segunda-feira, 30 de maio de 2016

Sobre o estupro e a crença em um mundo justo

Estava aqui pensando qual assunto abordar no blog, mas o caso da moça estuprada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro merece uma reflexão, sem dúvida. Comecei lendo esta reportagem: "Cultura machista faz com que as pessoas não reconheçam a violência, diz psicóloga". 


Neste texto acabei me deparando com a "teoria do mundo justo", formulada por Melvyn Lerner nos anos 60, e fiquei interessadíssima. Neste artigo de Oliver Burkerman "Acreditar que a vida é justa pode fazer de você uma pessoa terrível", é feito um relato de como foi o experimento:


Ele e a pesquisadora Carolyn Simmons mostraram a um grupo de pessoas imagens de uma mulher sofrendo choques elétricos após um mau resultado em um teste de memória. Dada a opção de aliviar seu sofrimento por meio do fim dos choques, a maioria encerrou os choques. Porém, quando foi negada a eles esta opção, ou seja, quando eles tiveram que assistir, sem poder fazer nada, ao seu sofrimento, os participantes ajustaram a sua opinião e passaram a avaliar a mulher de forma mais negativa.


"A visão de uma pessoa inocente sofrendo sem a possibilidade de recompensa ou compensação", disseram os pesquisadores, "motivou as pessoas a diminuir a sua atratividade de forma a fazer com que ela se ajustasse a um padrão de destino ou de caráter".


Afinal, como disse o Burkerman, "se não há uma boa explicação para o sofrimento de uma pessoa, é muito mais difícil escapar da assustadora conclusão de que você poderia ser o próximo".


Coloco aqui também um artigo chamado "És pobre porque não mereces ser rico", em que Michael Kraus, da Universidade de Michael Kraus, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, e Dacher Keltner, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, descobriram o seguinte:


"Quanto mais alta as pessoas acham que é a sua classe social, mais se envolvem em crenças sobre o mundo justo e que esta diferença explica o seu crescente essencialismo de classe: aparentemente, se achamos que nos estamos a sair bem, tendemos a pensar que o sucesso acabará por chegar àqueles que o merecem; e, portanto, se não chega aos que pertencem a uma classe social mais baixa, é porque eles não o merecem".


Este trecho também merece destaque: "Os ricos geralmente têm a liberdade de seguir os seus desejos e motivações, enquanto para os pobres há mais limitações externas do que oportunidades. Os pobres percebem que poderiam ter os melhores genes do mundo e ainda assim trabalharem num McDonald’s. Pode ser que os ricos não estejam simplesmente a virar a cara a essas realidades; por causa da sua experiência pessoal, podem nem sequer conseguir vê-las".


Ou seja, não estou aqui condenando o pensamento positivo. Eu firmemente acredito que, por meio de fé e determinação, nos tornamos pessoas melhores. Mas a verdade é que o mundo é injusto, e que coisas injustas podem acontecer com qualquer um, com você inclusive.



quinta-feira, 19 de maio de 2016

12 ferramentas gratuitas para um post "fora da caixa"

eliteds3/Freeimages.com


Eu ia escrever sobre política, mas daí fiquei mega inspirada por este artigo do Gustavo Caetano chamado 41 segredos que uso para ser mais ágil e aumentar as vendas. 

Eu adoro usar a internet para descobrir coisas novas que eu possa usar de graça. É incrível a quantidade de cursos e oportunidades que estão aí disponíveis para melhorar a produção de conteúdo. Vamos lá:

- Quer fazer aquele post matador e não sabe onde achar uma foto bacana? Eu uso o freeimages.com desde a época em que ele tinha um endereço esquisito (www.sxc.hu). A foto que ilustra este post é da ferramenta. Só não vale não dar o crédito para o autor da notícia ok?

- E para a edição da foto, não tem Photoshop? Não tem problema. Tem o Gimp, que é uma ferramenta que você pode baixar e é bem robusta. Para uma edição mais simples recomendo o Pixlr, que tem a mega vantagem de que é uma aba que você usa no próprio carregador, é incrível.

- Para fazer infográficos recomendo o Infogram. Por meio dele você consegue fazer um infográfico de uma forma bem fácil (tem o Tableu Public para usuários mais avançados).

- E pra fazer uns vídeos bacanas, como eu faço? Olha, eu também preciso melhorar nisso. Por conta disso vou me inscrever no curso online gratuito "Produção de Vídeos Jornalísticos para a Internet". Quer entrar nessa também? Clica aqui. 

- A internet tem cada vez mais um oceano de dados. Como eu faço para melhorar a visualização destes dados? Para contar histórias por meio destas informações?

Eu sou uma apaixonada por este assunto. Já fiz alguns cursos de Data Jornalismo (fiz um curso online por exemplo de jornalismo de dados Knight Center for Journalism in the Americas que foi incrível). Ele deixou como legado um grupo no Facebook bem bacana.

Por meio do grupo encontrei este post super bacana, 5 Ways to Use Data Storytelling for Advocacy (Cinco formas de usar o storytelling de dados para fazer advocacy). Data significa dados em português. Storytelling é um termo que vem sendo bem difundido e tem a ver com a produção de histórias. Já o advocacy é um termo que não tem tradução direta em português, mas que significa um conjunto de ações de mobilização e comunicação para defender uma causa (é o que faz a Atletas pelo Brasil, por exemplo).

Terminando com um dado alarmante: saiu uma reportagem que mostra que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro NA VIDA. É isso mesmo.  Então, por conta disso irei dar aqui a última dica: leia muito. Leia sempre.

O último livro que eu li está na ponta da língua. É a biografia de Charles Dickens, terminei nesta semana. Semana passada foi a biografia do Gandhi (estou numa vibe de biografias recentemente pois encontrei uma série de livros bem curtinhos e bons para treinar o inglês).

Vou até repetir por conta da importância do assunto: a maior ferramenta para publicar, seja pela internet ou fora dela, é e sempre será o conhecimento. É por meio dele que temos repertório, conhecimento de vida e de outras perspectivas.

Só por meio do conhecimento dá para pensar fora da caixa. 


quinta-feira, 12 de maio de 2016

O que dá para fazer de diferente - a partir de 1964 e de hoje

O Senado aprovou nesta quinta-feira, por 55 votos, a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Esta é a segunda vez, em 24 anos, que um presidente é afastado temporariamente (anteriormente havia sido Fernando Collor de Mello, que renunciou antes de ser julgado). 
Reproduzo abaixo trecho de um belíssimo artigo de Lilia Scharcz que faz um paralelo entre 1964 e hoje:
..."o jogo de mímica inclui em boas doses o protagonismo paulista, o crescimento das ruas e o fortalecimento do discurso religioso, moralizante e de direita.
XXX e as coalizões das esquerdas não viram a trovoada se formar. “Isso não é povo”, desdenharam. Estavam enganados. A marcha que parou São Paulo comprovava como havia se consolidado uma frente de oposição ao governo, com capacidade de mobilização e composição social heterogênea.
No protesto desfilavam, em primeiro lugar, a aversão de setores da sociedade ao protagonismo crescente dos trabalhadores urbanos e rurais. Em segundo, o dinheiro curto e o futuro incerto que acendeu o ativismo das classes médias urbanas. O resultado foi esse, que conhecemos tão bem nos dias de hoje e entre nós brasileiros: o aumento dos radicalismos de lado a lado, e das expressões de intolerância – a irmã mais velha do ódio".
Tomei a liberdade de fazer um suspense e troquei Goulart por XXX. Mas dá para ver que a história se repete. Se eu acredito que dá para rescrever este final?
Dá...é só a esquerda e a direita começarem a pensar e a agir de forma diferente.
Pela reforma política, por menos projetos personalistas e demagogos, por instituições maduras e por um discurso que não menospreze o outro lado e que priorize o povo. 
Pela educação, por líderes mais bem preparados, por um projeto de país que tenha continuidade e planejamento. 
Só assim as lições de hoje não se repetirão no futuro.

5 ferramentas para melhorar o SEO (a quinta é a melhor!)

Andei lendo estes dias sobre SEO e resolvi compartilhar algumas dicas do que ando aprendendo. Em primeiro lugar acho importantíssimo colocar o conceito que estou adotando para o SEO: trata-se de uma estratégia para oferecer a melhor experiência para o usuário, ou seja, a ideia é que o website em questão reflita, por meio das técnicas, quais os pontos fortes do negócio e como se diferenciar em relação à concorrência. Vamos então para as dicas:
1. Google para Desenvolvedores: ótima opção para fazer um diagnóstico do seu website. Ele possui uma ferramenta chamada PageSpeed Insights que dá uma nota, de 0 a 100 (quanto mais perto de 100 melhor o desempenho do site). Acredite, você vai se surpreender. Coisas simples como a otimização de imagens (deixar a imagem no formato web, menor e com menos resolução) já fazem uma baita diferença. E o servidor então? Muitas vezes somente a troca de servidor de hospedagem já ajuda a melhorar o desempenho de um site. 
2. Searchmetrics: outra ferramenta para diagnóstico semelhante ao PageSpeed insights, mas com um perfil bem mais completo. É possível ver como a organização está no uso de mídias pagas, entre outras funcionalidades. 
3. Google Trends: importantíssimo para analisar as palavras-chave que definem o seu negócio e verificar como é o desempenho do website na comparação com a concorrência. Esta apresentação aqui no Slideshare mostra um exemplo de como esta efetuar esta análise de palavras-chave fez a diferença. 
4. Google Keyword Planner: com esta ferramenta dá para olhar com lupa quais palavras usar e testar a força de campanhas de anúncios, de forma a fazer com que eles reflitam, de fato, o que a pessoa está buscando. 
5. Seu cérebro: esta ferramenta é gratuita e, acredite, supera com folga todas as demais acima. Brincadeiras à parte, não adianta nada ter acesso a belas ferramentas e usá-las uma vez e deixar depois tudo de lado.
Comunicação é um processo que leva tempo, afinal conhecimento é algo que se constrói com muita dedicação. É como vender qualquer produto: você tem que saber diferenciar o seu produto: negociar com um bom fornecedor: formar uma boa clientela; testar, junto a esta clientela, o que funciona e o que não funciona; manter esta clientela e depois reiniciar todo o processo acima.  
Ou seja: não dá para acreditar em resultados mágicos ou em gente que promete milagres. Eu acredito na força da quinta ferramenta. 
P.S: Assisti recentemente a uma palestra da empresa SEO Master, recomendo.