Atualmente, uma das grandes questões que envolvem a internet diz respeito à viabilidade econômica dos veículos. Muito se discute, mas pouco consenso existe quanto a qual modelo seria mais viável, se é interessante manter “aberto” ou “fechado” o conteúdo dos portais de informação na rede mundial de computadores.
Para ir além desta polêmica, gostaria de contar a história da jornalista norte-americana Lindsay Hoshaw – que se auto-apelidou de Garbage Girl, ou “a garota do lixo” - e de como ela se tornou um exemplo das alternativas que surgem para o financiamento de reportagens.
Ela é uma repórter freelancer, da região da Califórnia, especializada em Meio-Ambiente. Ela queria fazer uma reportagem sobre uma larga faixa de lixo que cobre parte do Oceano Pacífico. O The New York Times interessou-se pela história, porém não se dispôs a cobrir os custos da reportagem.
A fim de obter os US$ 10 mil necessários para realizar a viagem de barco que a levaria à “massa de lixo flutuante”, ela procurou o site Spot.us, uma organização que ajuda repórteres a obter doações para seus projetos. Veja o vídeo em que ela explica sua empreitada:
A questão gerou polêmica: para alguns, a história soava como exploração. O The New York Times “forçando uma repórter a implorar com uma caneca virtual”. Hoshaw não pensava assim: para ela, era uma oportunidade que não poderia deixar passar. Para o Spot.us, era uma forma de o público financiar o jornalismo desejado. Já o The Times, em artigo, disse que era “um passo em direção a um mundo inimaginável poucos anos atrás”.
Hoshaw obteve o financiamento, fez a viagem - usando um blog e um álbum do flickr para mostrar todos os ângulos da matéria – e, por fim, saiu a reportagem no Times (que muitos acharam incompleta, por não expor o lado humano da viagem, como no blog).
A própria jornalista, em seu blog, fala sobre a experiência: “as pessoas querem se sentir conectadas às histórias que elas estão lendo e às pessoas que as escrevem. As pessoas querem contribuir, querem ser parte do processo”.
Ou seja, neste modelo, mais colaborativo, as pessoas se sentiram mais parte da história, afinal elas contribuíram financeiramente, acompanharam o dia-a-dia de Lindsay, comentaram, enfim, estiveram próximas.
Longe de considerar este “financiamento colaborativo” de reportagem o futuro único da internet, é importante observar os modelos novos que estão surgindo, afinal, se o sisudo The New York Times abriu-se a esta alternativa, é sinal de que a história de Lindsay é parte do futuro do jornalismo.
Quem quiser saber mais sobre este caso:
- Blogueiro Maurício Stycer, do IG: “NY Times” aceita financiamento externo para reportagens
- Artigo do site Mashable: Lixo ou tesouro? The New York Times tenta “Crowdfunding” (algo como financiamento coletivo) – em inglês
- Jeff Jarvis, do Huffington Post: Caridade ou colaboração para o The Times? – em inglês
- Perfil da Lindsay Hoshaw no Twitter: “The Garbage Girl” (a garota do lixo – em inglês)