Começando a sessão "férias" dei início às leituras que deveria ter já deveria ter feito...nesta lista está o clássico "O Príncipe", de Maquiavel. Havia lido faz um tempão, então esta vez conta como leitura inaugural da obra.
O livro, sem dúvida, contém ensinamentos úteis para quem deseja exercer a arte do poder. É claro que não concordo com tudo, inclusive com a frase mais famosa da obra - "os fins justificam os meios" - até porque, na opinião de Maquiavel, os homens são maus em sua essência, opinião diferente da minha.
Além disso, suas ideias têm embutidas, novamente na minha leitura, um conceito de que as coisas são assim e não irão mudar; enquanto acredito muito mais na evolução, de que a sociedade ao longo dos tempos aprendeu a ser menos bárbara, menos violenta e mais civilizada.
Não sei se estou me fazendo entender, mas vamos lá... Feitas estas observações, vou colocar abaixo os pontos que considero mais interessantes da obra para os dias de hoje.
Ele fala que um príncipe deve morar no terreno conquistado ou nele formar colônias. Nisso entendo aquele ditado bem brasileiro: "o olho do dono engorda o gado", ou seja, é importante manter firme o controle sobre uma posição que se deseja ocupar e se fazer presente.
Também é bacana a parte em que ele alerta para o perigo das inovações: "quem toma a iniciativa suscita a inimizade de todos os que são beneficiados pela ordem antiga, e é defendido tibiamente por todos os que seriam beneficiados com a nova ordem". Ou seja, trocando em miúdos, só invente, em um novo domínio, quando tiver certeza de sua força, do contrário, pode se surpreender com a falta de apoio.
Também gosto da parte em que ele diz que é necessário apoiar os aliados pequenos e enfraquecer os grandes, que podem ameaçar seu domínio. Nisso penso em tantas batalhas que as empresas enfrentam, e como hoje cada vez mais elas se aliam de formas antes inimagináveis...
Outro destaque: limite suas ambições. "O desejo de conquista é algo muito natural e comum; aqueles que obtêm êxito na conquista são sempre louvados, e jamais censurados; os que não têm condições de conquistar, mas querem fazê-lo a qualquer custo, cometem um erro que merece ser recriminado". Em bom português: cuidado com o que se deseja...
Ele ainda defende que o governante sempre pareça ter boas qualidades, mas que ele saiba também aparentar estas características e praticar a crueldade, se for algo necessário para que ele mantenha o poder.
Ah (este post está ficando longo), outro ponto que lembra os nossos políticos: para Maquiavel, se vc tiver que adotar uma medida impopular, aja de uma única vez e, de preferência, por meio de intermediários; já os benefícios devem ser concedidos diretamente pelos governantes e aos poucos, para que a população sinta mais os efeitos positivos (algo a ver com as nossas inaugurações destes últimos dias?)
Bem, pra terminar, neste ano, estamos em uma grande batalha, as eleições. Grupos políticos tentarão prevalecer sobre outros, usando em muitos momentos os ensinamentos de Maquiavel. Eles tentarão parecer honestos, íntegros e leais, mas na verdade podem mudar a palavra empenhada e até nos prejudicar se assim for necessário para que eles mantenham seus projetos de poder.
Cabe a nós, na minha opinião um povo muito mais evoluído do que na época de Maquiavel, avaliar quais opções políticas são melhores e, principalmente, limitar, controlar o poder dos políticos, para que eles tenham que prestar contas e desta forma agir em prol não somente deles mesmos. Ufa! Terminei.