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Hoje, olhando para trás (participei do projeto Reprograma há cerca de um
ano), posso dizer que o projeto é muito mais do que ensinar tecnologia para
mulheres. Trata-se de uma iniciativa que valoriza e resgata o mais
profundo potencial feminino, o que contribui para a melhoria das mulheres e da
sociedade como um todo.
As mulheres foram, ao longo da história, domesticadas, infantilizadas e
tratadas como propriedade.
“A mulher que se enfeitava despertava suspeitas. Um traje ou o próprio
corpo alegre aumentava o risco de ela ser agredida ou sofrer violência sexual”.
Essas são palavras do livro de Clarissa Pinkola Estés, “Mulheres que correm com
os lobos”.
“Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características
psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada
capacidade para a devoção. (...) Têm uma determinação feroz e extrema coragem”,
complementa a autora.
Eu acredito firmemente que o Reprograma colabora para esse resgate do
espírito selvagem feminino.
Isso porque é um ambiente em que elas se sentem à vontade, junto de
outras mulheres, para questionar, para inventar, para criar, para descobrir
juntas as maravilhas do mundo tecnológico. Trata-se, sem dúvida, de uma
política afirmativa.
Isso gera reflexos positivos no mercado de trabalho - já que existe uma
alta demanda no setor de tecnologia da informação – e em toda a comunidade.
É importante colocar aqui como os homens podem ser beneficiados
por uma política voltada a mulheres, já que algumas vezes este ponto é
pouco compreendido.
Existe, inclusive, um debate forte a respeito das políticas de
diversidade no setor de tecnologia após um manifesto ter sido divulgado por um
funcionário do Google (você pode conferir o texto
completo, em inglês, aqui).
No texto, chamado “Câmara de Ressonância do Google”, o empregado
argumenta que as mulheres são sub-representadas no setor de tecnologia não
porque enfrentam discriminação no local de trabalho, mas sim por causa das
diferenças psicológicas inerentes entre homens e mulheres.“Precisamos parar de
assumir que as lacunas de gênero implicam sexismo”, escreve.
A nova vice-presidente de Diversidade, Integridade e Governança do
Google, Danielle Brown, respondeu ao memorando interno [o texto dela está ao final do
memorando, no mesmo link]. Entre outros pontos, ela ressaltou
que “nós estamos convictos de que diversidade e inclusão são críticos para
nosso sucesso como companhia, e nós continuaremos defendendo e nos
comprometendo com isso a longo prazo”.
A respeito deste assunto, a minha opinião pessoal é a seguinte: assim
como a verdadeira alma feminina é sufocada, a verdadeira alma masculina também
o é.
Por que o homem não pode chorar e ser sensível, por exemplo? Quem
inventou isso? Trata-se de uma opressão violenta que existe em nossa sociedade.
Creio que todos temos um pouco de “masculino” e de “feminino” dentro de nós, em
maior ou menor grau. E que um ser saudável depende do estímulo a estas duas
facetas.
O que eu disse agora parece soar incompatível com ambientes “para
mulheres”, como é o Reprograma, mas é aí que mora o engano.
Locais em que as minorias sejam encorajadas e estimuladas a explorar os
seus limites são fundamentais para que elas tenham condições de alcançar todo o
seu potencial.
E, da mesma forma, ambientes que valorizam a diversidade e que abraçam a
pluralidade do ser humano tendem a ganhar com seres melhores e mais completos.
É nisso que acredito. E por isso só tenho a agradecer pela contribuição
do Reprograma na minha trajetória.


