afogamentos e para sair do sufoco. 

2. Precisamos cobrar mais aulas sobre situações de emergência. Aí você pode falar da dificuldade que seria ter piscinas, por exemplo. Concordo. Mas acredito que todo mundo deveria saber medidas básicas de primeiros socorros e de sobrevivência na água. Aprendemos tantas coisas que não utilizamos no futuro (lembro até hoje de uma aula que tive sobre tipos de nuvem), e não sabemos direito como lidar com situações de emergência.

3. Precisamos cobrar mais sinalização adequada nos locais de banho. Você pode dizer que o Brasil é imenso, que há milhares e milhares de quilômetros de rios, mas em geral o povo ribeirinho sabe onde é perigoso nadar e onde não é. É só colocar no local uma placa de perigo e um salva-vidas para os períodos de visita intensa.

E o principal: precisamos parar de encarar estas mortes com tanta naturalidade. É fatalidade, é. É tragédia, é. Mas dá para adotar medidas para se evitar novos casos. Cada pessoa que morre afogada é uma vida que se esvai. Vida cheia de possibilidades, de sonhos, de planos não realizados.

A sociedade precisa aprender a preservar ao máximo a vida humana, nosso maior bem.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Como fica o Brasil sem Dilma Rousseff: melhor, pior ou tanto faz?

Manifestantes pró-Dilma em frente ao Palácio da Alvorada. José Cruz/Agência Brasil
E agora José? O impeachment de Dilma foi aprovado na quarta, dia 31, por 61 votos a 20. Dilma embarcou no dia 06 para Porto Alegre, onde tem residência. A pergunta que fica agora para os brasileiros é: como fica o Brasil agora?

A ideia para este artigo surgiu de uma pergunta no Yahoo! Respostas, onde há os que dizem que o país ficou melhor, outros que piorou, fora quem acredita que “tanto faz” e que “era melhor saírem os dois”.

Irei comentar aqui os três pontos de vista citados (melhor, pior e tanto faz).

Para quem acha que o país ficou melhor

Eu, pessoalmente, estou indignada (como defensora da democracia que sou) com o fato de que o país está sendo submetido a um plano de governo contrário ao que foi aprovado na última eleição.

Em relação a isso, a Escola de Governo aprovou uma nota em que defende, entre outros pontos, a aprovação da emenda constitucional n°52/2011, que obriga todos os entes federativos a se comprometerem com um Programa de Metas como o já existente na cidade de São Paulo e em outras dezenas de cidades brasileiras. “Isso protege a população de oportunistas”, diz o texto (confira a íntegra aqui). 

Outro ponto importante defendido no texto é a criação de um pacto nacional pela realização de um plebiscito no qual o povo brasileiro responda se deseja ou não novas eleições.

Gera ainda preocupação a repressão praticada pelas polícias aos manifestantes que não reconhecem a legitimidade no atual governo. Isso é uma postura totalmente antidemocrática, e ponto.

Para quem acha que o país ficou pior 

Eu torço pelo Brasil. Não sou defensora do “quanto pior melhor”, pois é aqui que resido, aqui que ganho meu pão de cada dia. Neste sentido, espero que o país consiga sair desta grave crise econômica e que retome o caminho do crescimento com Justiça e equidade.

A oposição ao governo Temer deve ocorrer dentro dos limites da democracia também. Fazer como o grupo de opositores ao governo que atacou dois repórteres do UOL em Brasília é um ataque à Constituição, à liberdade de expressão e à sociedade.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) fez uma nota sobre o incidente, em que afirma que a imprensa livre “é condição indispensável de uma democracia” (confira a íntegra aqui). 

Para quem acha que tanto faz

Esse é o maior risco que podemos correr, o da descrença na política. É apenas por meio dos políticos e desde processo de debate (por mais problemas que ele tenha) que iremos evoluir como sociedade.

Acreditar que todos são “farinha do mesmo saco” é uma postura que ignora aos que fazem um trabalho sério e correto, mantém o status quo e é um posicionamento individualista. Eu fiz um artigo sobre este assunto com algumas questões que reproduzo aqui.

“Pois quanto mais nós discutirmos os assuntos "chatos" como política, economia, contratos, quanto mais nós soubermos colocar a nossa visão, nos posicionarmos sabendo ouvir também a opinião do outro, mais nós cresceremos enquanto profissionais e enquanto cidadãos.

O Brasil precisa, cada vez mais, de gente que saiba participar das polêmicas. E que saiba respeitar os direitos do outro”.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Precisamos abrir os olhos. “Às vezes o suicida está na sua frente e você não vê”

T. Al Nakib/freeimages.com
Dois casos trágicos chamaram a atenção da sociedade nesta semana. Segunda-feira, 29, o motoboy Carlos Ti On Martins Kon, de 41 anos, segundo testemunhas, jogou o filho e depois se atirou no vão do prédio do Fórum Trabalhista da Barra Funda, em São Paulo. No mesmo dia foram encontrados, no Rio de Janeiro, os corpos de Nabor Coutinho, 43, de seus dois filhos e de sua esposa. Ele é suspeito de ter matado os três e depois ter cometido suicídio. 

Nos dois casos houve cartas que teriam sido escritas antes das mortes. No caso de Kon, o bilhete dizia: “às vezes tem um suicida na sua frente e você não vê”. A carta do episódio Nabor mencionava, entre outros pontos: “Sinto um desgosto profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão. Mas melhor acabar com isso tudo logo e evitar o sofrimento de todos”.

Apenas as investigações policiais podem elucidar os casos. Porém, em função de sua repercussão, estes casos servem como mote para aprofundar a reflexão sobre o tema.

Nós vivemos em uma sociedade que cobra sucesso, saúde e que evita a dor e a morte. Só que isso cobra um alto preço. O psiquiatra Diogo Lara contou à Revista Psique alguns dados preocupantes.

“A pergunta do estudo pede para o voluntário responder se alguma vez já passou pela sua cabeça a ideia de se mater. Enquanto 40% nunca tiveram tal tipo de pensamento, 43% já pensaram alguma vez em suicídio, mas não seriamente. Já 11% da amostra pensaram seriamente em se matar e outros 6% já haviam tentado o suicídio”.

Dr.Lara ainda relata, na entrevista, que as taxas de suicídio têm aumentado constantemente no Brasil, principalmente em homens e pessoas com menos de 50 anos de idade.

Um amigo me perguntou se era de fato verdade que existe uma regra “não dita” nas redações de evitar noticiar casos de suicídio. Expliquei a ele que existe sim, um cuidado para que seja evitada a “glamourização” dos casos. No entanto, é necessário romper o silêncio e falar sobre o tema, até para ajudar quem precisa de ajuda.

Abrindo a caixa-preta da morte

Recomendo o livro “Sobre a Morte e o Morrer”, de Elizabeth Kubler-Ross. Ele ficou famoso por descrever os “cinco estágios” enfrentados pelas pessoas que estão morrendo: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

No meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), entregue em 2005, estudei o tema dos Cuidados Paliativos, que são um conjunto de tratamentos cujo objetivo é cuidar dos sintomas físicos, sociais, emocionais e espirituais das pessoas fora de possibilidades de cura.

Na ocasião eu conversei com o Dr. Luís Saporetti, do Grupo de Cuidados Paliativos do HC-USP, a respeito das pessoas que desejam a morte. “A natureza do ser humano é viver”, declarou na ocasião, explicando que muitos pacientes chegaram ao consultório pedindo isso, mas que depois mudam de ideia. “Você quer acabar com o sofrimento ou com o sofredor? Você, quando mata as pulgas, mata o cachorro também?”, questionou.

Ou seja, é importante abordar o tema da prevenção do sofrimento e da dor. Dr. Lara defende uma estratégia que contemple desde a infância, com a proteção a abusos emocionais, e que passa também por técnicas de processamento de traumas.

Por isso mesmo a minha mensagem final é: hoje em dia o tratamento avançou muito. Há muitas técnicas novas na psicoterapia, na farmacologia, que fazem com que seja possível ter grande qualidade de vida. O primeiro passo é reconhecer o problema, pedir ajuda e melhorar.

Não dá para ficar neutro quando se contempla a vida humana em sofrimento. Nossa existência vai muito além disso.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Apesar de hoje, seguirei acreditando

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tinha tantos assuntos para falar (a visita que fiz a Parelheiros no fim de semana, a polêmica com Bel Pesce), mas hoje é um dia no qual devo me curvar aos fatos.

A presidente Dilma falou hoje para a história. Concordo com a Helena Chagas, do Blog Os Divergentes, quando diz que foi o melhor discurso da vida de Dilma. 

“Alternou afirmações emocionais e trechos sobre a tortura com duras críticas às forças que apoiaram o impeachment e ao novo governo. Falou muitas vezes em golpe e em ruptura da democracia. Chegou às lágrimas em alguns momentos, mas não caiu no choro que passaria fraqueza e vitimização. Passa à história num raro ato de coragem, política e pessoal”.

Até mesmo Jader Barbalho admitiu isso para o mesmo blog. “A Dilma teve uma atitude muito digna de vir aqui enfrentar a situação pessoalmente. Não ganhará votos no Senado com seu depoimento. Mas falou para a história. Era o que ela podia fazer, e o fez bem”.

No entanto há algumas ressalvas necessárias a fazer.

Dilma tem chances praticamente nulas de manter o mandato para o qual foi democraticamente eleita. Ela recuou na sua proposta de realização de um plebiscito mencionado na carta que ela havia elaborado aos brasileiros.

O Blog do Fernando Rodrigues registra também que senadores ligados à petista continuam oferecendo cargos em uma espécie de “fisiologismo esclarecido”. Oi? Turma, não aprenderam a lição?

Cito aqui outro Blog, o Sakamoto, que coloca uma análise interessante. Ele teme que este processo torne o Brasil um país mais violento e autoritário. “O parlamento deveria ser o centro da vida política do país e não um estábulo de interesses pessoais. Mas a roda-viva da terra arrasada agora gira por conta própria”.

Concordo com o Sakamoto na luta pela democracia. Na defesa dos ambientes democráticos, pois somente por meio deles é possível garantir que diferenças sejam reconhecidas e que as minorias sejam ouvidas.

Mas eu vou permanecer acreditando. Sou uma otimista incorrigível, que acredita no Brasil. Apesar de lamentar muito todo o processo do impeachment, agradeço por ter visto a história sendo escrita e por termos a possibilidade de seguir fazendo e discutindo política de forma aberta no Brasil.

Tenho visto, claro, uma sociedade dividida e sei que há a possibilidade de que esse processo se agrave em função do impeachment. Mas eu olho a História a partir de uma perspectiva de longo prazo, e por isso creio que sairemos melhores dessa.

E para terminar espero que o governo Temer siga o prognóstico de Barbalho: “Temer vai ter que decidir se vai atrapalhar seu governo com a sua base parlamentar, ou se vai governar para a história. Se fará o que o país precisa que seja feito, independentemente de barganhas e pressões. O novo governo terá de 90 a 120 dias de armistício, depois disso saberemos como ficarão as coisas”.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Por que todo mundo deveria amar matemática

Rocko Rocko/Freeimages.com
Tenho visto vários projetos super bacanas para incentivar as pessoas a programar e a gostar de computação – lembro aqui de cabeça da Code Academy, da Khan Academy, das iniciativas importantíssimas voltadas para a mulherada como a Py Ladies, o Maria Lab, entre outros – mas, na minha modesta opinião, está na hora de valorizar também um pouco mais a boa e velha matemática.

Soma, subtração. Regra de três. Equações, funções, integrais e por aí vai.

Em maio de 2015, eu voltei a estudar matemática pelo Kumon. É um método que visa desenvolver o autodidatismo e foi fundado por Toru Kumon no Japão. Ele é mais conhecido como uma espécie de “aula de reforço” para crianças, mas a verdade é que tem muito adulto que aderiu a essa mania.

Funciona assim: você faz as lições em casa e vai, duas vezes por semana, à sede. Lá, um orientador tira as suas dúvidas, entrega as lições corrigidas e dá novas lições. Se você tiver erros você mesmo tem que tentar corrigi-los. E assim vai avançando de nível. O objetivo é, além de ficar bom em cálculo mental, ter o raciocínio rápido (é necessário fazer as lições dentro de uma média de tempo pré-determinada).

Quando comecei nos estudos, muita gente não entendeu. “Mas hoje em dia a calculadora está aí, por que voltar a estudar soma e subtração?”. E olha gente, como não estudava há muito tempo tive que começar do início, fui para o 1+1 mesmo (agora evoluí e já estou nas equações, risos).

Mas o que este ano de estudos me ensinou de bom?

- Concentração
Nesta época de redes sociais a mil, vou te dizer, fazer contas é uma baita terapia. Enquanto estou nos cálculos parece que entro em um mundo à parte. É muito bom. Aprendi a me concentrar muito mais depois que iniciei os estudos.

- Disciplina
O meu orientador Mário Hidani, que tem sabedoria e bondade de sobra, soube fazer com que eu passasse, cada vez mais, a valorizar a disciplina que esta rotina de exercícios traz. Compreendi que a filosofia é: “um pouco por dia, todos os dias”. Procuro levar isso para as demais atividades da minha vida.

- Raciocínio lógico
Tantas coisas na nossa vida ficam melhores quando o raciocínio está mais afiado. Passei a gostar mais de palavras cruzadas, de Sudoku e daqueles probleminhas divertidos como adivinhar a sequência de números.

Por fim, uma volta ao passado. Quando eu tinha 12 anos acabei ganhando a regional Santo André da Olimpíada de Matemática. Ao ir a São Paulo, eu era uma das poucas meninas presentes na etapa seguinte. Passei a achar que matemática não era para mim. Isso, de alguma forma, bloqueou meu cérebro.

Hoje recuperei a vontade de amar os números. Essa, sem dúvida, é a maior medalha que conquistei e que sigo conquistando a cada dia.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

“Democracia é um meio de vida”, diz Maria Victoria Benevides


A socióloga Maria Victoria Benevides fez, nessa terça-feira (09), a aula magna do curso do segundo semestre de Formação Cidadã na Escola de Governo em São Paulo, que em 2016 comemora 25 anos de existência. Na aula, intitulada “Estado, Democracia, Cidadania Ativa e Direitos Humanos no Brasil”, a professora abordou estes conceitos. “A palavra, junto com o diálogo, são as nossas armas”, disse ela. 

Benevides disse que hoje sofremos um processo de extremismo e ódio que compromete o Estado de Direito, “uma democracia está identificada com um processo civilizatório e de emancipação da pessoa humana”.

Ela falou ainda que a democracia não é apenas um regime político ou uma forma de governo e sim um meio de vida. “É o melhor jeito de enfrentarmos de modo civilizado os conflitos”.

Estado

A socióloga define o Estado como uma estrutura impessoal que reúnem instituições que exercem o poder político. “Ela possui instituições que agrupam o poder político em um território limitado. O Estado ainda possui o monopólio legal da violência”.

Governo

Já o governo é um conjunto de mecanismos específicos para a tomada das providências necessárias para as obrigações de Estado. Ele é provisório, enquanto o Estado é permanente.

Sociedade civil

Já a sociedade civil é formada por igrejas, sindicatos, associações, ONGs, empresas, órgãos de educação, imprensa e por partidos políticos. Estes últimos possuem um papel duplo: encaminham demandas da sociedade e, no Brasil, são parte do Estado, pois no país as candidaturas precisam ser representadas pelos partidos políticos.

Constituição

A professora afirmou que, desde 1988, a Constituição sofreu 93 “intervenções cirúrgicas”. “Ainda assim, é a melhor que já tivemos, pois não apenas define as formas de exercer o poder como indica os direitos daqueles que exercerão os contra poderes”.

Ela considera ainda o artigo 5º da Constituição [que começa com “todos são iguais perante a lei...] um marco histórico. Benevides alerta que é grande o número de propostas que visam a redução de direitos sociais e humanos previstos na Carta Magna.

Além disso, embora a Constituição não tenha acolhido formas de participação direta, ela recorda que está expresso, no Parágrafo único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (ela enfatizou a importância desta última palavra).

Visão liberal do Estado

Neste posicionamento a Economia fica sob as orientações da chamada “mão invisível” do mercado e tem as seguintes responsabilidades:
- Editar leis;
- Fazer Justiça;
- Manter a ordem pública;
- Organizar a produção de bens e serviços essenciais;
- Defender a Nação de inimigos externos;
- Representar a Nação externamente;
- Cunhar a moeda e cuidar de assuntos como câmbio e juros.

Para ela, essas atribuições são insuficientes. A professora defende que o Estado democrático deve agir para propiciar a participação popular efetiva dos cidadãos. “O Estado tem a obrigação de garantir os direitos fundamentais – Educação e Saúde – e de intervir para garantir direitos ao povo”. A professora diz que, em um país como o nosso, o Estado deve comandar o processo de desenvolvimento econômico com penetração nos campos sociais, culturais e ambientais.

“O verdadeiro regime republicano é aquele em que o bem comum do povo está acima dos interesses particulares, ainda que estes interesses sejam legítimos”.

Cidadania democrática

Para Benevides, a cidadania democrática pode ser definida por quatro conceitos:
1. Igualdade de todos perante a lei;
2. Igualdade de participação política;
3. Igualdade de condições socioeconômicas básicas que garantam o mínimo para se viver com dignidade;
4. Organização popular.

“A cidadania e a democracia são processos históricos que estão sempre em andamento”, diz ela. Outro ponto importante foi a sua crítica ao distanciamento das pessoas em relação à política.

“O descrédito à atividade política é um dos nossos maiores males. Temos visto um abandono, por vários dirigentes, da ética e do espírito republicano. Isso confunde conflitos de pessoas com a atividade política. (...) Fora da política não há salvação, embora a participação não precise ser feita nos modos tradicionais”.

Para terminar, a professora citou uma belíssima frase: “A esperança alimenta-se dos valores da igualdade e da justiça social, aquilo que sempre foi o sal da Terra”.

Ao término da aula, a professora e o professor Fábio Konder Camparato receberam placas comemorativas da Escola de Governo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Inspire-se na atitude dos torcedores da Rio 2016

Neste final de semana, eu e meu marido, Rafael Vergueiro, iniciamos uma jornada olímpica. Vimos algumas modalidades ao vivo (rugby, esgrima e futebol feminino) e também assistimos os jogos pela TV, via telões, de todo jeito. Amamos esporte.

Vejo muitos comentários sobre o quanto os atletas podem inspirar a vida de muita gente, mas pouco tem se falado sobre o torcedor de forma positiva.

Houve problemas? Sim, não irei negar. Teve barulho em momentos indevidos e o fato de que, muitas vezes, o torcedor foi somente para os jogos do Brasil quando poderia também prestigiar outras modalidades nos casos em que havia vários jogos seguidos.

Mesmo assim a gente tem que tirar o chapéu. O povo brasileiro animou as arenas como ninguém mais faria apesar de ter poucas e caras opções de alimentação, calor e filas, muitas filas. Foi incrível. Vou citar algumas situações que eu mesma vivenciei neste final de semana:

A batalha de Deodoro 

Todo torcedor que conseguiu assistir a uma sessão de jogos no Complexo de Deodoro no último sábado e terminar inteiro já merecia uma medalha. Quem pegou o trem teve que andar cerca de cinco quilômetros até chegar ao lugar das arenas sob um sol escaldante. Ao chegar ainda era necessário pegar a fila da revista, passar pelo detector de metais e percorrer outro trecho a pé até chegar na arena. A água era R$ 8. Outra opção era a água dos bebedouros, em alguns casos quente.

Franceses a caminho de Deodoro.
Tatiane Conceição Vergueiro/arquivo pessoal

Repare nestes franceses fazendo o percurso com galo, símbolo do país, na cabeça. Eles foram simpáticos com todo mundo e ainda tiveram pique pra dar uma corridinha, já que a França era o primeiro país a jogar naquele dia. 

Alguns brasileiros se misturaram aos canadenses e ganharam até a bandeira da folha de bordo. Já os australianos levaram um canguru gigante para a arquibancada. Sem deixar, claro, de falar da torcida brasileira. O povo apoiou e aplaudiu as Tupis, que acabaram derrotadas para a Grã-Bretanha (aliás, elas fizeram uma campanha histórica).

A festa do Engenhão

Eu (terceira mulher da esquerda pra direita)
na torcida meio brasileira meio chinesa.
Tatiane Conceição Vergueiro/arquivo pessoal
Antes do show da seleção feminina de futebol de Marta e cia. teve o jogo entre China e África do Sul. Os chineses agruparam-se próximos de onde eu estava. Na hora do intervalo batemos papo e tiramos fotos com a bandeira chinesa. Houve bastante apoio aos dois times, que corresponderam em campo (o gol da chinesa, que encobriu a goleira, que o diga).

Outro lance imperdível foi a galera cantando animada “trem das Onze” e “Marta é melhor que Neymar” enquanto ficava parado aguardando em mais uma fila quilométrica para pegar o trem de volta para casa. É como eu digo, o melhor do Brasil é mesmo o brasileiro.

Touché na Arena Carioca

Domingo foi dia de conhecer a Arena Carioca, no Parque Olímpico da Barra, e torcer pela esgrima. Assisti às semifinais e às disputas de ouro e bronze no florete masculino. Na disputa do bronze entre Richard Kruse, da Grã-Bretanha, e Timur Safin, da Rússia, o britânico, que estava perdendo, começou a se recuperar com o apoio da torcida que cantava “vamos virar Kruse”, tal como em um estádio de futebol. Mas não deu, o russo conseguiu o ponto final após breve intervalo. Em uma atitude muitíssimo desportiva, ao final do confronto, Safin cumprimentou toda a torcida.

A disputa do ouro entre Daniele Garozzo, da Itália, e Massialas Alexander, dos EUA, empolgou. Os brasileiros, presentes em bom número, empurraram o italiano, que venceu por 15-11. No último ponto ele ficou tão empolgado que saiu correndo antes mesmo da confirmação final da vitória dos juízes (o vídeo é bem curto mas dá para ter uma ideia).



Era visível também a emoção do norte-americano, que foi quase às lágrimas no momento do pódio. Foi outro momento de torcida vibrante, festiva. Que todos se inspirem nestes exemplos positivos.

Apoio às manifestações políticas

Ao final deste artigo gostaria de registrar meu apoio ao livre direito à liberdade de expressão e às manifestações políticas, na Olimpíada, que entram na classificação pacífica e amigável (para mim levar um cartaz, por exemplo, entra nessa categoria). Para mim isso tem tudo a ver com o espírito da festa. Há um artigo muito bom do Nexo, aliás, sobre este tema. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Como parei de ser ingênua e aprendi a ser uma boa cliente

Tenho buscado, cada vez mais, entender melhor as relações entre empresas e pessoas e, hoje em dia, sou muito mais firme na defesa dos meus direitos e também mais consciente dos meus deveres. Ou seja, passei de ingênua a uma boa cliente.

Livro que ganhei da Alphagraphics. Foto: reprodução
Vou contar aqui um exemplo positivo, o da Alphagraphics. Mandei fazer cartões de visita de uma promoção de 100 cartões grátis. A entrega atrasou. Reclamei (antigamente eu não iria falar nada, afinal, eles já estavam dando os cartões de graça certo?). Além de resolver o meu problema a empresa ainda enviou um belo brinde, como forma de compensar pelo ocorrido.

A gente também aprende com os erros. Em outro caso eu frequentava, há anos, um supermercado, que prometia estacionamento grátis após determinado valor de compra. Fiz uma compra vultosa, mas validei o ticket após outra compra, essa de valor baixo. Com isso, fui barrada em duas cancelas e ainda tive que pagar R$ 10 para sair.

Fui, neste caso, ingênua de novo. Deveria ter acionado algum superior na hora.  Deveria ter apresentado o outro ticket, também na hora. Deveria ter guardado todas as provas do ocorrido. Com base nessas experiências gostaria de colocar abaixo outras dicas práticas:

- Prometa o que você pode cumprir

Pense bem em todos os detalhes envolvidos antes de vender um produto, serviço ou de realizar uma promoção. A quantidade de produtos ofertados cobre a demanda? A comunicação é clara? E o prazo de pagamento e a entrega? Busque estabelecer os principais pontos por escrito.

- Cliente, tenha uma atitude proativa

Quem me conhece há mais tempo sabe que sempre fui uma pessoa de boa índole, que busca acreditar nas pessoas e ter boa fé.

Mas eu sei que, muitas vezes, o que eu penso não é o que a outra pessoa entende e que há gente desonesta neste mundo. Para evitar este tipo de problema agora eu anoto, tiro dúvidas, registro o que está acontecendo, tiro fotos e reclamo, de forma organizada, calma e acionando instâncias superiores, quando é o caso. Sei que isso burocratiza algumas situações, mas me protege de muitos problemas.

Dito tudo isso, recomendo estes três artigos que consultei sobre este mesmo tema: “o cliente tem sempre razão”?

Artigo do Sebrae-SP, texto de Rogério Martins e artigo de Sylvio Ribeiro. 

Abraços e até a próxima!