Há apenas alguns anos, pareceria um sonho. Como saber os resultados da rodada no futebol com apenas um comando de voz? Basta perguntar ao Google. Como comprar um produto ou serviço? Por meio das SmarTVs, por exemplo. Os assistentes pessoais estão se popularizando cada vez mais por sua praticidade.
No entanto, de que forma estes dispositivos nos afetam? Como eles funcionam? Alguns casos recentes, ocorridos nos EUA, dão pistas dos seus efeitos para a publicidade.
Em um comercial da rede de lanchonetes Burger King, um atendente pergunta ao Google o que é o hambúrguer “Whopper”. Em resposta, o Google Home, assistente pessoal, ou algum smartphone Android era ativado e respondia com a lista de ingredientes do lanche extraída da Wikipedia.
Após a repercussão, o Google encontrou uma maneira de impedir o comercial de ativar o dispositivo. “A empresa não respondeu às perguntas sobre se e como havia agido para isso, mas parece claro que não ficou nada satisfeita com o sequestro temporário do seu sistema”, segundo reportagem de Tim Bradshaw, do Financial Times, traduzida pela Folha de S.Paulo.
Outro episódio recente é o da assistente pessoal da Amazon, a Alexa, que obedeceu de forma inesperada a um comando de voz nos Estados Unidos. Tudo começou quando uma menina de seis anos encomendou uma casa de bonecas sem a autorização dos pais, usando o Amazon Echo.
O âncora de uma TV local, ao comentar a compra, afirmou: “foi a Alexa que pediu a casa de bonecas”. Isso teria sido suficiente para que aparelhos tentassem adquirir casas de bonecas ao ouvir a frase, embora não fique claro se alguma destas transações foi efetivamente concluída.
“Os dois exemplos de spam com ajuda de inteligência artificial mostram que sabemos pouco sobre assistentes pessoais como o Assistant, do Google, e a Alexa, da Amazon, e não há como determinar de que forma nos afetarão agora que começam a ser adotados em maior escala”, diz Bradshaw.
Estas experiências me lembram a frase dita por Roy Amara, ex-presidente do Instituto do Futuro: “Nós tendemos a superestimar o impacto das tecnologias no curto prazo e a subestimar seus efeitos no longo prazo”.
E um artigo escrito pelo vice-presidente do Facebook Alexandre Hohagen, em 2011, a respeito das mudanças tecnológicas permanece atual: “Se não sabemos qual será o legado delas [as mudanças tecnológicas], é certo que ele existirá. Não há mais margem de erro para subestimar as transformações que o mundo digital está nos trazendo”.