Vejo muitos comentários sobre o quanto os atletas podem inspirar a vida de muita gente, mas pouco tem se falado sobre o torcedor de forma positiva.
Houve problemas? Sim, não irei negar. Teve barulho em momentos indevidos e o fato de que, muitas vezes, o torcedor foi somente para os jogos do Brasil quando poderia também prestigiar outras modalidades nos casos em que havia vários jogos seguidos.
Mesmo assim a gente tem que tirar o chapéu. O povo brasileiro animou as arenas como ninguém mais faria apesar de ter poucas e caras opções de alimentação, calor e filas, muitas filas. Foi incrível. Vou citar algumas situações que eu mesma vivenciei neste final de semana:
A batalha de Deodoro
Todo torcedor que conseguiu assistir a uma sessão de jogos no Complexo de Deodoro no último sábado e terminar inteiro já merecia uma medalha. Quem pegou o trem teve que andar cerca de cinco quilômetros até chegar ao lugar das arenas sob um sol escaldante. Ao chegar ainda era necessário pegar a fila da revista, passar pelo detector de metais e percorrer outro trecho a pé até chegar na arena. A água era R$ 8. Outra opção era a água dos bebedouros, em alguns casos quente.
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| Franceses a caminho de Deodoro. Tatiane Conceição Vergueiro/arquivo pessoal |
Repare nestes franceses fazendo o percurso com galo, símbolo do país, na cabeça. Eles foram simpáticos com todo mundo e ainda tiveram pique pra dar uma corridinha, já que a França era o primeiro país a jogar naquele dia.
Alguns brasileiros se misturaram aos canadenses e ganharam até a bandeira da folha de bordo. Já os australianos levaram um canguru gigante para a arquibancada. Sem deixar, claro, de falar da torcida brasileira. O povo apoiou e aplaudiu as Tupis, que acabaram derrotadas para a Grã-Bretanha (aliás, elas fizeram uma campanha histórica).
A festa do Engenhão
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| Eu (terceira mulher da esquerda pra direita) na torcida meio brasileira meio chinesa. Tatiane Conceição Vergueiro/arquivo pessoal |
Outro lance imperdível foi a galera cantando animada “trem das Onze” e “Marta é melhor que Neymar” enquanto ficava parado aguardando em mais uma fila quilométrica para pegar o trem de volta para casa. É como eu digo, o melhor do Brasil é mesmo o brasileiro.
Touché na Arena Carioca
Domingo foi dia de conhecer a Arena Carioca, no Parque Olímpico da Barra, e torcer pela esgrima. Assisti às semifinais e às disputas de ouro e bronze no florete masculino. Na disputa do bronze entre Richard Kruse, da Grã-Bretanha, e Timur Safin, da Rússia, o britânico, que estava perdendo, começou a se recuperar com o apoio da torcida que cantava “vamos virar Kruse”, tal como em um estádio de futebol. Mas não deu, o russo conseguiu o ponto final após breve intervalo. Em uma atitude muitíssimo desportiva, ao final do confronto, Safin cumprimentou toda a torcida.
A disputa do ouro entre Daniele Garozzo, da Itália, e Massialas Alexander, dos EUA, empolgou. Os brasileiros, presentes em bom número, empurraram o italiano, que venceu por 15-11. No último ponto ele ficou tão empolgado que saiu correndo antes mesmo da confirmação final da vitória dos juízes (o vídeo é bem curto mas dá para ter uma ideia).
Era visível também a emoção do norte-americano, que foi quase às lágrimas no momento do pódio. Foi outro momento de torcida vibrante, festiva. Que todos se inspirem nestes exemplos positivos.
Apoio às manifestações políticas
Ao final deste artigo gostaria de registrar meu apoio ao livre direito à liberdade de expressão e às manifestações políticas, na Olimpíada, que entram na classificação pacífica e amigável (para mim levar um cartaz, por exemplo, entra nessa categoria). Para mim isso tem tudo a ver com o espírito da festa. Há um artigo muito bom do Nexo, aliás, sobre este tema.


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