segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tive uma ideia de negócio, e agora? Use o Business Model Canvas!



Durante o curso Reprograma, sobre programação e empreendedorismo, tive uma aula com a Carla de Bona sobre o Business Model Canvas (em tradução livre, Quadro de Modelo de Negócios). Antes de explicar o que ele significa em termos técnicos, acho interessante falar sobre o problema que ele resolve.

Sabe quando alguém tem uma ideia fantástica e não sabe se ela possui viabilidade ou não? Ou quando já tem um negócio em andamento e precisa analisar o processo do produto e ver se ele faz sentido? Pois é, o quadro pode ajudar nessas tarefas.

A ferramenta foi proposta por Alexander Osterwalder baseada no livro “Business Model Ontology”.

Usando a sua definição: “é um mapa visual (em uma única página) que descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor em um modelo de negócio” [Nesse vídeo ele explica melhor todo o conceito]. 




Dizendo em outras palavras, a ferramenta é o quadro onde o artista (no caso, o empreendedor) vai pintar a sua obra. Segue aqui uma explicação do próprio Osterwalder: “São nove blocos que permitem a você descrever ou desenvolver qualquer modelo de negócios que você possa imaginar”.

Mas o que isso significa na vida real? 

Quando é entregue uma proposta de valor (a oferta de um produto ou serviço) o que está sendo feito, no fundo no fundo, é sendo contada uma história. Toda história tem começo, meio e fim certo? Então, o Business Model Canvas faz com que seja mais fácil visualizar a história que está sendo contada.

Eu, que sou jornalista, relaciono o quadro às questões que aprendemos no famoso roteiro 5W (ou 5W1H), que todo profissional da área estuda na faculdade: “Quem?” “O quê?” “Quando?” “Onde?” “Por quê?” (alguns teóricos adicionam o “Como” a esta equação).

E agora, como fazer o Business Model Canvas funcionar?

Mãos à obra!

O modelo pode ser impresso em uma folha de papel ou então podem ser utilizados exemplos online. O Sebrae possui um website por meio do qual é possível criar e compartilhar quantos quadros o usuário desejar. A recomendação do autor do modelo é que seja seguido o seguinte roteiro:

1. Segmentos de mercado
Para quem estamos criando valor? Quem são os clientes mais importantes?

2. Proposta de valor
Que valor estamos entregando ao cliente? Que problemas estão sendo resolvidos com nossos produtos ou serviços?

3. Canais
Como comunicar e entregar a nossa proposta de valor? De que forma nossos produtos ou serviços chegarão até os clientes?

4. Relacionamento com clientes
Como fazer para conquistar e manter uma boa relação com os clientes?

5. Fontes de receita
Quanto e como os clientes pagarão pelo que está sendo oferecido?

6. Recursos-chave
Quais são os recursos necessários para realizar nossa proposta de valor? O que é necessário para fazer o negócio funcionar?

7. Atividades-chave
Que atividades são mais importantes para fazer nosso modelo de negócio funcionar? Quais ações são necessárias para a realização da proposta de valor?

8. Parcerias-chave
Quais parcerias fazer para entregar a proposta de valor aos nossos clientes? Quem são os aliados que podem otimizar e reduzir os riscos do negócio?

9. Estrutura de custos
Quais custos vamos ter para gerar valor para o nosso cliente? Quais são os gastos envolvidos na operação do negócio?

Algumas dicas para a elaboração do modelo:

O ideal é, ao invés de preencher o quadro diretamente, usar post-its ou quadros online de forma a manter as ideias em movimento. Em relação ao uso de cores não há uma regra rígida. Dá para usar um tipo de cor para cada segmento de mercado diferente, cores para diferentes estágios da empresa, mesma cor para cada tipo de bloco, etc.

Eu fiz um quadro para um projeto que eu tenho de um website sobre a Constituição brasileira. O site ainda está sendo melhorado, mas para quem quiser ver e opinar o modelo está aqui abaixo:



Para finalizar segue a frase do Osterwalder: “Bons produtos estão se tornando commodity. É a combinação entre bons produtos e um bom modelo de negócios que irá deixar você à frente da concorrência na próxima década”.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Direitos econômicos e sociais no centro da PEC 55

Foto do plenário do Senado durante a aprovação da PEC do Teto dos Gastos Públicos. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Continuo no meu projeto de fazer artigos sobre as aulas que tive durante o curso Formação Cidadã da Escola de Governo, que tem o objetivo de ensinar bases para a cidadania ativa, e estou agora na aula sobre Direitos Econômicos e Sociais, ministrada pela profa. Daniela Castro. Estes direitos agora estão no centro do debate com a PEC 55 (irei chegar a este ponto mais adiante).

Mais uma vez, levei um bom tempo refletindo antes de colocar as ideias no papel, em parte pelo fato de estes conceitos estarem distantes da minha realidade. E fica a reflexão, até que ponto nós sabemos sobre a realidade política e social do Brasil para além das manchetes?

Enfim, divagação feita, vou começar aqui pelo histórico. Na origem dos direitos econômicos e sociais estão fatos como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (França 1789), a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1966, ratificado pelo Brasil em 1992.

Mas afinal, o que são esses direitos econômicos e sociais?

Trata-se, por exemplo, do direito ao trabalho, à educação, à saúde e à previdência social. Eles requerem uma atuação do Estado para que sejam, de fato, exercidos, especialmente quando se trata das populações mais vulneráveis.

Creio que nunca pensei, de fato, nestas questões como direitos. Acho que é porque sempre imaginei a educação, ou a saúde como um serviço.

Eu lembro sempre de uma coisa que a Daniela me dizia em tempos passados que é a questão das regras do jogo. Quando se trata de saúde, de educação, do poder em geral: quem propõe as regras? De quem é a responsabilidade por oferecer este direito? De que forma o poder de educar, ou de prover saúde, educação, é distribuído?

E mais, e se quando quem é responsável por definir as regras também é responsável por distribuir? É como se na partida de futebol o dono do campinho fosse também o dono da bola e das traves. E se o resultado não o agrada, ele leva a bola debaixo do braço e vai embora?

Daí dá para perceber como e porque as regras são desiguais.

Sabemos que a desigualdade social é um fato, mas é interessante observar os dados que comprovam isso.

Segundo fontes como o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e a Oxfam, no mundo, 62 pessoas juntas possuem a mesma renda de 3,6 bilhão de pessoas que estão na base da pirâmide social.

Se fosse para colocar em um gráfico acho que nem daria para comparar visualmente 62 com 3,6 bilhão, é muita diferença.

No caso do Brasil, a situação é trágica. A razão entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres é de 40,6%. Apenas dez países, dos 143 analisados, estão em situação melhor do que a do nosso país.

A desigualdade possui diversos efeitos colaterais. Ela é uma ameaça à liberdade e à democracia, impede o fim da pobreza, prejudica o crescimento e impede a sustentabilidade.

Como que isso ocorre então?

Uma das formas pelas quais a divisão de riqueza ocorre é por meio da cobrança de tributos. Para se ter uma ideia, 53,9% da renda das pessoas que ganham até dois salários mínimos é comprometida com tributos, frente a uma diferença de 29% de comprometimento nos casos da renda acima de 30 salários.

No Brasil, nossa maior carga de impostos é indireta, ou seja, está “embutida” nos produtos (no café, na geladeira, no transporte, etc), enquanto em outros países a carga maior é direta, ou seja, incide sobre a renda e o patrimônio.

Entre as saídas para esse cenário estão a transparência e a progressão tributária, a maior participação política, o combate à sonegação fiscal e a adoção de pisos de proteção social.

Houve uma redução significativa da desigualdade brasileira na última década. O índice de extrema pobreza caiu 57% de 2002 a 2008. No mesmo período, ainda houve a transição de 25 milhões de pessoas das classes D e E para a C, de renda maior.

No entanto, o cenário preocupa. A previsão é que seja promulgada nessa quinta-feira pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, a PEC 55, que limita o teto dos gastos públicos pelos próximos 20 anos com o objetivo alegado de conter o agravamento da crise econômica do país.

O relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alstom, criticou a medida. Ele disse inclusive que ela viola o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, citado acima.

Alstom falou que a PEC é uma “medida radical, desprovida de nuance e compaixão” que “vai atingir com mais força os brasileiros mais pobres e vulneráveis, aumentando o índice de desigualdade em uma sociedade já extremamente desigual”.

Ele também recomendou ao governo brasileiro que garanta um debate público apropriado sobre a PEC, que estime seu impacto sobre os setores mais pobres da sociedade, e que identifique outras alternativas para atingir os objetivos de austeridade.

Outra análise com a qual concordo é de Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, dedicado a atuar na defesa de causas sociais e movimentos sociais, especialmente sobre os negros. Ele diz o seguinte: “A PEC 55 inviabiliza, na prática, os direitos sociais. O resultado disso será um acirramento dos conflitos sociais e de uma disputa terrível de grupos sociais por um minguado orçamento público”.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O que significa o tal MVP (Mínimo Produto Viável)


Durante o curso Reprograma (sobre programação front-end e empreendedorismo), tive uma aula, com a incrível Carla de Bona, sobre o MVP (Mínimo Produto Viável). Ele é um dos termos da moda no mundo das startups.

Mas o que é, de fato, o MVP? O que ele muda na vida das empresas?

O termo MVP foi popularizado a partir do livro “The Lean Startup” (A Startup Enxuta), de Eric Ries. Eu li um artigo do TechCrunch, em inglês, em que Ries explica o conceito de MVP:

“O Mínimo Produto Viável ajuda empreendedores a iniciar o processo de aprendizagem o mais rápido possível. Não é necessariamente, entretanto, o menor produto imaginado; é simplesmente o mais rápido modo de começar a construir um negócio sustentável com a mínima quantidade de esforço”.

Um dos exemplos de MVP apresentados em sala de aula foi o do Airbnb, site de compartilhamento de residências.

Assisti ao vídeo TED com o fundador da startup, Joe Gebbia, chamado “Como o Airbnb cria confiança por meio do design”.



Ele disse o seguinte: “um sistema de reputação é essencial para construir confiança”.

Gebbia revelou que foi feito um estudo, com a Universidade de Stanford, em que foi analisada a disposição de confiar em alguém com base em semelhança. A pesquisa mostrou que preferimos pessoas parecidas conosco. Até aí nada de novo certo? Mas o interessante é o que acontece quando você adiciona a reputação a esse conceito.

A reputação alta ganha da alta semelhança.  

Ou seja, quando algo (ou alguém) tem boas referências, ela não só supera a desconfiança por ser diferente como está em vantagem na comparação com o semelhante em termos de confiança.

O autor do TED contou, por outro lado, que construir a quantidade certa de confiança requer a quantidade certa de informações. 

Usando o exemplo do Airbnb, quando o anfitrião diz pouco, sua taxa de aceitação diminui. Se falar demais, também.

Voltando agora ao conceito do MVP, para mim ele é exatamente isso: fazer o justo, nem muito nem pouco. Vou colar aqui um slide da aula da Carla que ilustra bem essa ideia:





Quando você produz um MVP dá para testar uma ideia e dessa forma construir uma reputação que ajude a superar o nosso preconceito arraigado que nos diz que algo estranho representa perigo.

Outro exemplo de MVP é o do Dropbox, que é um serviço de compartilhamento de arquivos. O CEO do Dropbox, Drew Houston, viu-se às voltas com seguinte pergunta: “Se nós proporcionarmos uma boa experiência de usuário, nosso público irá nos dar uma chance?” Ele intuía – de forma correta, como se veria mais adiante – que sincronização de arquivos era um problema que os usuários nem sabiam que tinham.

Para resolver este problema, ele decidiu criar um vídeo. Além de mostrar a ferramenta, o vídeo tinha uma série de referências bem-humoradas que caíram no gosto dos fãs de tecnologia.



Após a gravação, a lista de espera da versão beta pulou de 5 mil para 75 mil em uma noite, contou Drew.

Drew resumiu essa experiência em alguns tópicos:

- O maior risco é produzir algo que ninguém queira;
- Deixar de lançar é doloroso, mas não aprender é fatal;
- Coloque algo nas mãos dos usuários (não precisa ser o código) e receba um feedback real o mais rápido possível;
- Saiba onde a sua audiência está e converse com ela de forma autêntica. 

Gostou do artigo? Espero que sim :-)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Post em homenagem ao fim do curso Formação Cidadã, da Escola de Governo

Este post (mais conhecido como textão) é uma homenagem ao fim do curso de Formação Cidadã da Escola de Governo feito durante este semestre.

"Em agosto deste ano, o destino me levou para a turma do curso de Formação Cidadã da Escola de Governo. Foi uma jornada transformadora, da qual creio que saí muito diferente de como entrei. Foi como se tivesse tido a oportunidade de colocar o Brasil no divã e ele estivesse me contando, passo a passo, o que ele passou durante esses últimos 500 anos.

A proposta do curso é conhecer temas, direitos e deveres de cada cidadão, qual o papel do Estado e o estudo da realidade brasileira, além de debates sobre diversas áreas ligadas aos problemas de nossa sociedade e também sobre a elaboração e o conteúdo de políticas públicas.

Para explicar isso tudo vou recorrer a Paulo Freire, citado mais de uma vez durante as aulas: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”.

Portanto começo a descrição do curso usando um exemplo do mundo, um incêndio em favela: “Não é que o poder econômico vá lá e acenda o isqueiro. Ele deixa o fogo queimar”.  

Vi muitos casos de gente que vive na sombra do isqueiro. Conheci a aldeia Krukutu, a história de Carolina Maria de Jesus, a vida das pessoas que estão no cabo da frigideira na luta pela moradia.
Gente que vive o risco de não ter onde morar, risco de perder a vida, risco de não ter onde estudar. E, pior do que isso, o risco de imaginar não ser “alguém na vida”.

Tivemos a oportunidade também de analisar as várias causas de cada problema social. Porque a realidade nunca é única, ela é plural. Além disso cada um teve a chance de acrescentar as suas experiências durante o debate, e isso foi muito enriquecedor. Espero que a turma possa me perdoar pelo permanente papel de advogada do diabo [risos].

Terminado o curso creio que ficou agora a responsabilidade de agir. Agir para que mais pessoas possam ter a educação política, agir para que mais comunidades possam se organizar, agir nos momentos em que alguém, do nosso lado, esteja com mais peso do que possa aguentar. Agir para que todos sejam mais felizes.


Afinal, como diz a canção Felicidade, lindamente interpretada pelo Pedro Aguerre na nossa última aula, “felicidade é só questão de ser”. Que sejamos. Obrigada".

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Será que a democracia representativa nos representa?

Ícone feito por Freepik vindo de: www.flaticon.com


Assisti à aula de democracia representativa do advogado Victor Barau, na Escola de Governo, e decidi compartilhar as suas lições, bem como algumas pesquisas e reflexões pessoais. Devo confessar que, estudando o assunto, fiquei com mais dúvidas do que conclusões e que por isso mesmo este texto foi iniciado por diversas vezes e agora está finalmente concluído.

Talvez isso ocorra por estarmos vivendo agora, sem dúvida, um profundo mal-estar em relação ao modelo representativo (a frase da moda, por sinal, é dizer que determinada pessoa ou instituição “não representa”).

Para ajudar nessa discussão seguem alguns conceitos:

O que significa a democracia

Para começar, ele disse que o termo democracia vem do grego e significa, em termos literais, autoridade para o povo (demos = povo e kratos = autoridade). A palavra, que surgiu na Grécia, ressurgiu durante a época do Iluminismo. A democracia possui como raízes os conceitos de igualdade, liberdade e fraternidade, adotados pelas revoluções francesa e americana e por boa parte dos países ocidentais.

Vou detalhar um pouco mais esta questão do conceito democrático. Segundo o material do Victor (que é bem bacana e você pode acessar neste link), o significado do princípio democrático, como vivemos atualmente, tem como melhor interpretação o seguinte:

- Igualdade de condições entre todos os cidadãos;
- Garantia de livre arbítrio (liberdade de escolha);
- Segurança jurídica;
- O bem comum com o respeito e a preocupação com o próximo, a sociedade e o Estado organizado.

“Também vale dizer que o princípio democrático do Estado Moderno implica na separação dos poderes estatais, onde o Poder Executivo administra e governa o Estado; o Poder Legislativo elabora as leis, e o Poder Judiciário zela pelo cumprimento da Lei e a aplicação da Justiça”, diz ele.

“À medida em que se ampliam as condições de interferência do cidadão no poder do Estado, está se alargando o gozo da democracia”, complementa.

Aqui fica a primeira reflexão minha: é interessante pensar de como passamos, no curso de alguns séculos, de um modelo no qual todo o poder era inquestionável para outro em que, ao menos na teoria, o poder vem do conjunto de pessoas, da coletividade. Fim da pausa.

Direitos políticos x direitos fundamentais x pizza

Os direitos de participação popular no Estado são chamados de direitos políticos. Eles são diferentes dos direitos fundamentais, pois é necessário preencher certos requisitos para ter os direitos políticos enquanto os direitos fundamentais são os direitos básicos da pessoa humana.

Para mim, isso fica mais claro quando comparo os direitos políticos com a capacidade de alguém participar do processo de produção de uma pizza. Ela pode, por exemplo, escolher um pizzaiolo, pode ela própria fazer a pizza, pode assistir e fazer parte da pizza, enfim, há um universo de possibilidades. Já o direito fundamental seria a capacidade de alguém de comer um pedaço de pizza na minha peculiar avaliação.

O cidadão, em geral, só exerce seu direito político quando vota na eleição. O direito político é muito mais do que isso. Trata-se do direito de ser votado e de organizar e participar de partidos políticos, por exemplo.

Vale colocar que o princípio democrático, no Brasil, foi reconhecido e fortalecido a partir da Constituição de 1988, sendo colocado no parágrafo único do artigo 1º:

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”

Comentário: no Direito, pequenas palavras significam grandes transformações. Esse “todo poder emana do povo” faz toda a diferença.

Durante a aula, foram abordados vários outros conceitos, mas vou destacar os critérios para definir um sistema eleitoral democrático, que pode ser definido por duas palavras: participação e competição. A eleição deve ser:

- Livre e competitiva;
- Ter igualdade de oportunidades nas candidaturas;
- Liberdade de eleição por voto secreto;
- O sistema eleitoral não deve provocar resultados perigosos para a democracia. Neste ponto estou usando como referência o material do Victor, mas me pergunto como, efetivamente, evitar isso, lembrando de casos recentes na política mundial (creio que não preciso ser mais específica do que isso).

Novas formas de representação política e o mal-estar dos tempos atuais

Coloco abaixo exemplos que buscam ampliar a modificar a forma como é feita a participação popular no sistema político. A pesquisa Sonho Brasileiro da Política listou projetos como o “A Batata precisa de você”, o Lab Hacker, de Brasília, e movimentos como Ocupa Cais Mauá (RS) e Ocupe Estelita (PE).

Mas, ao que me parece, o mal-estar que eu e muitas pessoas vivem é um pouco maior do que estes projetos podem abarcar, por mais bem-intencionadas que as iniciativas sejam. Até porque, infelizmente, a intolerância de maior audiência na internet é a política, segundo pesquisa da Revista Meio & Mensagem.

Ou seja, estamos nós, seres humanos, preparados a dividir o poder e para sermos mais solidários? Estamos, de fato, fazendo algo diferente ou sendo apenas mais do mesmo?

Eu sou otimista. Acredito, sobretudo, na educação. Há vários projetos nesse sentido como o projeto Voto x Veto, a Websérie “E eu com isso?”, o grupo no Facebook “Política para Leigos”, o evento “Política pode ser sexy sem ser vulgar”, e vários outros.

A discussão política não é uma batalha fácil. Ela deixa, naqueles que a vivem, muitas dúvidas, poucas certezas e o alívio de viver sem apequenar-se.