sábado, 22 de outubro de 2016

Veja dicas de Comunicação para resolver conflitos e dar feedbacks

Foto: siewlian/Freeimages.com

A psicóloga Fabíola Luciano concedeu uma palestra nessa segunda-feira, 17, aos alunos do projeto Reprograma sobre Comunicação, Resolução de Conflitos e Feedback. Foi muito interessante, pois sempre é bom conhecer técnicas novas diante de temas tão atuais e delicados. Dá vontade de imprimir e deixar uma cópia na cabeceira da cama! Abaixo seguem as dicas:

Comunicação

“A Comunicação é fundamental para a pessoa se fazer entender e para desenvolver sua imagem social; além disso, ela constrói nossas relações sociais”, afirmou. Fabíola disse que há quatro competências importantes para uma boa comunicação: Objetividade, Empatia, Escuta e Respeito.

A psicóloga listou dois erros comuns cometidos na Comunicação:

1. Omissão
Deixar de informar partes importantes de determinado processo. A principal recomendação dela é sempre se fazer entender; ser didático.

2. Distorção
A mensagem é alterada de acordo com a perspectiva do ouvinte. “Muitas vezes o que a pessoa ouve não foi dito, mas a sua percepção a leva a acreditar que aquilo foi declarado”. A psicóloga classificou esse sentimento como “percepção seletiva”.

Outra questão importante assinalada pela especialista é a interferência emocional na Comunicação. “Muitas vezes carregamos o orgulho, a rivalidade e a vontade de ‘ganhar’ as discussões’. É necessário analisar o seu sentimento prévio antes de iniciar uma discussão, ter autocontrole”.

As Cinco Linguagens do Amor de Gary Chapman.
Foto: reprodução
Um livro que Fabíola sugeriu para se aprofundar nesta questão é “As Cinco Linguagens do Amor”, de Gary Chapman.

Resolução de Conflitos

Seguem itens para ajudar na resolução de conflitos:
1. Seja racional e elimine suas emoções;
2. Avalie seu objetivo ao entrar uma discussão;
3. E, a meu ver, a dica mais importante: “saiba o momento de parar!”

Outro ponto interessante colocado por ela é que, para resolver um conflito, a pessoa que conversa com o interlocutor pode tentar dizer ao interlocutor como ela se sente diante do comportamento que está sendo adotado. Eu, particularmente, considerei esta dica uma das mais úteis de toda a palestra, pois não havia pensado em colocar os conflitos desta forma. Porém, faz todo o sentido.

Agora, em relação ao feedback. Seguem dicas para quem irá dar o feedback:

1. Elenque pontos positivos ao iniciar sua conversa. “Isso abre um canal de comunicação”, declarou a especialista;
2. Aponte pontos de melhoramento de forma objetiva;
3. Feche com outro ponto positivo.

Ao receber o feedback:
1. Aja com maturidade;
2. Pratique a escuta;
3. Tenha resiliência.

Ao fim, ela deixou uma mensagem importante a todos. “Vale a pena ter empatia. Eu não pratico a empatia apenas para ser exemplo, mas para mudar aquilo que é importante em mim”.

Fabíola, muito obrigada por esta lição de Comunicação e de vida. Foi incrível :-)

Ela deixou como tarefa que cada um reflita como está a sua habilidade de comunicação. E você, já pensou como está a sua comunicação hoje?

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vamos reprogramar o mundo!

Turma 2 do Reprograma. Foto: divulgação

Nessa semana iniciei o curso Reprograma, que tem como objetivo reduzir o gap da demanda/oferta no setor tecnológico brasileiro, preparando mulheres para se tornarem programadoras.

Tem sido uma experiência profundamente transformadora. Agradeço em especial às cofundadoras – Mariel Reyes Milk, Fernanda Faria e Carla de Bona – pela iniciativa e por todas as colegas de curso pelo apoio e encorajamento.

É um ambiente de apoio mútuo em que está sendo adotado, na prática, o princípio do empoderamento feminino. Aqui no blog tentarei fazer posts sobre o conteúdo do curso a fim de disseminar os vários conhecimentos que temos tido ao longo destes dias. Foi somente há uma semana que comecei e já parece que iniciei há anos os estudos.

Dados sobre mulheres no mercado de tecnologiaNo primeiro dia tivemos contato com dados alarmantes do mercado de TI. Mulheres engenheiras são apenas 17% do mercado de profissionais brasileiros. Já no programa de TI da USP, então, as mulheres representam 12% do total (ver foto).



1.USP, Tendências e Perspectivas da Engenharia no Brasil, 2012, http://engenhariadata.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Relat%C3%B3rio-EngenhariaData-2012.pdf
2.USP Data, reportado pela Camila Achutti, CTO e co-fundadora Ponte21 3.Progra{m}aria, Lei de Acesso a Informação / INEP, http://www.programaria.org/2015/11/25/rodada-hacker-programaria/

Existe um grande déficit de profissionais (140 mil apenas no Estado de São Paulo) e a média salarial anual dos que trabalham no setor atinge R$ 83 mil/ano.



Como funciona o curso

O programa abrange conhecimentos de programação front-end, técnicas de empreendedorismo e apoio empresarial, mentoria liderada por profissionais da indústria e visita às empresas, apoio psicológico e networking que inclui acesso a oportunidades profissionais.

Ao final do curso, que dura seis semanas, a estudante precisará apresentar um projeto com os conhecimentos do curso. Os três melhores projetos serão apresentados na sede do Nubank no dia da formatura.

Entre os valores defendidos nas aulas estão a igualdade, o respeito, a determinação, a sororidade, responsabilidade, empatia, trabalho em grupo e atitude proativa.

Perguntei o que representava o termo sororidade. Trata-se de uma união e aliança entre mulheres baseada na empatia e companheirismo em busca de alcançar objetivos em comum. Não conhecia este termo, mas já amei e estou tentando praticar mais e mais, todos os dias

Processo de seleção e desafios do Reprograma

Eu participei de um processo seletivo visto que as vagas são limitadas. Atualmente, o projeto está em sua segunda turma. Segundo Carla de Bona, uma das idealizadoras, o desafio é, em primeiro lugar, compreender qual o impacto do curso; segundo, como torná-lo sustentável e, em terceiro lugar, como fazer dele um projeto replicável. Mais informações sobre o processo seletivo podem ser obtidas na página oficial do Reprograma. 

Poder da paixão e da perseverança

Termino este post com o vídeo do TED em que Angela Lee Duckworth fala sobre o poder da paixão e da perseverança. Ela afirma o seguinte:


“Cheguei à conclusão de que o que nós precisamos em educação é um melhor entendimento sobre aprendizagem a partir de uma perspectiva psicológica (...) Em vários contextos diferentes, uma característica emergiu como um indicador significativo de sucesso. E não era a aparência, a saúde física ou mesmo o QI. Era o ‘grit’”.

O termo acima, que no sentido literal significa "grão de areia", em psicologia representa um traço de personalidade que combina a paixão por objetivos de longo prazo a uma motivação poderosa para atingir seus objetivos.



Ou seja, este curso ensina muito a ter “grit” :-)


Tem como não amar? #reprograma

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Doria, da elite, atraiu votos na periferia. Como explicar?

Rovena Rosa/Agência Brasil
O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), obteve a maioria em praticamente todas as zonas eleitorais paulistanas. Apesar de seu perfil elitizado, ele conseguiu atrair eleitores na periferia. Como explicar este fenômeno?

Uma notícia da Folha de S.Paulo coloca muito bem a situação: “[Doria] personaliza o protesto do eleitor no centro das manifestações pró-impeachment. Com alta renda e escolaridade, empresário e ‘antipolítico’, Doria capitalizou os reflexos das crises nacionais sobre os valores locais, utilizando aquele mais caro ao paulistano – o trabalho”.

Traduzindo: a economia diminuiu de ritmo nesse ano. Muitas pessoas perderam renda e/ou perderam seus trabalhos. Elas acreditaram, de maneira muito pragmática, que Doria é a pessoa mais indicada para fazer com que o crescimento seja retomado. O slogan dele “acelera São Paulo” é muito revelador dessa intenção.

Vou compartilhar aqui uma experiência pessoal. Lembro de quando entrei na Universidade de São Paulo. Vinda de família humilde, aos 17 anos, ouvi, em uma palestra, dizerem que o importante era estudar e permanecer o máximo possível na universidade. No meio da palestra perguntei: “e como eu faço para pagar a minha passagem de ônibus?”.

O Doria soube dialogar com este tipo de demanda, de anseio. Cito um belo artigo que o jornalista Guilherme Weffort publicou no seu Facebook: “O João trabalhador deu segurança, olhou no olho, se mostrou disposto a acelerar a cidade. Por mais que nós, mega-esclarecidos universitários saibamos a carga de cinismo desse discurso, foi isso que atraiu as periferias. Por mais distante que o João milionário esteja do João trabalhador (o da propaganda e os milhões de Joãos por aí), o pobre escolheu o cara”.

O preconceito contra o voto do pobre

Sobre este ponto gostaria de fazer uma reflexão. Existe um mega preconceito, inclusive da esquerda, em relação ao voto do pobre. Eu ouvi uma vez, e nunca vou esquecer, a seguinte frase: “a massa é amorfa”.

Portanto eu coloco o seguinte: por mais que haja problemas no discurso do Doria ele se conectou com os desejos das periferias. E isso é importante. Porém, infelizmente, temos que lembrar que em geral a voz da periferia é ouvida somente em época de eleição.

A discussão realmente importante

Eu tenho divergências com o projeto político do Doria. Sou contra, por exemplo, a revogação do limite de velocidade, inclusive nas marginais. Também não apóio a remoção de ciclovias. E aí é que está o ponto.

Infelizmente, o debate político ainda é pouco pautado por este tipo de discussão. O cashmere do Doria ainda aparece mais do que suas propostas.

Existe um desconhecimento enorme em relação às atribuições de cada ente público e sobre como a população pode (e deve) representar um papel ativo na definição das políticas públicas.

Irei recorrer novamente à experiência pessoal (voltando ao caso da universidade). Eu entendi, somente após muitos anos, que seria possível pleitear um apoio estudantil ou outro tipo de ação governamental que ajudasse a bancar a minha permanência na universidade, por exemplo. Que eu poderia me dedicar aos estudos. Que eu poderia mais.

Nesse momento eu lembro da frase do Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Foi apenas depois de adquirir bastante conhecimento que saí dessa dicotomia.

O que o voto dos pobres em Doria nos ensina

Rovena Rosa/Agência Brasil
O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), obteve a maioria em praticamente todas as zonas eleitorais paulistanas. Apesar de seu perfil elitizado, ele conseguiu atrair eleitores na periferia. Como isso ocorreu?

Uma notícia da Folha de S.Paulo coloca muito bem a situação: “[Doria] personaliza o protesto do eleitor no centro das manifestações pró-impeachment. Com alta renda e escolaridade, empresário e ‘antipolítico’, Doria capitalizou os reflexos das crises nacionais sobre os valores locais, utilizando aquele mais caro ao paulistano – o trabalho”.

Traduzindo: a economia diminuiu de ritmo nesse ano. Muitas pessoas perderam renda e/ou perderam seus trabalhos. Elas acreditaram, de maneira muito pragmática, que Doria é a pessoa mais indicada para fazer com que o crescimento seja retomado. O slogan dele “acelera São Paulo” é muito revelador dessa intenção.

Vou compartilhar aqui uma experiência pessoal. Lembro de quando entrei na Universidade de São Paulo. Vinda de família humilde, aos 17 anos, ouvi, em uma palestra, dizerem que o importante era estudar e permanecer o máximo possível na universidade. No meio da palestra perguntei: “e como eu faço para pagar a minha passagem de ônibus?”.

O Doria soube dialogar com este tipo de demanda, de anseio. Cito um belo artigo que o jornalista Guilherme Weffort publicou no seu Facebook: “O João trabalhador deu segurança, olhou no olho, se mostrou disposto a acelerar a cidade. Por mais que nós, mega-esclarecidos universitários saibamos a carga de cinismo desse discurso, foi isso que atraiu as periferias. Por mais distante que o João milionário esteja do João trabalhador (o da propaganda e os milhões de Joãos por aí), o pobre escolheu o cara”.

O preconceito contra o voto do pobre

Sobre este ponto gostaria de fazer uma reflexão. Existe um mega preconceito, inclusive da esquerda, em relação ao voto do pobre. Eu ouvi uma vez, e nunca vou esquecer, a seguinte frase: “a massa é amorfa”.

Portanto eu coloco o seguinte: por mais que haja problemas no discurso do Doria ele se conectou com os desejos das periferias. E isso é importante. Porém, infelizmente, temos que lembrar que em geral a voz da periferia é ouvida somente em época de eleição.

A discussão realmente importante

Eu tenho divergências com o projeto político do Doria. Sou contra, por exemplo, a revogação do limite de velocidade, inclusive nas marginais. Também não apóio a remoção de ciclovias. E aí é que está o ponto.

Infelizmente, o debate político ainda é pouco pautado por este tipo de discussão. O cashmere do Doria ainda aparece mais do que suas propostas.

Existe um desconhecimento enorme em relação às atribuições de cada ente público e sobre como a população pode (e deve) representar um papel ativo na definição das políticas públicas.

Irei recorrer novamente à experiência pessoal (voltando ao caso da universidade). Eu entendi, somente após muitos anos, que seria possível pleitear um apoio estudantil ou outro tipo de ação governamental que ajudasse a bancar a minha permanência na universidade, por exemplo. Que eu poderia me dedicar aos estudos. Que eu poderia mais.

Nesse momento eu lembro da frase do Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Foi apenas depois de adquirir bastante conhecimento que saí dessa dicotomia.