segunda-feira, 25 de julho de 2016

Comunicação, causas, diversidade e o que as empresas têm a ver com isso

Cada vez mais as organizações têm se engajado em causas como empoderamento feminino, sustentabilidade, responsabilidade social, valorização da diversidade e voluntariado. Mas de que forma fazer isso funcionar na prática?

A Pelado Real Esporte e Arte, que atua em esportes femininos, é um exemplo de instituição que busca a diversidade. A instituição realizou uma campanha para levar jovens do Centro Olímpico para participar de um treinamento. Abaixo segue o vídeo da campanha “Nem toda menina nasceu para ser bailarina”:



Outra campanha muito bacana, que conheci durante o Congresso do Gife foi a “É da Nossa Conta”, contra o Trabalho Infantil e Adolescente. Esta ação foi da Fundação Telefônica em correalização com OIT e Unicef. Segue outro vídeo, este com a Daniela Mercury, divulgado pela Alma Comunicação de Causas:


Toda empresa pode (e deve) se engajar em diversas causas, e isso independe do tamanho da instituição. Seguem algumas sugestões: meio ambiente, empoderamento feminino, diversidade, LGBT, idosos, pessoas com deficiência. Estas iniciativas contribuem para o aumento da diversidade.

E isso gera valor para o meu negócio?

“Diversidade deixou de ser uma opção para as empresas. Diversidade é considerada hoje um fator importante para o modelo de negócio de qualquer organização”.

Valorizar a diversidade é abrir mão do mérito?

“A valorização da diversidade sugere enfrentar preconceitos e práticas de discriminação centrando-se no mérito. Significa não deixar de contratar alguém que é um ótimo profissional, mas...(é mulher, é homossexual, é pessoa com deficiência e assim por diante). Onde há ‘coincidências’, com uma equipe toda muito parecida, geralmente não se levou o mérito efetivamente em consideração”.

As palavras citadas acima são da cartilha de diversidade distribuída pela Amcham (Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos) e elaborada pelo consultor Reinaldo Bulgarelli. Recebi este material no último Café da Rede Mulher Empreendedora, da Ana Fontes.

Há outras fontes sobre este assunto como os Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis.
Além disso recomendo instituições como a Txai Consultoria, o Instituto Fonte, o Instituto Arapyaú, a Cause, e por aí vai.

Ideia é o que não falta. Agora é a hora de arregaçar as mangas e de promover causas por aí.

P.S: Joguei as palavras deste artigo no site Wordle e ele gerou automaticamente a nuvem de tags acima. Vou fazer uma brincadeira e colocar também outra nuvem abaixo, com as mesmas palavras (olha só que exemplo prático de diversidade). Abraços




quarta-feira, 20 de julho de 2016

Esporte, mulheres e negócios...mais fortes e unidos do que nunca!



Comecei a trabalhar com esporte em 2013. Conheci ídolos como Raí, Ana Moser, William Machado, Patrícia Medrado, Mauro Silva, pessoas que me mostraram o quanto o esporte é vital para o desenvolvimento humano. Já escrevi, aliás, um artigo sobre como passei a gostar de esporte mesmo no LinkedIn.

Gosto de levar a mensagem do esporte para mais pessoas, em especial para mais mulheres. E nesta jornada levou a novos dados e a novos desafios.

Vamos aos dados

Os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs, na sigla em inglês) são sete passos para orientar o meio empresarial sobre como delegar mais poder às mulheres no ambiente, no mercado de trabalho e na comunidade. Várias empresas, inclusive no Brasil, já são signatárias do movimento.

Além disso, vale destacar o Movimento Eles por Elas, o HeforShe (na sigla em inglês), um Movimento de Solidariedade pela Igualdade de Gênero. Criado pela ONU Mulheres, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, ele é esforço global para envolver homens e meninos na remoção das barreiras sociais e culturais que impedem as mulheres de atingir seu potencial, e também ajuda homens e mulheres a modelarem juntos uma nova sociedade.

Vi como as marcas estão começando a abraçar a causa do empoderamento feminino por meio do esporte. O Game Fifa 16, por exemplo, foi o primeiro a incluir seleções femininas.

Já o projeto “Uma Vitória Leva à Outra” é um programa conjunto entre ONU Mulheres e o Comitê Olímpico Internacional que tem como objetivo criar espaços seguros para que meninas de 10 a 14 anos possam praticar esportes, se conhecer melhor e adquirir habilidades para a vida.

Irei abordar a seguir meu próximo passo.

Agora é que são elas

Nesta semana a minha cunhada, Júlia Vergueiro, apresentou para mim um novo desafio. Ela é fundadora da Pelado Real Futebol Clube, uma empresa que, desde 2011, realiza eventos esportivos voltados para mulheres.

O público da empresa é formado pelas “atletas não-oficiais”, mulheres que gostam de se cuidar e que enxergam o esporte como uma excelente ferramenta para conquistar isso de forma prazerosa e divertida.

O convite da Júlia é para que eu ajude a prospectar novas oportunidades de negócio. A organização atua em três frentes: prática e lazer (com o Pelado Real Esporte Clube), as clínicas de futebol (neste ano haverá o Soccer Camp #DonasdaRua) e há também a produção de conteúdo, com parcerias com portais como o Dibradoras e o Olga Esporte Clube.

Aceitei, honrada, a proposta. Estou animada com a perspectiva de ajudar a fazer com que mais e mais mulheres pratiquem esporte.

Começo essa jornada inspirada pelos exemplos de outras profissionais que conheci e que dedicam a sua vida a fazer com que o esporte seja um pouco mais de cada um de nós. Gente como Fabiana Bentes (Sou do Esporte), Neide (Vida Corrida), Beth Romero (Se Joga Beth), Renata Mendonça (BBC e Dibradoras), Dani Forrester (Rio 2016), Daniela Castro e toda a equipe (Atletas pelo Brasil e REMS). Vocês estarão sempre no meu coração.

Espero ser bem-sucedida neste novo desafio que une esporte, mulheres e negócios. Acredito que a mascote aí da capa vai me dar muita sorte!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Era só para ser uma foto do LinkedIn. Virou um retrato da alma



Após participar do Networking Conference SP, comecei a perceber a importância da imagem para a nossa apresentação pessoal. Marquei com o fotógrafo Alessandro Couto, que estava no evento, uma sessão de fotos em seu estúdio pois queria melhorar a minha imagem no LinkedIn.

O que eu não esperava é o quanto este retrato iria revelar e o quanto ele me mudou.

Para começar: agora eu sei porque a Gisele Bundchen é tão bem-sucedida (risos). Como foi difícil fazer essa foto! Eu me sentia como na época em que estava aprendendo a dirigir, já que havia várias coisas para coordenar ao mesmo tempo: a luz, a câmera, o sorriso, a posição do corpo.

No começo eu não conseguia olhar para a câmera; depois, passei a olhar, mas não conseguia articular essa ação com o resto do rosto; até que, muito tempo depois, saiu o resultado que está aqui exposto no meu perfil.

O Alessandro foi ótimo porque foi paciente e guiou o caminho que eu precisava seguir. E que caminho era esse?

Uma foto nada mais é do que uma ação de comunicação. E boa comunicação se faz ao entender o mundo levando-se em conta a perspectiva do outro.

A melhor imagem surgiu na hora em que passei a imaginar de verdade que havia outra pessoa do outro lado.

É como se, de repente, eu estivesse olhando através do espelho e, mais do que isso, estivesse sentindo uma certa simpatia por essa pessoa imaginária.

Isso só foi possível com uma mudança de atitude.

Sempre fui uma pessoa comunicativa e que adora tirar fotos, em especial de paisagens. A foto que ilustra este post é minha. Tirei ao ver o lago de Como, na Itália, e me encantar com tanta beleza.

Percebi é que não costumava me encantar com a minha própria beleza. Eu não costumava fazer selfies (aprendi com o Alessandro que é uma ótima forma de praticar o retrato), não costumava me olhar no espelho da forma como estou olhando agora, enfim, eu estava mais fechada do que poderia ser.

A foto me mostrou que o caminho para ser um profissional e uma pessoa cada vez melhor é a partir do autoconhecimento. Quando nós nos amamos, sabemos o que queremos; quando aceitamos fazer diferente, fazemos de uma forma mais feliz e leve.

Eu nunca tinha feito foto semelhante a esta em toda a minha vida. Tive que arriscar.

Gostei.

Alessandro, irei aceitar o seu convite para um próximo café, adorei o encontro. E passei a seguir a Gisele Bundchen, quem sabe a gente se conhece no futuro e toma um café também?

* Publicado originalmente no LinkedIn.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Carta aberta ao Brasil a um mês da Rio-2016

Brasil, a 30 dias para o início dos Jogos Olímpicos Rio 2016, você sabe que o cenário é preocupante.
O governo do Rio de Janeiro decretou calamidade pública e possui um rombo nas contas públicas de R$ 19 bilhões. A prometida linha do metrô vai estrear a quatro dias do início dos jogos (míseros quatro dias de antecedência!) e os compromissos ambientais não foram cumpridos. O FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que o PIB brasileiro irá encolher 3,8% neste ano.
Estas notícias podem ser vistas em detalhes na imprensa (recomendo a você estas reportagens da BBC e da Folha de SP que saíram hoje).
Brasil, eu quero nesta carta é te mostrar como os Jogos e a economia estão afetando a minha vida e a minha carreira ao longo destes anos.
Antes da crise
Em outubro de 2009, quando os Jogos Olímpicos foram anunciados, confesso que pouco pensava em esporte, ou em Rio 2016. Aquele foi o primeiro ano em que houve retração no PIB (0,2%) e o primeiro resultado negativo da economia desde 1992.
Na época, eu não percebi os efeitos desta retração no bolso. Pelo contrário, no ano seguinte consegui um emprego mais bem remunerado na esteira do crescimento de 7,5% registrado na economia em 2010 (foi a maior taxa desde o Plano Cruzado).
Em 2012, eu fiz o meu casamento. Lembro que ainda pairava um clima otimista entre meus familiares e amigos, embora a desaceleração da economia começasse a tomar corpo. Naquele ano a economia brasileira cresceu apenas 0,9%, pior resultado desde 2009.
Em 2013, fui para o Terceiro Setor e comecei a trabalhar com política esportiva. Daí eu entendi melhor a importância de um legado para os jogos e o quanto o Brasil precisa evoluir, em termos de políticas públicas, para ser um país mais justo e menos desigual.
De lá para cá percebi a maré virando. Os relatos de amigos que estavam perdendo o emprego aumentavam. Em 2015, a economia encolheu 3,8%, pior resultado em 25 anos. Eu continuava otimista, tanto que comprei ingressos para os Jogos Rio 2016 nos primeiros lotes, mas comecei a me preparar pois sabia que poderia chegar a minha vez.

Durante a crise

 
Neste ano, a minha vez chegou. Passei a integrar a estatística dos 11,4 milhões de desempregados (em São Paulo são quase dois milhões de pessoas). E não estou só. Brasil, preciso te contar. O desemprego atingiu a minha vizinha de andar. O vizinho do andar de baixo. Atingiu vários amigos e conhecidos. Quem está empregado convive com o medo do corte e com a sobrecarga de serviço causada pela falta dos que se foram.
Como eu já estava me preparando, quando o corte chegou eu estava bem melhor do que muita gente que vejo por aí. É claro que é difícil. Acredito que a pior parte da crise é a incerteza e a dificuldade em se fazer planos de longo prazo.
Mas, ao mesmo tempo, a crise me deu a oportunidade de repensar a minha vida e a minha carreira. Deu a oportunidade de ter mais tempo para estudar e refletir.
Eu me abri para pessoas novas, desenvolvi novas habilidades e, com tudo isso, virei uma profissional melhor. Tenho certeza disso e trabalho diariamente em busca de uma recolocação (sei que ela virá).

Após a crise

 
No entanto, eu temo por você Brasil, e por isso faço esta carta. Será que você aprendeu a lição? Você sairá melhor desta crise? Aproveitou esta oportunidade para repensar suas prioridades?
Acredito que um dos grandes problemas que temos hoje é a falta de um projeto de nação, da união do povo em torno de um objetivo comum, e isso ocorre por meio da educação.
Encerro esta mensagem com um artigo belíssimo de Rubem Alves que fala um pouco dessa questão. Ele escreveu uma carta ao ministro da Educação em 1998 que continua atual.
“É a beleza que engravida o desejo. São os sonhos de beleza que têm o poder de transformar indivíduos isolados em um povo. (...) Se o Ministério da Educação for só um gerenciador dos meios escolares, será difícil ter esperança. Pensei, então, que o ministério talvez tivesse poder e imaginação para integrar os meios de comunicação num projeto nacional de educação: semear os sonhos de beleza que se encontram no nascedouro de um povo. Assim, realizaria a sua vocação política de criar um povo. (...)”
Brasil, esta é a mensagem que eu gostaria de te deixar. Vem do trecho final do artigo:
“Da educação pode nascer um povo”.
* Publicado originalmente no LinkedIn Pulse