sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O que está mudando?


Desculpem, faz muito tempo que não escrevo neste espaço. Reproduzo aqui o último dos meus posts publicados no blog Impressão, da minha turma de Jornalismo Online na pós que faço na PUC-SP.

Fiquei pensando um bom tempo na questão do último exercício da turma. O que está mudando? Como o jornalismo vem sendo abalado pelas mudanças trazidas pelas novas tecnologias? Para tentar responder a esta pergunta, lembrei-me de 2000, ano em que iniciei meu curso de Jornalismo.

Não havia redes sociais; os sites jornalísticos brasileiros existiam, mas não com a mesma relevância dos dias de hoje; os blogs e twitters também ajudaram a moldar a força da época atual, na qual as relações humanas são mediadas por tecnologias e comunicações digitais.

Aliás, vale abordar o conceito de redes sociais, elaborado por Danah Boyd e Nicole Ellison: são serviços baseados na web, que permitem que indivíduos: 1) construam um perfil público ou semi-público com um sistema delimitado; 2) articulem uma lista de usuários, com quem eles compartilham uma conexão e 3) vejam e cruzem suas conexões e as conexões feitas por outras pessoas, por meio do sistema.

Neste cenário, a chamada “mídia tradicional” enfrenta dificuldades para se adaptar. Ela não dispõe do “monopólio da informação”, e agora precisa articular seu saber com outros produtores de conteúdo, entre eles os próprios usuários.

Um integrante da mídia tradicional, Ricardo Mendonça, repórter especial da Revista Época, fez, durante palestra, uma definição deste mal-estar: hoje existe uma “insegurança informativa”, na qual um jornal não fornece mais todo o conjunto de informações necessário para uma pessoa tomar decisões.

Existe ainda o dilema da viabilidade econômica dos veículos, já abordado neste blog, quando foi tratada, por exemplo, a polêmica entre buscadores e criadores de conteúdo (leia-se aqui, por exemplo, Rupert Murdoch x Google News).

Por fim, existe outra questão importantíssima, que também esteve aqui no Impressão, sobre a importância de se defender o acesso à comunicação digital como um direito fundamental do cidadão, algo pelo qual vem lutando, por exemplo, os membros do Fórum para a Cultura Digital.

Como diz José Murilo Carvalho Jr em artigo: “Abrir os processos de construção de políticas públicas na rede, facilitando a colaboração dos interessados, é uma iniciativa quase óbvia neste início de século. Promover a inovação distribuída em questões de governança pode qualificar a democracia, transformar a sociedade”.

Voltando para o início do post. Não sou a pessoa com a maior facilidade do mundo em utilizar os novos conteúdos tecnológicos (por exemplo, “apanhei” para buscar a foto que ilustra este post), mas, se estivesse parada no Jornalismo aprendido há dez anos, talvez não estivesse no mercado atualmente.

Acho que todos nós estamos “tateando” em busca de uma resposta que nos diga qual é o Jornalismo dos dias de hoje. Não acredito que o conteúdo digital irá substituir o papel – assim como a TV não substituiu o rádio – mas algumas habilidades são necessárias: testar, articular, compartilhar, cruzar informações, arriscar, deixar a arrogância de lado e se colocar como parte de uma comunidade. Talvez seja esta parte da resposta para a pergunta do título desta mensagem.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A história da “garota do lixo”

Comecei com um título bem impactante, pra gerar audiência (rsrsrs). Bem, reproduzo aqui mais um post feito para o Blog Impressão, da minha turma de pós em jornalismo online. Este, eu gostei bastante de fazer. Fala sobre alternativas para financiamento de reportagens no mundo online.

Atualmente, uma das grandes questões que envolvem a internet diz respeito à viabilidade econômica dos veículos. Muito se discute, mas pouco consenso existe quanto a qual modelo seria mais viável, se é interessante manter “aberto” ou “fechado” o conteúdo dos portais de informação na rede mundial de computadores.

Para ir além desta polêmica, gostaria de contar a história da jornalista norte-americana Lindsay Hoshaw – que se auto-apelidou de Garbage Girl, ou “a garota do lixo” - e de como ela se tornou um exemplo das alternativas que surgem para o financiamento de reportagens.

Ela é uma repórter freelancer, da região da Califórnia, especializada em Meio-Ambiente. Ela queria fazer uma reportagem sobre uma larga faixa de lixo que cobre parte do Oceano Pacífico. O The New York Times interessou-se pela história, porém não se dispôs a cobrir os custos da reportagem.

A fim de obter os US$ 10 mil necessários para realizar a viagem de barco que a levaria à “massa de lixo flutuante”, ela procurou o site Spot.us, uma organização que ajuda repórteres a obter doações para seus projetos. Veja o vídeo em que ela explica sua empreitada:




A questão gerou polêmica: para alguns, a história soava como exploração. O The New York Times “forçando uma repórter a implorar com uma caneca virtual”. Hoshaw não pensava assim: para ela, era uma oportunidade que não poderia deixar passar. Para o Spot.us, era uma forma de o público financiar o jornalismo desejado. Já o The Times, em artigo, disse que era “um passo em direção a um mundo inimaginável poucos anos atrás”.

Hoshaw obteve o financiamento, fez a viagem - usando um blog e um álbum do flickr para mostrar todos os ângulos da matéria – e, por fim, saiu a reportagem no Times (que muitos acharam incompleta, por não expor o lado humano da viagem, como no blog).

A própria jornalista, em seu blog, fala sobre a experiência: “as pessoas querem se sentir conectadas às histórias que elas estão lendo e às pessoas que as escrevem. As pessoas querem contribuir, querem ser parte do processo”.

Ou seja, neste modelo, mais colaborativo, as pessoas se sentiram mais parte da história, afinal elas contribuíram financeiramente, acompanharam o dia-a-dia de Lindsay, comentaram, enfim, estiveram próximas.

Longe de considerar este “financiamento colaborativo” de reportagem o futuro único da internet, é importante observar os modelos novos que estão surgindo, afinal, se o sisudo The New York Times abriu-se a esta alternativa, é sinal de que a história de Lindsay é parte do futuro do jornalismo.

Quem quiser saber mais sobre este caso:

- Blogueiro Maurício Stycer, do IG: “NY Times” aceita financiamento externo para reportagens

- Artigo do site Mashable: Lixo ou tesouro? The New York Times tenta “Crowdfunding” (algo como financiamento coletivo) – em inglês
- Jeff Jarvis, do Huffington Post: Caridade ou colaboração para o The Times? – em inglês
- Perfil da Lindsay Hoshaw no Twitter: “The Garbage Girl” (a garota do lixo – em inglês)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pela ONG Politicus

Acho que tem casos em que a gente não pode ser “só” jornalista, apenas noticiar uma situação. Há situações em que a gente acaba se envolvendo mesmo.

Me sensibilizei muito com a história da ONG Politicus. São dois irmãos que, sozinhos, mantêm um serviço de envio de mensagens a parlamentares. Eles correm o risco de fechar, por falta de apoio intelectual e financeiro. O projeto deles é algo bacana, mas que muita gente não valoriza, pensa: ah, mas nenhum político presta mesmo, para que eu vou me preocupar?

E quando a entidade vai buscar apoio, os irmãos contam, é muito mais fácil obter ajuda pra peixinhos, criancinhas, mas quando se trata de políticos todo mundo recua.

Não é que eu queira trocar uma coisa pela outra, ao contrário. Sou super a favor da causa dos animais, das crianças, dos idosos e tudo mais. Só acredito que a gente também precisa dar espaço nas nossas vidas para a coletividade, para as decisões políticas que afetam a nós tomos.

Afinal, se todos roubam, será que eles não roubariam menos se você fizesse a sua parte e se mobilizasse?

Fiz uma reportagem pro site do Diário do Grande ABC, sobre o Politicus, e achei que a história poderia ter mais alcance. Pensando nisso, lancei o assunto na lista de e-mails dos jornalistas da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), como quem não quer nada.

E não é que o assunto acabou interessando o pessoal do meu ex-emprego, da CBN? Espero que esta história vá adiante.

Uso ainda este espaço para espalhar a história mais ainda, quem sabe alguém que esteja aí perdido nesta blogosfera não se sensibilize e pense um pouco na ONG Politicus, e decida fazer algo. É assim que vamos vivendo: cada um faz um pouco e seguimos adiante.

Sobre o Twitter do Noblat

Desculpem o sumiço do blog, ando estudando muito. Quando posso, coloco alguma coisa no Twitter, que aí é mais rápido.

Segue abaixo mais um post da minha aula de pós em jornalismo online:

Política e novela? Só no Twitter do Ricardo Noblat

Normalmente política é coisa de homens sérios, sisudos, enquanto novela é assunto de “mulherzinha”. Mas o colunista Ricardo Noblat, de O Globo, (autor também do Blog do Noblat) consegue unir em seu perfil no Twitter estes dois assuntos tão distantes de uma forma interessante e bem-humorada.

Durante o dia, o jornalista se dedica a divulgar notícias quentes (algumas em primeira mão), sobre os bastidores da política. Como no caso da estreia do filme Lula, Filho do Brasil, que abriu no último dia 17 o Festival de Brasília.

Um dos privilegiados que teve acesso aos convites, Noblat “tuitou” diretamente da sala de exibição, dando o clima dos preparativos: “Luiz Carlos Barreto, o produtor do filme, acaba de fazer um auê danado. Está preocupado com a superlotação. Não há mais lugar nem no chão”, declarou.

“Começou o filme. Já tem gente fungando ao meu lado. Fungando no bom sentido”, completou, minutos depois.

Isso durante o dia. À noite, Noblat se dedica a comentar as novelas via Twitter, ou melhor, ele sempre fala de uma novela, a das oito da Rede Globo. Primeiro, o alvo era “Caminho das Índias”; agora, ele está ligadíssimo em “Viver a Vida”.

“Foi só saber que será pai que Marcos já começou a afinar com Helena. Filho faz milagres”, disse ele, na quinta-feira. Minutos depois, se corrigiu: “Puxa, errei feio. Marcos não afinou com Helena. Acaba de dizer que o filho deles está vindo na hora errada”.

O trabalho de Ricardo Noblat no Twitter (hoje, ele já soma mais de 21 mil seguidores) é muito interessante, porque soma notícias exclusivas sobre um tema que costuma ser pesado, a política, a um momento de descontração no final do dia, quando ele se dispõe a falar de Viver a Vida.

Acho que o perfil dele agrega algumas das características mencionadas por Lon Safko, autor de The Social Media Bilble, conforme post anterior do próprio Blog Impressão, que fala dos 10 mandamentos das mídias sociais.

Noblat posta com freqüência (há casos em que há mais de 100 mensagens em um único dia); ele é muito criativo, afinal não é qualquer um que consegue juntar política e novela; o jornalista participa da conversa, sempre respondendo aos internautas, e está muito conectado, postando até mesmo de uma sala de cinema, conforme já dito.

domingo, 8 de novembro de 2009

Procurando o ouro nas contribuições dos internautas

Estou fazendo uma aula de Jornalismo Online na minha Pós em Comunicação Jornalística, na PUC-SP. A turma tem um blog, chamado Impressão. Reproduzo abaixo a análise feita para o blog da classe:

Procurando o ouro nas contribuições dos internautas

A contribuição dos cidadãos no processo jornalístico - chamada de "jornalismo cidadão" - é abordada no livro de John Kelly, "Red Kayaks and Hidden Gold: the rise, challenges and value of citizen journalist" (Caiaques Vermelhos e o Ouro Escondido: o crescimento, desafios e valor do jornalismo cidadão, em tradução livre). O livro está disponível para download. Clique aqui.

O chamado jornalismo cidadão pode ser definido, diz Kelly, como: "não jornalistas engajados em atividades tradicionalmente realizadas por jornalistas".

Acredito que um dos grandes problemas desta forma de jornalismo é saber filtrar, dentro do conteúdo enviado pelos internautas, contribuições que possam realmente fazer a diferença na cobertura jornalística.

Para ilustrar esta dificuldade, irei utilizar o exemplo da explosão de uma casa de fogos de artifício ocorrida no último dia 24 de setembro em Santo André, caso no qual a empresa onde eu trabalho, o Diário do Grande ABC, procurou utilizar o chamado "Conteúdo Gerado por Usuários" (User Generated Content, na sigla em inglês), como complemento à cobertura jornalística. De fato, neste caso, os internautas deram dicas valiosas.

Um exemplo: eles começaram a enviar mensagens demonstrando preocupação com os estudantes, já que havia uma escola próxima ao local do acidente. Com base nesta informação, pudemos checar, junto à instituição, a situação do local e divulgamos, poucos minutos depois, via Twitter, que a escola não havia sido afetada pela explosão.

Eles também enviaram imagens, vídeos, fotos da tragédia, complementando a cobertura jornalística.





Mas este tipo de contribuição é como o "ouro" citado por Kelly: aparece depois de muita garimpagem. O que mais houve neste dia foram mensagens como: "ah, eu ouvi a explosão da minha casa" que, apesar de serem a expressão de um sentimento legítimo dos cidadãos, não continham um dado relevante que pudesse ser utilizado na cobertura do caso.

Ao todo, a reportagem principal sobre a explosão recebeu 260 comentários, isso sem contar as mensagens via e-mail, Twitter, o que dá uma dimensão do trabalho que é avaliar todo este conteúdo, já que outras dezenas de contribuições não foram ao ar (o principal motivo é a utilização de conteúdo ofensivo).

Portanto, na minha opinião, o maior problema, hoje, do chamado jornalismo cidadão é saber encontrar em meio às contribuições dos internautas o ouro escondido, a informação que pode mudar o rumo de uma reportagem, algo que demanda profissionais preparados para saber transformar a cobertura jornalística não mais em um processo de mão única, mas em uma conversa na qual os internautas possuem voz e vez.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quebrando a cabeça

Hoje, temos mais condições de conhecer as plataformas de cada candidato, e depois de eleitos, é bem mais fácil de acompanhar o mandato, já que há sites de governos, Agência Câmara, Senado, Assembleia e por aí vai. Além destes, têm surgido iniciativas super interessantes tal como o Adote um Vereador, o site Contas Abertas, o Portal da Transparência, a Transparência Brasil, entre outros.

No entanto, não é bem isso que a gente tem visto como prioridade na mídia. Infelizmente, o noticiário ainda é dominado por escândalos e pela personalização dos políticos.

Um exemplo: na entrevista feita pelo jornal Folha de São Paulo ao presidente Lula, na semana passada, não houve uma única palavra, uma única questão sobre as políticas públicas do país. Para não dizer que foi um zero completo, podemos considerar as medidas adotadas na área econômica (prorrogação do IPI), e o problema social (que foi mencionado a reboque dos conflitos no Rio).

E a saúde, como vai? Educação? Quem procurou respostas para estas perguntas saiu de mãos abanando. Eu acho isso muito grave.

Hoje saiu um texto no Observatório da Imprensa que vai ao encontro do que tenho pensado. O jornalista Juliano Schiavo faz uma análise de Pierre Bourdieu (li um livro de Bourdieu, “Os donos da rede”, muito bom). Reproduzo aqui um trecho:

Muitas das notícias veiculadas em nada modificam a sociedade, pois servem apenas para entreter, diminuindo o debate público sobre questões que influenciam no cotidiano. Mas, infelizmente, é uma tendência que se tem observado. As notícias, aos poucos, vão se tornando algo espetacular, apenas espetacular, sem serventia alguma.

E o pior, como assinala Bourdieu: quando um veículo de imprensa fala, o outro repercute. Por ser uma representação da realidade, enfoca aquilo que interessa à audiência e se esquece do que é necessário para a sociedade.

Isso poderia ser facilmente colocado como realidade também para a internet. E a pergunta que faço é: como melhorar o jornalismo?

Eu acredito (posso estar errada) que vem ocorrendo um movimento por maior transparência e por mais fiscalização do governo. Porém, quais são os gargalos que fazem esta informação ficar longe do leitor/internauta? Principalmente, porque hoje esta discussão sobre políticas públicas ainda não é uma prioridade?

Não sei as respostas, mas vou tentar descobrir ;-)

domingo, 25 de outubro de 2009

Como pensar 'fora da caixa'

Teve um internauta, de nome Alexandre, que postou um comentário super interessante em relação à minha lista de políticos para entrevista (do post abaixo). Ele perguntou se seria necessário, por exemplo, questionar a Dilma sobre o episódio Lina Vieira, e disse que algumas perguntas são anacrônicas, já sabemos as respostas de antemão. Tomo a liberdade de reproduzir abaixo um trecho do seu comentário:

É necessário um outro olhar, outras perguntas, novas abordagens, surpreender os políticos e quebrar a retórica deles. Se não formos nós, os blogueiros... Bem, os colegas da imprensa escrita é que não vão ser. ;)

Olha, Alexandre, concordo com você. Talvez eu tenha me prendido a algumas questões e nomes de uma forma meio automática, sabe? Vou tentar melhorar. E o seu alerta foi muito importante, assim vou tentar pensar mais "fora da caixa", como os americanos dizem.

Essa é uma das coisas que eu mais tenho gostado, agora que me tornei uma "blogueira": sempre tem alguém para acrescentar algo interessante, uma nova percepção, algo que não teria captado se não tivesse me exposto e decidido colocar pra fora, nos posts, o que ando pensando.

Muito obrigada mesmo, Alexandre. Adoro críticas, elas mostram que alguém presta atenção no que você faz. Vou repensar esta lista e tentar apresentar respostas a elas aqui ;-)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

10 políticos que eu gostaria de entrevistar

Fiz aqui uma lista com os dez nomes que, se possível, eu gostaria de ouvir em uma entrevista. Pra mim, são pessoas que hoje estão dando o que falar. Só pensar os nomes já foi algo interessante, como exercício. Abaixo segue a lista com algumas questões que gostaria de fazer:

Lista de nomes para entrevista

1. Ciro Gomes

Ciro é hoje uma peça-chave na disputa pela presidência. Continuará ele como candidato a presidente ou tentará o governo de São Paulo? Eis o dilema de Tostines. Será que ele poderia falar qual o papel que o Lula está tendo nesta escolha?

2. Zé Dirceu

O homem retoma a cada dia sua influência dentro dos meios petistas. O que ele teria para dizer sobre o PT do mensalão e o partido nos dias de hoje?

3. Gabriel Chalita

Ele vem dando o que falar, com suas críticas ao José Serra. Será que ele continua assim, ou está com medo de perder o mandato?

4. Geraldo Alckmin

O nosso “picolé de chuchu” é sempre uma opção importante na política paulista. Seria interessante saber dele se a aliança com o José Serra está firme mesmo e se ele sairá candidato a governador, como vem sendo previsto.

5. Gilmar Mendes

O juiz que não ouve as “vozes das ruas” é cada vez mais uma das vozes de oposição ao governo mais influentes nos dias atuais. Como está a sua relação com Lula?

6. Aloizio Mercadante

Como ficou o senador depois do “irrevogável” que foi revogado? Será que ele toparia falar sobre o episódio?

7. Marta Suplicy

Ela lançou recentemente um site de notícias e debates. O que ela pretende com essa iniciativa? Quais os seus planos para as eleições de 2010?

8. Gilberto Kassab

Ele fica mesmo até o final do mandato na prefeitura de SP? Como está sua relação com José Serra?

9. José Serra

E aí, quando sai a sua definição sobre a candidatura? Aécio será vice? Gostaria de saber mais também sobre seu perfil no Twitter e o papel das redes sociais na próxima eleição.

10. Dilma Roussef

E o episódio Lina Vieira, vc não sabia mesmo? Como você lida com a fama de durona? Vai conseguir descolar da imagem do Lula? Como você definiria a sua imagem?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mais sobre a audiência - parte II

Vi os comentários sobre a audiência dos sites jornalísticos (abaixo) e decidi continuar a discussão. Não é que eu acredite que o jornalismo deva ser somente a revista Piauí - pra pegar a referência do comentário - mas também defendo que as escolhas feitas tenham o objetivo de informar melhor o leitor/internauta, e não é bem isso que acontece.

O jornalismo é muito feito de escolhas, e há com certeza opções que podem ser diferentes. Por exemplo: quanto reportagens boas a gente vê hoje sobre, por exemplo, a respeito da fiscalização das obras do PAC? É um assunto que poderia ser bem melhor explorado.

E as investigações dos gastos não só do governo federal, mas das assembleias legislativas (hoje quase esquecidas) e das câmaras de vereadores. Por que não são feitas mais reportagens sobre estes assuntos?

E, principalmente, será que a internet é o campo do audiência vale tudo? Por que em nome da concorrência muitas vezes os sites superestimam notícias de celebridades, dão informações com pressa para evitar o furo? Muitas vezes é preguiça, outras incompetência, e sem dúvida eu me incluo nisso, afinal trabalho neste meio.

Mas isso não quer dizer que eu me conforme, e muito menos que eu concorde com isso. Pelo contrário. A intenção é apontar o problema e tentar chegar a soluções.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sobre a audiência do blog

Recebi o primeiro relatório da audiência deste blog que vos fala. A notícia me surpreendeu: ele recebeu 15 visitas e teve 29 exibições de página na semana. Parece pouco, mas eu imaginava que fosse menos ainda. Obrigada a todos os leitores (acho que vou ter que mudar o nome para mais 15 leitores, hehehe).

Por outro lado, tive más notícias hoje, também relacionadas a audiência. Hoje chegou o relatório daqui do Diário com o número de cliques de cada reportagem do site www.dgabc.com.br.

Aquela matéria super legal sobre o marqueteiro do Obama, Ben Self, a que me deu muito trabalho, recebeu apenas 190 acessos. Para efeito de comparação, uma reportagem sobre aquele casal do crepúsculo teve exatos 13.033 acessos.

Por mais que se diga que internet também é diversão, fico com muita raiva quando eu vejo essas coisas, não dá para evitar. Não adianta. Pra mim as pessoas deveriam se preocupar mais com coisas mais úteis. Hoje, o que dá audiência pra gente é celebridades e crime, respectivamente. Será que é isso que as pessoas precisam saber?

Eu acredito que não. É claro que preciso levar em conta que o público do site é, digamos, não tão elitizado quanto um leitor da Folha Online, mas isso não é desculpa para que se tenha números como esses. Há necessidade de informações sobre outros temas. Ser popular não precisa ser sinônimo de popularesco.

Acho que na verdade os leitores se acomodam. Eu me acomodo às vezes, quando faço o meu trabalho de jornalista. Mas, logo depois do momento de acomodamento, eu abro o olho e decido ficar esperta. É isso que eu tento fazer.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Blog Action Day

Este blog aderiu ao Blog Action Day (tem um novo trocinho no blog do lado direito, embaixo).

O Blog Action Day é um evento anual que reúne os internautas no dia 15 de outubro (estou um dia atrasada) com o objetivo de espalhar a discussão sobre mudanças climáticas.

Do jeito que o trânsito está (cada dia pior) e que a humanidade sente mais o aquecimento global, é hora de a gente se mobilizar em torno da causa ambiental.

Claro que poderia fazer muito mais (reciclar mais o lixo, por exemplo), mas tento o que posso. Uma das bolsas que eu uso, por exemplo, é feita de retalhos de jeans. Foi um lojista amigo que me deu. Com pequenas atitudes, como a dele, que usou sobras de seu trabalho para combater o desperdício, a gente vai transformando a realidade.

Sobre a audiência do blog

Não levei muito a sério este blog, mas minha opinião está começando a mudar. Hoje, por exemplo, minha colega de classe na pós me disse que já visitou este site, o que me deixou surpresa. Também fiquei mais surpresa ainda com o comentário da leitora Jade, no meu post sobre modelos. Por favor Jade, se vc estiver lendo agora: o meu post era super pra cima, pra incentivar as pessoas a procurar coisas boas. Com certeza vc conhece um exemplo bom para você se inspirar, acredite em mim. Sem baixo astral, OK?

Mais uma novidade: o meu amigo Leo Lima me ajudou a configurar o serviço do Google Analytics no blog. Ele faz um monitoramento da audiência do site, com gráficos e tal. Fiquei animada!

Com isso, meus dois leitores: aguardem novidades!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Bastidores II - marqueteiro do Paraná

Estava eu esperando pra sair do evento O Efeito Obama (veja o post abaixo), quando comecei a bater papo com um marqueteiro de fora do Estado, que estava lá para assistir aos "papas" da propaganda online.

Começamos a falar sobre as diferenças entre os políticos no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, eles (os políticos) sempre arrumam alguém pra fazer o seu trabalho, disse este meu novo amigo. Ele me segredou que um governador, cliente da sua empresa (e não é o Serra), mantém um perfil no Twitter que não é ele quem administra.

- E quem é então? Perguntei
- Alguém que se faz passar por ele! Me respondeu.

Ele ainda me jurou que o Twitter do Serra não é de fato dele, enquanto a assessora do governador paulista jura que é ele mesmo quem faz os twitts. Em quem será que devo acreditar???

Bastidores de O Efeito Obama

Fui hoje ao evento "O Efeito Obama", onde a grande estrela era Ben Self, o marqueteiro do presidente dos EUA, Barack Obama. Eu já tinha conseguido falar com o próprio Self para o Diário semanas antes, por telefone (veja a entrevista neste link).

Enfim, o principal da palestra de hoje ele já tinha dito na entrevista: que é necessário engajar as pessoas, que a campanha política não é feita só na internet, e mais um monte de bla-bla-bla pra uma turma que desembolsou até R$ 4 mil o convite.

A única coisa que saiu do script foi um enigmático slide sobre a campanha de Dilma e de Serra. O slide, feito a partir de pesquisa do Google Trends, mostrava dois risquinhos, representando cada candidato. Ele despistou, disse que foi uma imagem incluída de última hora. Bem, pra mim o slide deixou escapar que ele não veio pro Brasil a passeio.

Veja aqui a simulação do Google Trends. Não posso garantir que é a mesma, mas mostra o desempenho da dupla. O pico de Dilma e Serra no mês é alcançado no dia 22 de setembro, quando foi divulgada a pesquisa CNI/Ibope à Presidência (aquela que mostrou Ciro crescendo e encostando na Dilma).

Sobre sua relação com o PT (afinal, o que todo mundo queria saber), o homem escorregou e evitou responder das mais variadas formas. Nem sempre dá para a gente saber tudo.

Em relação ao contato, Self é bem direto, como normalmente são os norte-americanos, e presta atenção em cada pergunta (e questiona quando não entende algo, o que a gente não vê por aqui).

Enfim, foi uma experiência marcante pra mim, já que Ben Self foi sem dúvida a pessoa mais importante que já entrevistei na minha curta carreira ;-)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Modelo de profissional

Acho que todo profissional precisa de modelos, pessoas em quem deve olhar para pensar o seu futuro. Sem dúvida, um dos meus modelos é o professor Carlos Chaparro, da ECA-USP. O nome dele voltou à minha vida nesta semana, pois estou fazendo pós em Jornalismo e uma das disciplinas que curso agora, Jornalismo Online, convidou o Chaparro como professor convidado.

Ele, que já passou dos 60, possui um blog super atualizado, um perfil no Twitter e se mostra super antenado com as tendências mais recentes do Jornalismo Brasileiro.

Chamo a atenção principalmente para um documento que ele divulgou por lá, a proposta de novas diretrizes curriculares para o curso de Jornalismo. Os pesquisadores pretendem consolidar o Jornalismo como um campo próprio (eu, por exemplo, me formei em Comunicação Social; Jornalismo era considerado uma habilitação).

O início do texto, particularmente, mostra os desafios da profissão na Era da Informação e vale a pena ser lido, pois possui referências super interessantes.

Por fim, não sou especialista em Segurança Pública, mas esta reportagem do Estadão me chamou a atenção, por mostrar o aumento no ingresso de jovens da classe média na Febem. Embora curta, a matéria na minha opinião serviu para ilustrar tendências, algo muito importante no Jornalismo de hoje. Precisamos de mais reportagens assim, para manter a nossa profissão como algo relevante.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Yes, we can!

Caros dois leitores,

Na semana passada fiz uma entrevista com Ben Self, que ficou conhecido como o marqueteiro de Barack Obama. Ele topou conversar comigo por telefone direto de seu escritório em Washington.

Essa matéria demorou muito para sair. Fiquei tentando por dois meses falar com o dito cujo, mas nada. Até que ele começou a falar também para outros veículos e aí consegui entrar no meio. Como trabalho para um jornal regional, fazer uma entrevista internacional como essa sem dúvida é algo importante.

No começo, fiquei bem nervosa, especialmente porque foi ele próprio quem atendeu a ligação (lá, pelo visto, não tem essa de secretária). O inglês também demorou pra engrenar, e a ligação estava meio ruim, pra piorar a história.

Infelizmente, ele não falou sobre o que eu mais gostaria de saber (a sua relação com o PT), mas mesmo assim, valeu muito a pena. Principalmente quem se interessa por marqueting político na internet deveria ler esse texto. Espero um dia encontrá-lo pessoalmente pra agradecer pela atenção e pela simpatia.

Segue abaixo o link da reportagem:

http://www.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=8&id=5770405

Abraços, Tati

domingo, 27 de setembro de 2009

Novo filhote

Estou criando um novo blog, desta vez para divulgar as notícias da minha paróquia. Ele já tem endereço: será blogoapostolo.blogspot.com

Este novo blog me estimulou a deixar de abandonar o antigo. Vou contar algumas coisas novas destes dias.

Adicionei à minha lista de "filmes para assistir" o filme "A revolução não será televisionada. O filme é sobre uma TV irlandesa que cobriu os detalhes do golpe que tentaram dar no Hugo Chávez. Do que tenho ouvido, o filme trata muito da "manipulação" de notícias feita pela mídia. O que será que me aguarda???

Outro ponto importante é que, após dois meses de tentativas, parece que finalmente conseguirei falar nesta semana com Ben Self, que ficou conhecido como o "marqueteiro do Obama". Tenho lido tudo o que tem saído sobre ele, para tentar extrair algo diferente. O que me fascina é tentar entender exatamente o que ele fez para a campanha do Obama. Como foi de fato armada a estratégia de marketing online da campanha? O que ele quer dizer quando afirma que pretende estimular o engajamento dos internautas?

Sei que a receita completa do bolo o cara não vai dar, afinal ele construiu a fama dele em torno disso, mas agradecerei pelo que puder entender a mais sobre este fascinante mundo do marketing político online. E, é claro, vou ficar mais feliz ainda se ele puder contar algum detalhe, por mínimo que seja, da relação entre sua empresa e a campanha da Dilma Roussef, para quem ele estaria trabalhando. Vamos ver no que isso vai dar...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O caso do caseiro - nossa indignação

Infelizmente, prevaleceu o que já estava escrito por analistas: Palocci se livrou da acusação de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Acho que esse caso desperta em todos nós aquela sensação de injustiça, de que só pobre vai pra cadeia.

Até por conta do ofício, assisti hoje, pela internet, o julgamento do STF. É a primeira vez em que eu assisto a um julgamento.

Achei que não iria entender, mas deu pra acompanhar bem.

O procurador-geral da República foi claríssimo: existe crime. E pronto.

Já o advogado do Palocci deu uma embromada incrível, sobre a falta de "materialidade" da acusação - ué, mas se era para ABRIR uma ação penal, precisava de indícios claros, definitivos? Eu achava que eles eram necessários para CONDENAR, mas deixa pra lá.

A defesa do Palocci ainda nos brindou com uma pérola: ele disse que o caso parecia uma "versão falsa" de Davi e Golias, como quem diz: o povo está fazendo injustiça contra o Palocci, para favorecer o Francenildo.

Mas se até o relator do caso, nosso "querido" ministro Gilmar Mendes, provou que houve a quebra e divulgação do sigilo do caseiro?

E se o pobre coitado não consegue arrumar emprego, enquanto o Palocci já ensaia seu retorno, como candidato ao governo de São Paulo?

Quem está sendo injustiçado?

Mas, já que não dá pra acreditar na Justiça, acredito pelo menos que as urnas não fizeram ainda as pazes com Palocci. Posso estar errada, mas pra mim ele não se elege não. Deus queira!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre a invasão dos políticos no Twitter

Descobri hoje um site chamado http://www.politweets.com.br/ A página pretende reunir todos os políticos que possuem página no Twitter. Fiquei surpresa com o número de parlamentares que já utilizam a ferramenta: dos 81 senadores, 17 já aderiram ao serviço de microblogging.

Uma das páginas de maior repercussão é a do governador José Serra. Como já contei aqui, tentei entrevistá-lo, mas não deu. Ele falou ao Estadão, onde disse que o grande desafio de campanhas pela internet será transportar o ativismo e a militância real, para o mundo virtual.

Diria mais: será que a atuação política na internet não irá criar um novo tipo de ativismo virtual, diferente do ativismo ao qual a gente está acostumado, de cabos políticos, santinhos, e tal?

Estou aguardando um livro, chamado Eleições 2.0, da Publifolha, que encomendei via internet. Será que é bom? A conferir.

Aliás, a conferir também a iniciativa dos políticos no Twitter. Será que agora eles ficarão mais próximos dos cidadãos?

Por fim, o Blog do Planalto está chegando. Dizem que estará no ar na próxima segunda-feira, mas, infelizmente, não permitirá comentários. De qualquer forma, trata-se de um avanço.

sábado, 22 de agosto de 2009

Pesquisa em jornalismo

Gostaria muito de me tornar uma pesquisadora em Jornalismo. Às vezes me dá um pouco de medo de não estar à altura da tarefa (além disso, preciso organizar melhor os meus textos, escrever mais, e ler muuiiitttooo), mas quero muito tentar. Eu acredito que dá.

Em novembro acontece o 7o encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo. Quero ir pra ver se levo jeito pra coisa. Depois, quem sabe, no ano que vem, inscrevo um trabalho científico, começo a pensar no mestrado, em dar aulas...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Faz tempo que não escrevo...

Já se vai quase um mês sem postagens no blog. A crise no Senado está consumido parte do meu tempo (é verdade), acabei também adotando o Twitter para expressar minhas ideias (é verdade), e às vezes cabe uma certa timidez em escrever, mas vamos lá.

A crise no Senado já está dando seus últimos suspiros (será?), pois nos últimos dias ficou a impressão de que governo e oposição querem mesmo, como sempre quiseram, deixar tudo como antes. E a satisfação à sociedade? O Sarney fica como está, tudo fica, nada muda? Essa é a impressão. Espero estar realmente enganada.

Uma das novidades mais animadas dos últimos tempos é a candidatura da ex-ministra Marina Silva. Será que ela tem mesmo potencial para mudar esse cenário eleitoral, em que PSDB e PT andam a cada dia mais parecidos? Espero, nesse caso, não estar enganada.

Não consigo também tirar da cabeça uma notícia do globo de hoje, que mostra que nos últimos 17 anos 1.311 agentes públicos foram condenados por improbidade administrativa. Como disse o colega Marcelo Soares, "o Brasil queima dinheiro como o coringa".

Eu fico me penitenciando o que eu faço para melhorar essa realidade. Tento ler os Diários Oficiais, faço um esforço danado pra tentar entender os números governamentais, mas sei que isso é pouco.

Eu preciso, em primeiro lugar, formar um banco de dados decente com os contatos dos meus entrevistados (eles ficam em caderninhos, que depois fico folheando pra achar os nomes).

Sei que não é muito, mas já é alguma coisa para mudar a realidade, né?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

R7 promove mexida nas redações online

O novo portal da Record, o R7, vem provocando uma boa mexida nas redações online. Eles vem tirando profissionais do Estadao, do G1, da Folha Online...e ainda nem estrearam! A onda ainda não chegou aqui ao Diário OnLine mas, de qualquer forma, é um movimento pela valorização dos jornalistas de internet.

Não acho que seja coincidência, por exemplo, que a Folha abra, ao mesmo tempo, cinco concursos para contratar jornalistas. Veja aqui.

Posso estar errada, mas acredito que estamos na segunda onda grande onda de contratações na internet. A primeira foi quando, já faz alguns anos, os portais tiraram dos veículos impressos profissionais para suas redações online.

Naquela época, a disputa se dava entre mídias criadas pela internet como o IG, o UOL. Agora, grupos com atuação fora da internet como a Globo, com o G1, mais a Record (dizem que a Band está reformulando seu portal também) buscam seu espaço ao sol (ou menor, seu espaço na rede).

Será que isso vai significar mais informações diferentes na internet, ou será que por outro lado o conteúdo será ainda mais massificado entre os chamados "grandes portais"? A conferir.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Como deve ser o veículo de comunicação ideal - Parte II

Continuo às voltas com a pergunta: como deve ser o veículo de comunicação ideal na internet? Tenho pensado em alguns itens, mas sem muita certeza se não está faltando alguma coisa. Segue abaixo o que eu consegui elaborar:

- Deve ser o mais independente possível, o que, na internet, significa fugir dos esquemas de publicidade fácil, dos apoios a esta ou a aquela organização (em política, isso não falta...até a UNE tem patrocínio!)

- Deve respeitar as opiniões alheias sem, com isso, promover a anarquia. O que isso quer dizer? Existe o conflito entre o direito à informação e o direito à honra e à privacidade. O veículo ideal, na minha opinião, precisa achar um meio-termo entre estes dois conceitos.

- Deve investir em reportagem na internet - ei, gente, isso não quer dizer o famoso "gilete-press", ou o copia-e-cola dos materiais dos demais veículos, e sim fazer reportagens diferentes, que utilizem as ferramentas da rede, que saibam inovar, apresentar um ponto de vista diferente dos fatos. Cito abaixo dois exemplos:

Hoje existe uma série de informações públicas na rede - o portal De Olho nas Contas, da Prefeitura de SP, é um exemplo - mas quantas reportagens vemos que utilizam esse material? Menos, muito menos do que o recomendável, muito também por falta de preparo dos jornalistas, e aí eu me incluo, pois admito ficar às vezes perdida no meio de tantos números, muitos deles colocados propositalmente de forma confusa. Afinal, transparência não é sinônimo de clareza.

Outro exemplo: alguns portais têm feito experiências super interessantes em termos de reportagens especiais, com infográficos, vídeo, texto, tudo mais integrado. Porque não vemos mais isso nas reportagens de internet?

Enfim, essas são as coisas que tenho elaborado aqui, mas se alguém tiver mais ideias, agradeço.

Por fim, apenas um comentário: Gay Talese, um dos jornalistas mais interessantes, talvez, do século - Fama e Anonimato influenciou muito na minha formação - deu, na minha opinião, uma "bola fora", quando disse desconhecer o Google. Perde a oportunidade de ter acesso a uma nova ferramenta de reportagem. Vamos aprender com o novo, né gente! Nunca é tarde...

domingo, 19 de julho de 2009

Como deve ser o veículo de comunicação ideal da internet?

Um professor meu da pós propôs aos alunos, como trabalho final da disciplina, uma reflexão sobre como seria o veículo ideal de comunicação. Resolvi utilizar como objeto da minha pesquisa a internet, ficando assim: qual o veículo ideal de comunicação na internet?

Para ajudar na pesquisa, resolvi comprar um livro que recomendo, de Pierre Bourdieu, chamado "Os donos da rede: as tramas políticas da internet".

Esse livro fala de algo que nem sempre a gente repara: apesar da aparência totalmente anárquica e democrática, a internet tem donos, sim. Vou colocar aqui um trecho da orelha do livro:

"Quem manda na internet? A questão, secundária há algum tempo, assume hoje uma nova dimensão. Inicialmente concebida como uma rede de comunicação para uso militar, depois utilizada pelos cientistas, a Internet abriu-se para o grande público, suscitando conflitos de interesse entre atores sempre mais poderosos."

Os "grandes" já entraram, e hoje estão presentes no mercado jornalístico da internet, afinal, quem não dá uma passadinha nos grandes portais brasileiros pra ver como está o dia? G1, UOL, Terra, Estadão, até o Diário OnLine estão na briga por uma crescente audiência. O nosso acesso à rede também é controlado: grandes empresas como Speedy, Net, determinam como será a nossa experiência na rede, não formada hoje somente por nerds, mas intensamente povoada pelos chamados usuários comuns (entre os quais eu me incluo, afinal, o som do meu computador está sem funcionar por um motivo que eu não sei consertar).

Vale adicionar a esse cenário a realidade brasileira. A nossa tradição como uma cultura de privilégios, do "olha quem está falando", de uma certa forma colide com um aspecto da internet, que é o de ser uma rede concebida como um intercâmbio entre iguais. Como diz o livro, a igualdade da internet em seu início já era relativa: tratava-se de uma troca entre cientistas que possuíam uma mesma visão de vida. No entanto, mesmo assim, a rede nasceu sob uma concepção pública, descentralizada e colaborativa.

Nesse cenário, como imaginar um veículo de comunicação ideal no ambiente brasileiro?

Que soubesse respeitar as diferentes opiniões surgidas na internet sem se tornar autoritário, por um lado, ou palco de anarquia e desrespeito, de outro?

Que vivesse de forma independente em um cenário de cada vez mais concentração na distribuição e comercialização de conteúdo?

Que avançasse sobre as deficiências crônicas da nossa cultura brasileira, entre elas a cultura de privilégios, já citada, o analfabetismo que ainda persiste no Brasil (só Deus sabe quantos comentários o site onde recebo trabalha, que de tão mal escritos nem parecem português), enfim, que conseguisse de fato uma atuação forte, impactante na nossa cultura e ao mesmo tempo respeitasse as nossas características? Afinal, nem tudo no Brasil é ruim. Vale ver, por exemplo, o crescimento estrondoso das nossas redes sociais na web.

Enfim, voltando ao início: qual seria o veículo de comunicação ideal na internet?

Sinceramente, não sei, mas às vezes mais importante do que conseguir uma resposta é buscar os caminhos, as alternativas, para que essa resposta se faça possível. É isso que vou tentar fazer.

Alguma sugestão para essa tarefa, difícil mas interessante?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Hoje é Dia da Pizza!

Eu já imaginava que hoje, na política, seria o Dia da Pizza quando o 'deputado do castelo', o nosso Edmar Moreira, ficou livrinho, livrinho de punição no Conselho de Ética. Foram votados três relatórios: o primeiro, que pedia a cassação (muito malvado, pensaram os parlamentares); outro, mais brando, pedia só a suspensão (não sei o que pensaram os parlamentares) e por fim este, que pede o arquivamento do processo (aí, eu sei o que eles pensaram: deu pizza!).

Aí foi eleito o senador Paulo Duque, amigão do Renan Calheiros, para presidente do Conselho de Ética, que irá investigar as denúncias contra Sarney e contra quem? O próprio Renan. É quase como a raposa cuidando do galinheiro. Mais pizza.

Por fim, o toque final, a cereja, ou melhor, a azeitona do prato: o nosso 'digníssimo' presidente Lula chamando os senadores de 'bons pizzaiolos'. Se o próprio presidente não respeita o Congresso Nacional com uma fala ofensiva e infeliz como essa, como será que a população irá se comportar?

Apenas para terminar: o dia da pizza (não essa, aquela com catupiry, marguerita, etc....) foi comemorado no dia 10 de julho.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Collor e Lula, a imagem de hoje

Acho que se me contassem, há alguns anos, que Lula e Collor estariam juntos em um palanque eu diria: você está louco! Eles eram tão diferentes quando disputavam a presidência...e agora, estão aí, amigões, afinal, tudo em nome da tal da "governabilidade". A imagem é um símbolo: os dois estão próximos, trocando os maiores afagos.

Enquanto isso, outro "amigão", o Sarney, está mais agarrado ao cargo do que nunca. Sai denúncia, entra denúncia, só ele que não sai do posto. Mas o colega Marcelo Soares, a quem admiro muito, comentou comigo no Twitter: será que aconteceriam essas investigações no Senado se Sarney tivesse saído no poder? Ou seja, se o #forasarney tivesse surtido efeito completo teriam sido anulados os atos secretos?

Só sei que continuo com a minha tese: não importa qual sua posição política, honra e honestidade são coisas acima de qualquer "governabilidade". Se você defende que alguém é ladrão, não me venha depois fazer acordo, daqui a 10 ou 20 anos, em troca do poder.

Isso é simplesmente vergonhoso, é o que dá argumento para os que dizem que "nenhum político presta". O pior é que acredito que há honestos, porém eles ficam muitas vezes calados diante disso tudo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Os atos secretos e o 'dilema de Tostines'

Em primeiro lugar, gostaria de abrir uma garrafa de champanhe pela medida anunciada pelo presidente do Senado, José Sarney, de anular todos os atos secretos. Não é todo dia que a torneira que insiste em desperdiçar dinheiro público é fechada, nem que seja um pouquinho.

O 'dilema de Tostines' mencionado no início é o seguinte: será que o Sarney só tomou a decisão porque não saiu do Senado ou será que se ele saísse do Senado a decisão sairia de qualquer jeito? Difícil saber. Mas o mais importante mesmo é comemorar, não importa a questão política, como disse antes.

Antes de comemorar o fim dos atos secretos com um festão ainda há algumas perguntas a serem respondidas. As pessoas nomeadas via ato secreto OK, serão demitidas, até aí eu consegui entender. Mas será MESMO que elas irão devolver o dinheiro ganho durante esse período? Será???

E quem foi demitido, vai receber o dinheiro de volta???

São 14 anos de atos secretos, imaginem o quanto de grana dá isso aí...

Estou com medo de que essa conta possa sobrar pra todos nós...aguardem os próximos capítulos.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

E o do castelo...se livrou bonito

Havia visto hoje a notícia mais revoltante do dia: a de que o deputado Edmar Moreira, o tal do castelo, teve o segundo parecer rejeitado pelo Conselho de Ética. O primeiro, que previa a cassação, não foi aprovado pois seria 'duro demais'; mesmo este, que pedia a suspensão, não foi aceito.

Do que precisamos então: estender um tapete para o senhor deputado continuar rindo na cara da gente?

Fiquei impressionada é com as imagens envolvendo o dito-cujo. Ele aparecia na reunião com aquela cara fechada, de alguém contrariado, afinal, ele vivia feliz nos subterrâneos do baixo-clero e foi tragado para o meio do furacão da raiva pública. Mas ele encontrou o apoio do nosso querido colega Sérgio 'se lixando' Moraes, que tentou consolá-lo:

"Saia assim, tranquilo como eu...garanto nas eleições o meu retorno a esta Casa".

Ou seja, ele está mais do que tranquilo de que o povo irá esquecer esses deslizes.

Por que é que eu fico cada vez menos tranquila com essas roubalheiras estapafúrdias no Congresso?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sem essa de que a crise no Senado é eleitoral: a crise é em 1º lugar de falta de vergonha na cara

Tenho visto alguns analistas, vários deles sérios, como o admirável repórter Ricardo Kotsho, analisando a crise no Senado como uma disputa eleitoral entre governo e oposição já levando-se em conta as próximas eleições para presidente.

Com todo o respeito, acho que precisamos, na verdade, analisar essa questão da crise do Senado não pelo lado da disputa eleitoral mas sim pelo lado da crise ética.

Trata-se uma crise de falta de vergonha na cara dos nossos políticos.

Eu, sinceramente, não quero saber se o estopim para essas denúncias foi o fato de que governo e oposição brigam pelo PMDB para ver quem controla a "noiva cobiçada" da eleições de 2010.

Quero de verdade aproveitar essa oportunidade para pôr fim a essas denúncias que envergonham o Senado. Quero que os responsáveis sejam punidos, afastados, se possível, banidos da vida pública.

Acho que às vezes a gente fica discutindo a questão partidária e esquece que está aí uma grande oportunidade de transformar para melhor o Parlamento brasileiro.

Enfim, para mim, mais importante do que o pano de fundo é o que está aqui, na nossa frente, pra todo mundo ver: o Congresso coalhado de parentes, atos secretos, mansões e castelos inexplicáveis.

Na minha opinião, o brasileiro se acostumou com a corrupção dos políticos, acha que todo mundo mete a mão e que esse é um "mal menor". Acho que essa é a opinião inclusive do nosso presidente Lula, que prefere manter um sujeito enrolado como o Sarney em nome da chamada "governabilidade".

Ora mim, a moralidade é que tem que ser a prioridade máxima. Que sejam demitidos todos, doa a quem doer, caso sejam perdidas alianças, ao menos sobra a vergonha na cara.

Essa, aliás, é a que anda mais perdida no atual Senado.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A crise do Senado transformada em fla-flu eleitoral

Infelizmente, a enorme crise instalada no Senado Federal está se transformando, em parte por obra e graça do presidente Lula, em uma disputa, um verdadeiro fla-flu eleitoral.

Ontem, ele disse que a oposição quer ganhar o Senado "no tapetão". Ele está preocupado em manter a todo o custo Sarney, pois o vice-presidente da Casa é seu adversário político.

Por isso, também hoje, o senador Mercadante atribuiu ao DEM a responsabilidade pela crise.

Gente, a responsabilidade pela crise não é partidária, é de todos.

Pra mim é fundamental que se aproveite essa oportunidade para adotar medidas que moralizem o Senado de verdade, mas infelizmente o pessoal quer mais é ficar transformando isso em briga, ainda mais agora que as eleições de 2010 estão próximas.

Pessoalmente prefiro que o Sarney se retire. Muitos no Maranhão, estado mais pobre do Brasil, com certeza concordam comigo. Até porque, para que ocorram reformas sérias, seria fundamental o afastamento de uma pessoa tão envolvida em denúncias.

Mas de qualquer forma, com Sarney ou sem Sarney, o mais importante é manter o foco nas denúncias, na corrupção no Senado. Não quero saber de briguinhas entre partidos, o foco tem que ser a administração pública.

No entanto, infelizmente, poucos querem reformar a casa mais cheia de privilégios do Brasil. Vi hoje um fato triste: que os benefícios dos senadores equivalem a 83 vezes o PIB do Brasil, segundo a Transparência Brasil.

Isso mesmo: 83 brasileiros como eu e você produzem riqueza para nossas excelências gastarem com salário, assessores, verbas de gabinete e outras mordomias.

É triste demais. Não tenho mais palavras pra descrever essa crise no Senado.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Duas reportagens bacanas sobre política e internet

Em primeiro lugar, fiquei meio sumida, um pouco por causa do excesso de trabalho. Mas gostaria de falar aqui sobre dias matérias que fiz recentemente relacionadas ao crescente interesse dos políticos pela internet (não posso enviar links para os textos, pois o site do DGABC está fora do ar já faz algumas horas!)

A primeira notícia disse respeito a essa onda que está sendo no twitter o #forasarney. Acho que está sendo a primeira mobilização política que conheço feita por meio das redes sociais da internet. Embora a campanha tenha alguns tropeços (entre eles o pedido para a participação do Ashton Kutcher, detalhado pelo Blog do Stycer), para mim o balanço é pra lá de positivo.

É tão difícil fazer os jovens se interessarem por política, que essa iniciativa sem dúvida pra mim é o caminho do que faremos, em termos políticos, no futuro: os protestos de "cara-pintadas" da web.

Mesmo no site, a reportagem sobre o #forasarney foi uma das mais lidas da semana: ao todo, 1.815 visitantes únicos. Obrigada a todos os que leram e comentaram o material!

A segunda notícia fala sobre a propaganda política na internet. Estive trabalhando neste texto, e pude ver que não há nenhum acordo em torno desse assunto: cada um fala uma coisa. As únicas coisas que parecem ser comuns são a vontade de todo mundo de mudar a legislação restritiva de hoje, mas sem transformar a rede em terra dos "foras da lei". Como encontrar o meio-termo? Acho que ninguém sabe dizer.

Por fim, queria fazer aqui o meu agradecimento ao jornalista Fernando Rodrigues, que me passou o texto do anteprojeto de reforma eleitoral que está sendo discutido na Câmara. Sem ele, não teria saído reportagem. Nem sempre a gente consegue ajuda desses "figurões", por isso faço questão de deixar aqui essa mensagem.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Projeto webrepórter Rede TV!

Hoje eu fui à Rede TV! pra fazer parte de uma seleção para um projeto que eles têm de webjornalismo. A coisa funciona de forma bem independente: eles cedem o equipamento (uma câmera que parece um celular, um laptop e um microfone) e você vai, por conta e risco, fazer reportagens...eles têm pautas para encaminhar, mas também há espaço para sugerir assuntos.

Então, você envia pela internet os vídeos e o pessoal da TV aproveita. Você recebe por matéria aproveitada. Existe ainda uma 'ajuda de custo' mínima pra quando, por exemplo, você vai para um lugar mandado pela emissora e, no nosso jargão, a pauta 'cai' ou seja, a pessoa não comparece, o evento não rola, enfim, não dá pra fazer a reportagem por algum motivo.

A comunicação seria feita primordialmente pela internet, com os repórteres cobrindo assuntos nas regiões próximas de onde eles vivem.

Fiquei animada com a proposta. Acho que a gente caminha pra isso mesmo, para a produção de conteúdo independente, colaborativo, que é algo bem nos moldes do que a internet propõe.

Agora, também é bom assinalar que com o que eles pagam (pouco) não vai dar pra viver de webvídeos. O jeito vai ser tentar conciliar o meu atual emprego e esse projeto.

Tem mais uma coisa que eu preciso conciliar no plano prático: é difícil fazer pautas na rua sem carro, e não sou uma pessoa 'motorizada'. Vou precisar ver isso...

Mas enfim, isso se eu for chamada, vamos aguardar...até lembro de uma vez em que eu vendi uma foto, quando houve a visita do papa, ao projeto de fotorepórter do estadão. Fiquei tão orgulhosa por usarem o material...quem sabe não seja esse o meu futuro: ser uma webfotoblogjornalista (rsrsrs)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Lula e o campo ético

Acho que o nosso presidente possui muitos méritos, mas fico preocupada quando vamos para o lado ético. Veja esse caso no Senado: porque o Lula não se mostra indignado com o fato de que no Senado tantos atos, tantas ações, permaneceram por mais de uma década secretos, sigilosos, escondidos do público e a serviço dos piores interesses.

Hoje o Lula criticou (mais uma vez) a imprensa. Segundo ele, os escândalos do Senado ganham mais espaço no noticiário do que a geração de empregos no País.

Será que os escândalos ganham espaço porque a opinião pública acha errado manter ações escondidas da sociedade?

Será que o Lula concorda com essa falta de transparência, com essa bagunça no Senado que, na minha opinião, ocorre porque no Brasil se criou esse costume de confundir o público com o privado?

Acho que a melhor frase sobre o assunto li no Blog do Josias:

"No campo ético, Lula virou uma biografia em suspenso. Tornou-se, ele próprio, um Sarney. Com uma diferença: não lê Eça de Queiroz no original".

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Blog da Petrobras e os pequenos veículos

Fiz, como postado mais abaixo, uma reportagem sobre o Blog da Petrobras, o Fatos e Dados. Pois bem, fiquei esperando que a Petrobras, a exemplo dos demais veículos, publicasse as questões relativas à minha matéria.

Mas não houve sequer menção ao fato. Conversei com uma colega, que trabalha no Diário de Mogi, que disse ter sido tratada da mesma forma. Então fiquei pensando: será que a transparência da Petrobras só vale para os grandes veículos?

Como não gosto de deixar as pessoas sem resposta, enviei ao assessor da Petrobras a questão. Ele me ligou agora para dizer que não se trata de uma seleção, vamos dizer assim, "vamos dar preferência só pra Folha, Estadão e afins".

Na verdade, diz ele, as minhas questões não foram publicadas por se tratar de um tema já abordado por outros veículos.

Então, sugeri ao assessor: porque a Petrobras não reúne todas as questões semelhantes apresentadas pelos jornais e não publica por tema, para que todos apareçam no site? Ele gostou e disse que irá apresentar a ideia. Vou pagar pra ver.

Essa é mais um exemplo da batalha diária de quem trabalha fora da chamada "grande imprensa", tipo Globo, Folha etc...A gente é mais sufocado, o trabalho tem menos visibilidade. É a luta do anão contra Golias, mesmo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pontos de cabeça fria sobre o fim do diploma

Muito li e pensei muito mais ainda sobre essa questão da obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

Uma das argumentações mais sensatas que li durante toda essa polêmica foi por parte do Maurício Stycer, do Ig, contra a obrigatoriedade do diploma, mas favorável à regulamentação da profissão.

Acredito ser importante que o jornalista tenha curso superior e também uma especialização. Estamos no tempo do mundo real, em que a comunicação é cada vez mais fluida, mais livre, e precisamos lidar com isso. Esse é um dos pontos.

Outro ponto diz respeito à qualidade da imprensa e à proteção dos profissionais de imprensa, especialmente nos pequenos veículos. Como vai ser, se eles não precisam ter jornalistas formados? Vai aumentar a manipulação? Eles vão incluir mais apadrinhados nas redações?

É claro que me preocupo, afinal sou uma profissional de imprensa, e quero manter e melhorar de emprego. Vivo hoje do jornalismo regional, não no da Folha, do Globo, que nesses lugares sempre se prezou pela qualidade.

Em relação a esse segundo ponto, espero que o fim do diploma não prejudique o trabalho da grande maioria da imprensa do país, que não vive nas mega e baladadas redações. Mas, na verdade, a gente vai precisar pagar para ver.

Por final, quem me conhece sabe que sou uma pessoa otimista. Afinal, toda crise abre uma janela de oportunidade. Então, porque essa não pode melhorar a discussão do Jornalismo brasileiro? Melhorar os cursos de Jornalismo existentes?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bastidores da reportagem sobre os blogs políticos

Como disse aqui, iria contar como foi fazer a reportagem sobre os blogs de políticos. Pensei em fazer uma coisa mais geral, depois foquei no Blog da Dilma, no Twitter do Serra (já que os dois são os principais pré-candidatos em 2010) e queria também falar sobre o blog da Petrobras.

Primeiro falei com a Petrobras, que só fala sobre o assunto por meio da assessoria de imprensa, por escrito, e com umas respostinhas beeeem genéricas.

Mas, por outro lado, o assessor foi rápido, atencioso, e prometeu o mesmo tratamento para todos os veículos (eu, que trabalho hoje pra imprensa regional e já fui de veículo grande, percebo a diferença de tratamento).

Depois, o blog da Dilma. Queria muito falar com o editor por telefone, mas a ideia foi cortada pelo meu chefe por contenção de gastos (o editor mora no Ceará). Então o jeito foi falar por e-mail.

O editor Daniel "Pearl" fez um post no blog "antecipando" que eu iria fazer a reportagem. Essa é nova: agora é a fonte que antecipa a reportagem!

Enfim, gostei de fazer o texto e espero me aprofundar cada vez mais nos intercâmbios entre política e internet.

Aliás, se alguém souber de algum livro ou algum texto que aborde internet e política, aceito sugestões.

Sobre o discurso do Sarney: blog do Josias já disse tudo

O Blog do Josias já disse tudo e mais um pouco do que eu gostaria de falar sobre o discurso do José Sarney feito hoje. O nome do post, aliás, leva a frase: "a crise é do Senado, não a minha".

Como alguém que comanda uma Casa pode não assumir a responsabilidade por ela????

Reportagem minha sobre Blog da Dilma e Twitter do serra

Saiu hoje no Diário OnLine uma reportagem minha sobre o Blog da Dilma e o Twitter do Serra. A intenção é mostrar que os dois principais candidatos à sucessão do Lula possuem presença crescente na rede. Fiz outra reportagem, relacionada à essa, sobre o blog da Petrobras.

Espero que gostem da reportagem, e se puderem me enviar algum comentário ou sugestão, agradeço.

Mais tarde conto os bastidores dessa matéria.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Afinal, de quem é o Frankenstein? Da série erros da imprensa


Essa eu não resisti: a Folha e o G1 fizeram reportagens hoje sobre a visita do governador Serra ao presidente Lula. Ele disse aos jornalistas que a reforma...é um "frankenstein".

Assustador mesmo é não saber de QUAL reforma o governador está tratando. Para o G1, trata-se da reforma política, para a Folha, da reforma tributária. Super parecido, né? Pra ajudar, juntei as duas matérias em uma imagem bem tosca, mas que dá pra ter uma ideia do que aconteceu. E a reportagem da Folha você pode ver aqui, e a do G1 aqui.

Essa vai para a série erros da imprensa com a pressa da internet.

Enfim, o bom senso...

Felizmente a Petrobras soube reconhecer o erro e decidiu publicar as perguntas dos jornalistas apenas após a publicação de reportagens.

Aliás, o Claudio Weber Abramo, jornalista de mão cheia, fez em seu blog um comentário super equilibrado sobre essa questão do blog da Petrobras, que você pode ler aqui.

Aliás, estou fazendo uma reportagem sobre esse novo fenômeno: os políticos que estão usando a internet para divulgar diretamente suas ideias à população por meio das redes sociais. Meu desafio agora é conseguir fazer o Serra falar sobre o seu Twitter. A assessora dele sugeriu que eu vá a uma coletiva do governador para perguntar a ele diretamente sua opinião. Quero ver se consigo ir, mas será que ele vai falar???

terça-feira, 9 de junho de 2009

O blog da Petrobras já rende seus 'filhotes'

Sem mudar de opinião (continuo, como mostra o post abaixo, contra a publicação de dados de reportagens em andamento por parte do Blog Fatos e Dados, da Petrobras), tenho que contar que o assunto rendeu ao longo do dia.

Aliás, rendeu tanto que já tem até dois blogs "filhotes": um é o Petroperguntas, que se propõe a mostrar as perguntas feitas pelos jornalistas para a Petrobras, e o Fatos e Dados "cover", criado por um estudante de publicidade.

A internet veio pra mudar a nossa relação com os meios de comunicação, e acho que esse blog da Petrobras é um pontapé para a gente questionar qual o tipo de jornalismo na internet que queremos.

Vamos lá, gente! Quanto mais discussão melhor!

Convoco os meus dois leitores a colocarem o que acham do blog da Petrobras: é bom pra você?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Estou indignada com o blog da Petrobras

Não tenho outra forma de começar esse post. Até tentei digerir a ideia durante o dia, mas pra mim esse blog da Petrobras, do jeito que está, não dá.

Pra quem não sabe, o recém criado Blog Fatos e Dados está publicando na internet questões que os jornalistas fazem sobre a Petrobras, porém enquanto as reportagens estão em andamento. A justificativa da empresa é a chamada "transparência".

Até pode parecer um discurso bonito, mas na prática o que eles querem mesmo é intimidar os jornalistas, como disse a ANJ (Associação Nacional de Jornais). Veja a nota da ANJ aqui.

Concordo com o que o jornalista Marcelo Soares (aliás, um tremendo repórter, o blog dele na MTV segue aqui do lado) diz no Twitter (@msoares): poderia publicar esses dados, mas desde que a divulgação fosse feita depois das reportagens concluídas, e não antes.

Se a Petrobras está mesmo preocupada com a transparência, porque não coloca os seus balanços pra todo mundo ver? Pra quem não sabe, é necessário fazer um cadastro de jornalistas pra poder ver os balanços e as coletivas no site da empresa.

Até tentei fazer esse cadastro há um tempo atrás, mas eles nunca me deram resposta. Nem pra falar o motivo, eles simplesmente recusaram o meu cadastro.

E outra pergunta lançada na rede: porque o blog não divulga quais são os patrocínios de jornais, revistas, sites patrocinados pela Petrobras, se eles estão mesmo preocupados com a transparência?

Mais: se eles estão preocupados com a transparência, porque praticamente TODOS os comentários autorizados a entrar em seu blog são a favor da Petrobras? Se eles querem o contraditório, porque não liberar os comentários de quem não concorda com a empresa? Hein? Hein?

Por isso tudo: não digeri o blog da Petrobras.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia do meio-ambiente - e a comemoração?

Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Felizmente, diversas ações foram anunciadas pelo poder público (destaco as áreas de proteção ambiental criadas no plano federal, e a aprovação, ontem, da Lei Específica da Billings aqui na região).

Mas nem tudo é festa (aliás, muito pouco). Como já comentei aqui, a regulamentação da Lei da Billings é algo que permanece como algo muito confuso; e a MP da Amazônia, que nossa ex-ministra Marina Silva chama de "retrocesso"?

Infelizmente a gente continua querendo o bem do meio ambiente, meio como quer a paz mundial: como algo bacana, mas difícil de pôr em prática.

Afinal, é difícil abrir mão do próprio conforto em nome do meio-ambiente: deixar o carro em casa, separar o lixo, buscar por serviços menos poluentes.

Hoje eu fui pra São Paulo, já que tenho aula da Pós. Como moro em Santo André, são, sei lá, uns 15km de distância, mas quanta diferença! O ar é bem mais poluído, o tempo, mais abafado. Mesmo o ar daqui da minha cidade já foi melhor, tenho impressão disso.

Espero que a gente tenha tempo de reverter esses nossos atentados diários ao verde, antes que ele nos mate.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Para o anônimo que comentou sobre os professores

Para quem fez o post no blog sobre os professores: infelizmente, os professores não são prioridade no Brasil. Aliás, a educação em geral não é prioridade dos políticos. Quem pode, paga pra estudar;quem não pode, fica na ignorância.
Precisamos desabafar mesmo, cobrar, só assim as coisas vão mudar.

Como é difícil acompanhar o trabalho do Legislativo

Gente,vou contar aqui sobre duas histórias que se passaram comigo que explicam como o trabalho dos nossos nobres parlamentares é difícil de acompanhar.

História 1

Na semana passada entrevistei a representante do Movimento Voto Consciente. Percebi na voz dela um tom de desabafo. Ela disse que seu trabalho é "insano" e contou sobre uma manobra "esperta" feita pelos parlamentares:

Eles combinam juntos de faltar a uma comissão; aí a falta não é computada e eles não ficam como ausentes. Bonito, né? Fiz uma reportagem sobre o trabalho das comissões. Infelizmente esse tema gera muito menos discussão do que deveria.

História 2

Esta semana tentei fazer uma reportagem sobre o projeto de Lei da Billings. Só tentei, porque o objetivo da matéria era falar o que mudaria na vida da população caso a proposta fosse aprovada. E o que fiquei sabendo, após ouvir várias pessoas: que não era possível avaliar o impacto do projeto antes de sua aprovação.

Um dos órgãos públicos, aliás, não quis me passar dados atualizados sobre o assunto. Pediu para eu pesquisar no arquivo do jornal (pode?)

Agora, deve ser aprovado nesta quinta-feira, na assembleia legislativa de sp, um projeto que deve mexer com a vida de milhares de pessoas, e não consegui descobri o que, afinal, vai mudar com a proposta!

Aliás, você já tentou ler um projeto de lei? Ô linguajar difícil...

Conclusão

É muito frustrante às vezes você tentar entender o que os políticos fazem. Mas esse é o caminho: fuçar, cutucar, que uma hora eles mostram a cara.

Aliás, todos nós temos o direito de saber quando os parlamentares comparecem, quais são os projetos que eles tocam e como eles mudam a vida da gente.

domingo, 31 de maio de 2009

Lula e o assunto midas: terceiro mandato

Hoje saiu a pesquisa Datafolha, mostrando o país dividido em torno da proposta do terceiro mandato do Lula. Esse assunto parece o tal do Midas: tudo o que toca vira ouro, no caso, vira audiência.

Qualquer texto sobre o assunto dá repercussão: diversas pessoas se posicionam contra ou a favor da proposta. Isso é bem o que a imprensa (principalmente a online) quer, uma boa audiência.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Lei dos gastos públicos deveria ser manchete

O Lula sancionou hoje a lei que obriga os poderes públicos a divulgarem suas contas públicas pela internet. Essa deveria ser a manchete de todos os jornais, na minha modesta opinião.

Até porque é um avanço histórico pela transparência, para que a gente saiba de verdade o que se faz com o nosso ilustríssimo dinheiro.

E aí faço a pergunta: como será que esses recursos serão divulgados?

E pergunto mais: nós, os jornalistas, temos a qualificação adequada para utilizarmos esses dados nas reportagens? Eu, que sou da área, admito ficar meio perdida quando tenho que acessar, por exemplo, o portal da transparência, do governo federal...

De qualquer forma, como diria Neil Armstrong: hoje se deu "um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Lula pego no pulo

Hoje, uma conversa do presidente Lula com seu colega Chávez foi captada pelos jornalistas. O sistema de áudio da tradução simultânea "vazou". A coisa durou cerca de três minutos, dizem os jornais. O que ele disse:

"Se eu eleger a Dilma, esses acordos vão sair. Eu vou ser o presidente da Petrobras e o Gabrielli (José Sérgio Gabrielli, atual presidente da empresa) será meu assessor".

Pena que não foi nada mais grave, afinal, seria bem mais divertido (olha o humor negro).

Lembrei na hora do Caso Ricupero.

Para os mais jovens, foi quando, em 1994, o então ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco deu com a língua nos dentes em entrevista ao jornalista Carlos Monforte. A fala dele foi captada por antenas parabólicas. Ele, claro, não sabia o que estava sendo ouvido. A frase dele virou um clássico: "Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde". Ele saiu do cargo após a história.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Paim, o incansável defensor dos velhinhos

Comento aqui a jornada quase solitária do senador Paulo Paim (PT-RS) em defesa dos aposentados. Ele já fez no plenário do Senado três vigílias pela aprovação de projetos sobre aposentadoria, um deles para acabar com o fator previdenciário, e está agora anunciando a quarta mobilização.

Têm crescido as vigílias no Parlamento (a última foi pela Amazônia, na semana passada), mas infelizmente a cobertura desses assuntos na imprensa tem sido, a meu ver, muito abaixo do que deveria.

Afinal, o que importa mais, de verdade: o mais novo escândalo, o mais novo conchavo político ou o interesse real, do dia-a-dia, com a minha, a sua aposentadoria?

Não sei se esses projetos do Paim são bons ou ruins, mas quero muito mais saber disso do que sobre a composição política da CPI da Petrobras.

Abraços e bom final de semana aos meus dois leitores!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lula e o terceiro mandato

Um tema que está dando o que falar é o crescimento das discussões em torno do terceiro mandato para Lula. Ontem, uma faixa em São Bernardo mostrava que a discussão já ganhou as ruas.

Sinceramente, acho que essa é mais uma daquelas "marolinhas". Mas a gente sabe também que palavra de político não se escreve, né? Será que se a ministra Dilma piorar de vez o Lula vai deixar o PT escolher outro candidato que não ele mesmo?

Lembrei aqui, de cabeça, de duas promessas de campanha de políticos não cumpridas:

A mais famosa é a do Maluf: "Se o Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim!"

E quem não se lembra do Serra, que jurava de pé junto que não iria sair da prefeitura e depois se candidatou ao governo de SP?

Portanto, o futuro dessa história ainda é um mistério. Aguardem os próximos capítulos.

Sobre o futuro da internet - continuação

Continuando aqui a discussão iniciada no post anterior (veja abaixo) sobre a importância dos temas "fúteis" e o futuro da internet. Teve uma pessoa que fez um comentário, dizendo que a minha opinião tinha preconteito.

Primeiro, fiquei feliz por alguém se manifestar (sempre fico contente quando o pessoal comenta no blog), depois me peguei pensando nisso. Será?

Bem, assumo que fiz o post anterior, talvez, em um momento meio mal-humorado, e talvez por isso não tenha percebido a importância dos assuntos ditos "leves" para a nossa vida.

Mas, por outro lado, continuo a achar preocupante quando o jornalismo online dá importância demais a essas coisas. Acho que esse é o ponto: qual o limite entre entretenimento e jornalismo? Alguém tem uma ideia aí?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Será que o futuro da internet é esse mesmo? Não gostaria...

Hoje eu vi um relatório com as matérias mais acessadas no site onde eu trabalho. Me bateu uma tristeza!

É que o assunto mais popular há duas semanas é o concurso da Miss Brasil. Nada contra a moça, sei que a polêmica se dá porque tem gente que acha que poderia ser outra jovem a escolhida, mas esse não é o ponto.

Com o país vivendo tantos problemas, será que precisamos mesmo nos importar tanto com concurso de miss?

Hoje eu vi com destaque na imprensa que o cantor Caetano Veloso tomou um tombo. Esse assunto é realmente algo que merece esse destaque?

Não quero ser chata, não quero que digam que não gosto de temas de variedades, mas sei também que muitas vezes o jornalismo online se orienta para buscar esses assuntos fúteis, porque dão audiência.

Será que só a audiência importa?

É claro que saber da cultura pop é necessário pra qualquer pessoa, mas, sinceramente, a gente precisava saber muito mais sobre os problemas do Brasil do que sobre essas baboseiras.

E me preocupo muito com o futuro da internet, tema do título. Parece que, a cada dia, a gente segue mais firme nesse caminho do espetáculo, do fútil, das polêmicas ganhando cada vez mais destaque na imprensa online.

Isso, sinceramente, me preocupa muito.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Que semana agitada!

Em Brasília a semana "bombou" em termos de notícias. Até percorri com os olhos a lista de reportagens pra lembrar dos temas, que até eu estava me esquecendo de tudo.

Tem o deputado "se lixando", o câncer da Dilma e do Zé Alencar, mensalão (tucano e petista, ao gosto do freguês), o lançamento do portal com informações da ditadura, a divulgação do projeto sobre informações públicas, o caixa 2 da Yeda Cruscius, aqui, na região, a morte do vereador de diadema após um sequestro e hoje a CPI da Petrobras. Ufa!

Como destaque positivo, colocaria o projeto sobre informações públicas. Espero que seja aprovado logo pra gente poder saber mais sobre os governos, castelos, mansões, etc.

Como destaque negativo, a morte do vereador Ademar Michels após o sequestro. A polícia leva 40 minutos pra atender, e aí chega quando o cara já tá morto! E se eles fossem mais rápidos? Agora, a gente não pode saber como seria o final dessa história.

Na parte suspense, a CPI da Petrobras. Ela vira abóbora (ou não) à meia-noite de hoje. Aguardem os próximos capítulos...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ah, os comentários, que dilema...

Parece simples a tarefa de aprovar comentários, mas a verdade é bem outra...há pessoas se escondem sob o anonimato para dispersar todo tipo de ódio e ofensas (fora os atentados ao coitado do português).

No site onde eu trabalho, adoto uma regra mais ou menos assim: não deixo passar principalmente afirmações ofensivas e palavrões. Erro de português, fazer o que, seria chato restringir, então deixo passar (um exemplo de comentário aprovado hoje: "RIDICULO ALGUNS COMETERIOS ... DIZER OQ COM TAMANHA (INGUINORASIA)"

Comentário com preconceito...aí é difícil: deixo passar, desde que não seja algo que ofenda a uma outra pessoa. Vou dar um exemplo bem comum: gente que pede a volta da ROTA, da ditadura...adoraria não colocar esse pessoal no ar, mas acho que aí seria contra a liberdade de expressão.

O jornalista Ricardo Kotsho apresentou uma sugestão para colocar ordem na internet: a criação de um Cadastro Nacional de Internautas. Eu, particularmente, acho que a ideia não vingaria, mas e você?

Por fim, segue aqui post do jornalista Luiz Antonio Magalhães sobre o mesmo assunto, publicado no blog do Observatório da Imprensa sob o nome: "blogosfera desvairada".

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma pequena campanha em benefício próprio

Apenas divulgando, de forma humilde, uma reportagem que fiz hoje sobre essa praga que é a existência de propagandas eleitorais nas ruas, mesmo após o prazo. Foi um trabalho legal, que deu prazer em fazer.

O 'que se lixa' e o 'do castelo'

Gente, como esses nomes pegam...agora, o deputado Sérgio Moraes é o deputado "que se lixa", o Edmar Moreira, o "deputado do castelo". Eles mal imaginavam que, com sua fala infeliz (o primeiro) e sua obra faraônica (o segundo) passariam dos subterrâneos do baixo clero às manchetes dos jornais...

Mas se eles recebem essa publicidade, não é por "perseguição" da imprensa, e sim porque merecem. Afinal, com o país pobre como é, não faz sentido alguém construir um castelo (!) e não declarar ao Imposto de Renda, não repassar as contribuições dos pobres empregados....e o deputado que se lixa que não venha se justificar...não é aceitável, nos dias de hoje, que alguém se posicione de forma tão irresponsável perante a opinião pública.

Tomara que, daqui a quatro anos, a gente não justifique a frase: "a imprensa bate, mas a gente se reelege".

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lula encarando o povo




Tenho que dar aqui um espaço para essa foto do José Cruz, da Agência Brasil. Vejam o olhar do Lula para o cara, que é manifestante de um movimento por moradias no Distrito Federal. Eu achei impressionante a força desse olhar, do contato direto, sem julgar aqui a atitude do Lula, se boa ou má.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

POR FAVOR NÃO COMPREM NA LIVRARIA DO CAMPUS DA PUC

É assim, com letras garrafais e fugindo um pouco do tema do blog, que publico aqui o meu relato sobre um episódio de desrespeito ao consumidor (tenho certeza que todo mundo irá se identificar).

Pois bem, queria comprar um livro na livraria da PUC, já citada. Primeiro foi me dito que o prazo de entrega do exemplar era de cerca de uma semana, depois a conversa mudou e eles disseram que precisariam esperar a editora formar um grupo de pedidos, sem precisar a data da entrega.

Enfim, após três semanas, fui perguntar do dito cujo. A atendente, pasmem, me entregou um outro livro! Tive que explicar que aquele não era meu pedido. Depois, disse que ainda não havia chegado o exemplar.

Pedi para falar com os donos da loja. O máximo que consegui foi um cartão para que eu entrasse em contato. Com ele, liguei para a loja. A gerente disse que o dono ligaria. Depois, mandou um e-mail dizendo que não conseguiu me avisar da entrega porque o meu e-mail retornou (além do livro, também erraram o endereço do meu e-mail).

Liguei novamente para falar com o dono. Estou aguardando esse contato até agora.

Depois de toda essa lenga-lenga, cancelei o pedido e comprei por outra loja.

Gente, muita gente já viveu uma história como essa. Mas, por favor, me ajudem a mudar o final dela. Vamos começar a espalhar pela rede as empresas que nos desrespeitam, que nos maltratam...

Por isso, por favor peço: caso sejam alunos da PUC de São Paulo, por favor não comprem na Livraria do Campus. Escolham outro atendimento.

Porque hoje temos que priorizar quem nos respeita.

Desabafo: agora percebo como é difícil político prestar contas

Gente, por mais que se tenha uma ideia, agora que trabalho na área percebo de verdade o quanto é difícil exigir transparência de um político.

Eles não respondem (a não ser por algo de seu próprio interesse), e quem poderia denunciar, por exemplo, uma promessa não cumprida ou tem medo, por conta de represálias, ou simplesmente prefere a omissão e a auto-censura (que, aliás, eu admito também utilizar para a minha própria sobrevivência).

Não vou me esquecer de uma frase, dita por um deputado não muito conhecido, na última segunda-feira, quando um repórter do CQC estava no Congresso: "o povo não entra aqui, porque repórter tem que entrar".

Claro que também vou citar o exemplo dessa semana, do ilustríssimo Sérgio Moraes (PTB-RS), que disse estar "se lixando" para a opinião pública.

Quero acreditar que a reação está surgindo, que os políticos, os magistrados, os donos do poder não vão continuar sem ouvir "a voz das ruas", né Gilmar Mendes!

E é por isso que, mesmo com recursos limitados, eu insisto. Se um político não atende, tento o outro; se não posso dizer algo em reportagem, disso no blog.

É uma estratégia de sobrevivência e de esperança.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Dia de protestos no Planalto

Hoje foi um dia de protestos: primeiro, pela manhã, a galera foi protestar contra a PEC dos Precatórios. Aliás, aprovada como está, a PEC irá lesar de forma criminosa o bolso de milhares de brasileiros, pois dá aos municípios condições de eles jogarem pra frente dívidas que já deveriam ser pagas há muito tempo.

O segundo protesto aconteceu hoje à noite, quando manifestantes foram pedir a saída do ministro Gilmar Mendes do STF. "Gilmar Mendes: saia às ruas e não volte ao STF", dizia o movimento. Sinceramente, acho que tirar o cara não é a saída, melhor pressionar para que a Justiça seja feita, seja pra pobres ou ricos.

O terceiro protesto ocorreu de forma silenciosa, e pela internet. Os internautas comentaram indignados o fato de o senador Suplicy, justo ele, conhecido pela ética, ter cedido passagens aéreas à namorada. Precisamos fazer algo, senão a política irá ficar desacreditada de forma irreparável.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Projeto autoriza divulgação de gastos na internet

Um projeto aprovado na noite de hoje pela Câmara dos Deputados pode ter um efeito incrível nas relações entre a política e a rede: a proposta obriga a divulgação de informações, em tempo real, sobre as despesas dos governos na internet.

De acordo com o texto, as informações deverão ser detalhadas e de livre acesso a pessoas físicas ou jurídicas. Para o cumprimento das novas regras, serão concedidos de um a quatro anos de adaptação, dependendo do tamanho de cada município.

Mesmo assim, é um passo gigante pela democratização da informação pública na rede. Um grande passo foi dado hoje, mas precisamos fazer pressão para que esse projeto seja de fato aplicado e implementado.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Política e educação

Estes dois assuntos têm ocupado a minha cabeça, pois estou fazendo um trabalho da pós nesse sentido. Eu tenho percebido como a atuação política tem ajudado, ao longo do tempo, a perpetuar as desigualdades do nosso país. Olhando o resultado do último Enem, quem ficou com o título de campeã: uma escola que forma homens, católicos, brancos e integrantes da elite. Quando houve alguma mudança real na política educacional do país?

Achei interessante o comentário feito pelo blog do Kotsho: ele postou sugestão do senador Cristovam Buarque para que os filhos dos políticos estudassem em escolas públicas. Hoje, todo mundo acha isso inviável, mas por que não?

terça-feira, 28 de abril de 2009

E a farra municipal das passagens?

Finalmente a Câmara pôs um fim na farra das passagens aéreas. No entanto, infelizmente, ainda podemos ver pouquíssimos exemplos desse "vento moralizador" nas administrações municipais.

Afinal, quanto ganha um vereador? A quais benefícios eles têm direito?

Estou tentando fazer uma reportagem sobre esse assunto, mas o tema esbarra na pulverização dos dados das prefeituras. No meu caso, como eu trabalho em uma região de sete municípios, preciso recolher os dados de todas as prefeituras, aí cada uma manda a informação do jeito que quer, e a coisa vira uma salada incrível...

Pra dar o devido crédito, uma iniciativa que ajuda a trazer um pouco de luz a essa realidade é o projeto Adote um Vereador, do jornalista Milton Jung.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Congresso em Foco é o cara

O site que está fazendo a maior parte das denúncias envolvendo a farra das passagens do Congresso é o Congresso em Foco. O lugar tem uma equipe enxuta que acompanha, por meio da internet, o trabalho dos parlamentares.

Espero que esse seja o futuro do jornalismo político do país: cada vez mais, jornalistas antenados irão utilizar os recursos da web para colocar na berlinda o que fazem nossas excelências com nosso excelentíssimo dinheiro.

Parece que adivinhando o que eu iria colocar por aqui, o colega Marcelo Soares fez um ótimo post sobre o Congresso em Foco. Leia aqui.

E, por final, que vontade de ir agora pra Brasília pedir emprego na porta do Congresso em Foco! Se não precisasse tanto de dinheiro (e se não tivesse namorado), talvez me desse a louca e eu iria. Mas, se alguém tiver um projeto semelhante para São Paulo (quem sabe uma sucursal paulista do site), por favor não se esqueça de mim!!!!

sábado, 25 de abril de 2009

Escrever para a web: um novo desafio

Resolvi dar uma passada rápida em um livro legal, "Como escrever para a web", do Centro Knight de Jornalismo nas Américas. Acho que todo mundo que se interessa por Jornalismo deveria ler esse livro (ah, e tem a versão em português!)

Como é difícil escrever para a web! Gente, antes de trabalhar na área, não sabia as diferenças entre captar a atenção do leitor online e do leitor impresso. O leitor online é mais dinâmico, ele 'escaneia' as palavras do canto esquerdo da tela para o lado e para baixo (como um bumerangue, foi a imagem que encontrei).

O texto sugere escrever mais na ordem intertida, principalmente os títulos, para que as duas primeiras palavras chamem a atenção do leitor. Foi o que tentei fazer: ao invés de dizer 'é um novo desafio escrever para a web', resolvi usar as palavras 'escrever' e 'web' no topo pra atrair mais a atenção. Esse assunto ainda vai render muitas discussões e estudos...estamos só começando!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Professor Ventura: o que aconteceu?

Desculpe fugir um pouco do tema do blog, mas preciso fazer aqui um breve comentário sobre um tema que me chocou hoje: a assassinato e suicídio envolvendo o professor Renato Ventura Ribeiro.

Consultei o professor por mais de uma vez a respeito de reportagens que estava fazendo sobre direito eleitoral, sua especialidade. Ele se mostrou sempre solícito, inteligente, simpático e prestativo. Fico sem entender o que aconteceu. Por quê?

Lembro de um episódio que aconteceu quando eu era criança. Sempre pegava caronha com um vizinho, cuja filha era minha coleguinha. Até que um dia a minha mãe veio falar comigo. Eu tinha uns nove anos. Ela me contou que, naquele dia, o vizinho, pai da minha colega, havia assassinado a mulher a golpes de machado.

Nunca consegui entender porque as pessoas fazem coisas como essas. Mas sempre fico intrigada.

Pensando no sofrimento do povo

Bem, o clima tá quente no Congresso, afinal tivemos nesta semana o escândalo das passagens e o bate-boca entre os ministros do Supremo.

Mas eu queria mesmo é relacionar essas notícias ao sofrimento do povo. Vamos aos fatos:

O povo, a bem da verdade, mal sabe o que significa o PAC (usando como o exemplo o desconhecimento da Scheila Carvalho nessa questão no CQTeste desta semana);

Ele forma filas e fica desesperado pela esperança de conseguir uma casa no programa do governo (veja aqui um artigo do brilhante Ricardo Kotsho sobre esse e outros assuntos);

Por fim, o povo tem uma percepção de que mesmo não se dizendo antes que era errado, nunca foi correto fazer caridade com o chapéu alheio (vide os deputados que "ajudavam" os parentes e amigos financiando passagens com dinheiro público).

Eu nunca deixo de ficar indignada com o fato de pensar o quanto não se pensa no povo. Será que o deputado que defende as passagens aéreas já lembrou que esse dinheiro poderia ser usado para pagar a merenda escolar?

Será que essas pessoas andam (ou já andaram) de ônibus lotado? Sabem como é?

Hoje eu fiz uma reportagem sobre um espaço público (uma chácara) em São Bernardo que está fechado desde 2007, quando as obras foram embargadas. Fiquei indignada com o assunto.

Gente, é um absurdo que um espaço esteja fechado porque ninguém entra em acordo sobre o que deve ser feito com o local. A representante da ONG, responsável pelo espaço, disse: ah, mas o mato está sendo cortado, a prefeitura está cuidando direito. Mas e o povo? Já pode visitar o local? Nãooooooo..... E quando irá visitar? Não sei....

Como jornalista, tento sempre lembrar, no meu trabalho, do quanto a função é importante para a cidadania e do quanto o povo precisa do meu trabalho.

Nunca vou me esquecer de um promotor que me disse, em uma entrevista, que roubar dinheiro da merenda deveria ser um crime, como o homicídio. Por que não é?