sexta-feira, 24 de julho de 2009

R7 promove mexida nas redações online

O novo portal da Record, o R7, vem provocando uma boa mexida nas redações online. Eles vem tirando profissionais do Estadao, do G1, da Folha Online...e ainda nem estrearam! A onda ainda não chegou aqui ao Diário OnLine mas, de qualquer forma, é um movimento pela valorização dos jornalistas de internet.

Não acho que seja coincidência, por exemplo, que a Folha abra, ao mesmo tempo, cinco concursos para contratar jornalistas. Veja aqui.

Posso estar errada, mas acredito que estamos na segunda onda grande onda de contratações na internet. A primeira foi quando, já faz alguns anos, os portais tiraram dos veículos impressos profissionais para suas redações online.

Naquela época, a disputa se dava entre mídias criadas pela internet como o IG, o UOL. Agora, grupos com atuação fora da internet como a Globo, com o G1, mais a Record (dizem que a Band está reformulando seu portal também) buscam seu espaço ao sol (ou menor, seu espaço na rede).

Será que isso vai significar mais informações diferentes na internet, ou será que por outro lado o conteúdo será ainda mais massificado entre os chamados "grandes portais"? A conferir.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Como deve ser o veículo de comunicação ideal - Parte II

Continuo às voltas com a pergunta: como deve ser o veículo de comunicação ideal na internet? Tenho pensado em alguns itens, mas sem muita certeza se não está faltando alguma coisa. Segue abaixo o que eu consegui elaborar:

- Deve ser o mais independente possível, o que, na internet, significa fugir dos esquemas de publicidade fácil, dos apoios a esta ou a aquela organização (em política, isso não falta...até a UNE tem patrocínio!)

- Deve respeitar as opiniões alheias sem, com isso, promover a anarquia. O que isso quer dizer? Existe o conflito entre o direito à informação e o direito à honra e à privacidade. O veículo ideal, na minha opinião, precisa achar um meio-termo entre estes dois conceitos.

- Deve investir em reportagem na internet - ei, gente, isso não quer dizer o famoso "gilete-press", ou o copia-e-cola dos materiais dos demais veículos, e sim fazer reportagens diferentes, que utilizem as ferramentas da rede, que saibam inovar, apresentar um ponto de vista diferente dos fatos. Cito abaixo dois exemplos:

Hoje existe uma série de informações públicas na rede - o portal De Olho nas Contas, da Prefeitura de SP, é um exemplo - mas quantas reportagens vemos que utilizam esse material? Menos, muito menos do que o recomendável, muito também por falta de preparo dos jornalistas, e aí eu me incluo, pois admito ficar às vezes perdida no meio de tantos números, muitos deles colocados propositalmente de forma confusa. Afinal, transparência não é sinônimo de clareza.

Outro exemplo: alguns portais têm feito experiências super interessantes em termos de reportagens especiais, com infográficos, vídeo, texto, tudo mais integrado. Porque não vemos mais isso nas reportagens de internet?

Enfim, essas são as coisas que tenho elaborado aqui, mas se alguém tiver mais ideias, agradeço.

Por fim, apenas um comentário: Gay Talese, um dos jornalistas mais interessantes, talvez, do século - Fama e Anonimato influenciou muito na minha formação - deu, na minha opinião, uma "bola fora", quando disse desconhecer o Google. Perde a oportunidade de ter acesso a uma nova ferramenta de reportagem. Vamos aprender com o novo, né gente! Nunca é tarde...

domingo, 19 de julho de 2009

Como deve ser o veículo de comunicação ideal da internet?

Um professor meu da pós propôs aos alunos, como trabalho final da disciplina, uma reflexão sobre como seria o veículo ideal de comunicação. Resolvi utilizar como objeto da minha pesquisa a internet, ficando assim: qual o veículo ideal de comunicação na internet?

Para ajudar na pesquisa, resolvi comprar um livro que recomendo, de Pierre Bourdieu, chamado "Os donos da rede: as tramas políticas da internet".

Esse livro fala de algo que nem sempre a gente repara: apesar da aparência totalmente anárquica e democrática, a internet tem donos, sim. Vou colocar aqui um trecho da orelha do livro:

"Quem manda na internet? A questão, secundária há algum tempo, assume hoje uma nova dimensão. Inicialmente concebida como uma rede de comunicação para uso militar, depois utilizada pelos cientistas, a Internet abriu-se para o grande público, suscitando conflitos de interesse entre atores sempre mais poderosos."

Os "grandes" já entraram, e hoje estão presentes no mercado jornalístico da internet, afinal, quem não dá uma passadinha nos grandes portais brasileiros pra ver como está o dia? G1, UOL, Terra, Estadão, até o Diário OnLine estão na briga por uma crescente audiência. O nosso acesso à rede também é controlado: grandes empresas como Speedy, Net, determinam como será a nossa experiência na rede, não formada hoje somente por nerds, mas intensamente povoada pelos chamados usuários comuns (entre os quais eu me incluo, afinal, o som do meu computador está sem funcionar por um motivo que eu não sei consertar).

Vale adicionar a esse cenário a realidade brasileira. A nossa tradição como uma cultura de privilégios, do "olha quem está falando", de uma certa forma colide com um aspecto da internet, que é o de ser uma rede concebida como um intercâmbio entre iguais. Como diz o livro, a igualdade da internet em seu início já era relativa: tratava-se de uma troca entre cientistas que possuíam uma mesma visão de vida. No entanto, mesmo assim, a rede nasceu sob uma concepção pública, descentralizada e colaborativa.

Nesse cenário, como imaginar um veículo de comunicação ideal no ambiente brasileiro?

Que soubesse respeitar as diferentes opiniões surgidas na internet sem se tornar autoritário, por um lado, ou palco de anarquia e desrespeito, de outro?

Que vivesse de forma independente em um cenário de cada vez mais concentração na distribuição e comercialização de conteúdo?

Que avançasse sobre as deficiências crônicas da nossa cultura brasileira, entre elas a cultura de privilégios, já citada, o analfabetismo que ainda persiste no Brasil (só Deus sabe quantos comentários o site onde recebo trabalha, que de tão mal escritos nem parecem português), enfim, que conseguisse de fato uma atuação forte, impactante na nossa cultura e ao mesmo tempo respeitasse as nossas características? Afinal, nem tudo no Brasil é ruim. Vale ver, por exemplo, o crescimento estrondoso das nossas redes sociais na web.

Enfim, voltando ao início: qual seria o veículo de comunicação ideal na internet?

Sinceramente, não sei, mas às vezes mais importante do que conseguir uma resposta é buscar os caminhos, as alternativas, para que essa resposta se faça possível. É isso que vou tentar fazer.

Alguma sugestão para essa tarefa, difícil mas interessante?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Hoje é Dia da Pizza!

Eu já imaginava que hoje, na política, seria o Dia da Pizza quando o 'deputado do castelo', o nosso Edmar Moreira, ficou livrinho, livrinho de punição no Conselho de Ética. Foram votados três relatórios: o primeiro, que pedia a cassação (muito malvado, pensaram os parlamentares); outro, mais brando, pedia só a suspensão (não sei o que pensaram os parlamentares) e por fim este, que pede o arquivamento do processo (aí, eu sei o que eles pensaram: deu pizza!).

Aí foi eleito o senador Paulo Duque, amigão do Renan Calheiros, para presidente do Conselho de Ética, que irá investigar as denúncias contra Sarney e contra quem? O próprio Renan. É quase como a raposa cuidando do galinheiro. Mais pizza.

Por fim, o toque final, a cereja, ou melhor, a azeitona do prato: o nosso 'digníssimo' presidente Lula chamando os senadores de 'bons pizzaiolos'. Se o próprio presidente não respeita o Congresso Nacional com uma fala ofensiva e infeliz como essa, como será que a população irá se comportar?

Apenas para terminar: o dia da pizza (não essa, aquela com catupiry, marguerita, etc....) foi comemorado no dia 10 de julho.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Collor e Lula, a imagem de hoje

Acho que se me contassem, há alguns anos, que Lula e Collor estariam juntos em um palanque eu diria: você está louco! Eles eram tão diferentes quando disputavam a presidência...e agora, estão aí, amigões, afinal, tudo em nome da tal da "governabilidade". A imagem é um símbolo: os dois estão próximos, trocando os maiores afagos.

Enquanto isso, outro "amigão", o Sarney, está mais agarrado ao cargo do que nunca. Sai denúncia, entra denúncia, só ele que não sai do posto. Mas o colega Marcelo Soares, a quem admiro muito, comentou comigo no Twitter: será que aconteceriam essas investigações no Senado se Sarney tivesse saído no poder? Ou seja, se o #forasarney tivesse surtido efeito completo teriam sido anulados os atos secretos?

Só sei que continuo com a minha tese: não importa qual sua posição política, honra e honestidade são coisas acima de qualquer "governabilidade". Se você defende que alguém é ladrão, não me venha depois fazer acordo, daqui a 10 ou 20 anos, em troca do poder.

Isso é simplesmente vergonhoso, é o que dá argumento para os que dizem que "nenhum político presta". O pior é que acredito que há honestos, porém eles ficam muitas vezes calados diante disso tudo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Os atos secretos e o 'dilema de Tostines'

Em primeiro lugar, gostaria de abrir uma garrafa de champanhe pela medida anunciada pelo presidente do Senado, José Sarney, de anular todos os atos secretos. Não é todo dia que a torneira que insiste em desperdiçar dinheiro público é fechada, nem que seja um pouquinho.

O 'dilema de Tostines' mencionado no início é o seguinte: será que o Sarney só tomou a decisão porque não saiu do Senado ou será que se ele saísse do Senado a decisão sairia de qualquer jeito? Difícil saber. Mas o mais importante mesmo é comemorar, não importa a questão política, como disse antes.

Antes de comemorar o fim dos atos secretos com um festão ainda há algumas perguntas a serem respondidas. As pessoas nomeadas via ato secreto OK, serão demitidas, até aí eu consegui entender. Mas será MESMO que elas irão devolver o dinheiro ganho durante esse período? Será???

E quem foi demitido, vai receber o dinheiro de volta???

São 14 anos de atos secretos, imaginem o quanto de grana dá isso aí...

Estou com medo de que essa conta possa sobrar pra todos nós...aguardem os próximos capítulos.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

E o do castelo...se livrou bonito

Havia visto hoje a notícia mais revoltante do dia: a de que o deputado Edmar Moreira, o tal do castelo, teve o segundo parecer rejeitado pelo Conselho de Ética. O primeiro, que previa a cassação, não foi aprovado pois seria 'duro demais'; mesmo este, que pedia a suspensão, não foi aceito.

Do que precisamos então: estender um tapete para o senhor deputado continuar rindo na cara da gente?

Fiquei impressionada é com as imagens envolvendo o dito-cujo. Ele aparecia na reunião com aquela cara fechada, de alguém contrariado, afinal, ele vivia feliz nos subterrâneos do baixo-clero e foi tragado para o meio do furacão da raiva pública. Mas ele encontrou o apoio do nosso querido colega Sérgio 'se lixando' Moraes, que tentou consolá-lo:

"Saia assim, tranquilo como eu...garanto nas eleições o meu retorno a esta Casa".

Ou seja, ele está mais do que tranquilo de que o povo irá esquecer esses deslizes.

Por que é que eu fico cada vez menos tranquila com essas roubalheiras estapafúrdias no Congresso?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sem essa de que a crise no Senado é eleitoral: a crise é em 1º lugar de falta de vergonha na cara

Tenho visto alguns analistas, vários deles sérios, como o admirável repórter Ricardo Kotsho, analisando a crise no Senado como uma disputa eleitoral entre governo e oposição já levando-se em conta as próximas eleições para presidente.

Com todo o respeito, acho que precisamos, na verdade, analisar essa questão da crise do Senado não pelo lado da disputa eleitoral mas sim pelo lado da crise ética.

Trata-se uma crise de falta de vergonha na cara dos nossos políticos.

Eu, sinceramente, não quero saber se o estopim para essas denúncias foi o fato de que governo e oposição brigam pelo PMDB para ver quem controla a "noiva cobiçada" da eleições de 2010.

Quero de verdade aproveitar essa oportunidade para pôr fim a essas denúncias que envergonham o Senado. Quero que os responsáveis sejam punidos, afastados, se possível, banidos da vida pública.

Acho que às vezes a gente fica discutindo a questão partidária e esquece que está aí uma grande oportunidade de transformar para melhor o Parlamento brasileiro.

Enfim, para mim, mais importante do que o pano de fundo é o que está aqui, na nossa frente, pra todo mundo ver: o Congresso coalhado de parentes, atos secretos, mansões e castelos inexplicáveis.

Na minha opinião, o brasileiro se acostumou com a corrupção dos políticos, acha que todo mundo mete a mão e que esse é um "mal menor". Acho que essa é a opinião inclusive do nosso presidente Lula, que prefere manter um sujeito enrolado como o Sarney em nome da chamada "governabilidade".

Ora mim, a moralidade é que tem que ser a prioridade máxima. Que sejam demitidos todos, doa a quem doer, caso sejam perdidas alianças, ao menos sobra a vergonha na cara.

Essa, aliás, é a que anda mais perdida no atual Senado.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A crise do Senado transformada em fla-flu eleitoral

Infelizmente, a enorme crise instalada no Senado Federal está se transformando, em parte por obra e graça do presidente Lula, em uma disputa, um verdadeiro fla-flu eleitoral.

Ontem, ele disse que a oposição quer ganhar o Senado "no tapetão". Ele está preocupado em manter a todo o custo Sarney, pois o vice-presidente da Casa é seu adversário político.

Por isso, também hoje, o senador Mercadante atribuiu ao DEM a responsabilidade pela crise.

Gente, a responsabilidade pela crise não é partidária, é de todos.

Pra mim é fundamental que se aproveite essa oportunidade para adotar medidas que moralizem o Senado de verdade, mas infelizmente o pessoal quer mais é ficar transformando isso em briga, ainda mais agora que as eleições de 2010 estão próximas.

Pessoalmente prefiro que o Sarney se retire. Muitos no Maranhão, estado mais pobre do Brasil, com certeza concordam comigo. Até porque, para que ocorram reformas sérias, seria fundamental o afastamento de uma pessoa tão envolvida em denúncias.

Mas de qualquer forma, com Sarney ou sem Sarney, o mais importante é manter o foco nas denúncias, na corrupção no Senado. Não quero saber de briguinhas entre partidos, o foco tem que ser a administração pública.

No entanto, infelizmente, poucos querem reformar a casa mais cheia de privilégios do Brasil. Vi hoje um fato triste: que os benefícios dos senadores equivalem a 83 vezes o PIB do Brasil, segundo a Transparência Brasil.

Isso mesmo: 83 brasileiros como eu e você produzem riqueza para nossas excelências gastarem com salário, assessores, verbas de gabinete e outras mordomias.

É triste demais. Não tenho mais palavras pra descrever essa crise no Senado.