terça-feira, 30 de junho de 2009

Duas reportagens bacanas sobre política e internet

Em primeiro lugar, fiquei meio sumida, um pouco por causa do excesso de trabalho. Mas gostaria de falar aqui sobre dias matérias que fiz recentemente relacionadas ao crescente interesse dos políticos pela internet (não posso enviar links para os textos, pois o site do DGABC está fora do ar já faz algumas horas!)

A primeira notícia disse respeito a essa onda que está sendo no twitter o #forasarney. Acho que está sendo a primeira mobilização política que conheço feita por meio das redes sociais da internet. Embora a campanha tenha alguns tropeços (entre eles o pedido para a participação do Ashton Kutcher, detalhado pelo Blog do Stycer), para mim o balanço é pra lá de positivo.

É tão difícil fazer os jovens se interessarem por política, que essa iniciativa sem dúvida pra mim é o caminho do que faremos, em termos políticos, no futuro: os protestos de "cara-pintadas" da web.

Mesmo no site, a reportagem sobre o #forasarney foi uma das mais lidas da semana: ao todo, 1.815 visitantes únicos. Obrigada a todos os que leram e comentaram o material!

A segunda notícia fala sobre a propaganda política na internet. Estive trabalhando neste texto, e pude ver que não há nenhum acordo em torno desse assunto: cada um fala uma coisa. As únicas coisas que parecem ser comuns são a vontade de todo mundo de mudar a legislação restritiva de hoje, mas sem transformar a rede em terra dos "foras da lei". Como encontrar o meio-termo? Acho que ninguém sabe dizer.

Por fim, queria fazer aqui o meu agradecimento ao jornalista Fernando Rodrigues, que me passou o texto do anteprojeto de reforma eleitoral que está sendo discutido na Câmara. Sem ele, não teria saído reportagem. Nem sempre a gente consegue ajuda desses "figurões", por isso faço questão de deixar aqui essa mensagem.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Projeto webrepórter Rede TV!

Hoje eu fui à Rede TV! pra fazer parte de uma seleção para um projeto que eles têm de webjornalismo. A coisa funciona de forma bem independente: eles cedem o equipamento (uma câmera que parece um celular, um laptop e um microfone) e você vai, por conta e risco, fazer reportagens...eles têm pautas para encaminhar, mas também há espaço para sugerir assuntos.

Então, você envia pela internet os vídeos e o pessoal da TV aproveita. Você recebe por matéria aproveitada. Existe ainda uma 'ajuda de custo' mínima pra quando, por exemplo, você vai para um lugar mandado pela emissora e, no nosso jargão, a pauta 'cai' ou seja, a pessoa não comparece, o evento não rola, enfim, não dá pra fazer a reportagem por algum motivo.

A comunicação seria feita primordialmente pela internet, com os repórteres cobrindo assuntos nas regiões próximas de onde eles vivem.

Fiquei animada com a proposta. Acho que a gente caminha pra isso mesmo, para a produção de conteúdo independente, colaborativo, que é algo bem nos moldes do que a internet propõe.

Agora, também é bom assinalar que com o que eles pagam (pouco) não vai dar pra viver de webvídeos. O jeito vai ser tentar conciliar o meu atual emprego e esse projeto.

Tem mais uma coisa que eu preciso conciliar no plano prático: é difícil fazer pautas na rua sem carro, e não sou uma pessoa 'motorizada'. Vou precisar ver isso...

Mas enfim, isso se eu for chamada, vamos aguardar...até lembro de uma vez em que eu vendi uma foto, quando houve a visita do papa, ao projeto de fotorepórter do estadão. Fiquei tão orgulhosa por usarem o material...quem sabe não seja esse o meu futuro: ser uma webfotoblogjornalista (rsrsrs)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Lula e o campo ético

Acho que o nosso presidente possui muitos méritos, mas fico preocupada quando vamos para o lado ético. Veja esse caso no Senado: porque o Lula não se mostra indignado com o fato de que no Senado tantos atos, tantas ações, permaneceram por mais de uma década secretos, sigilosos, escondidos do público e a serviço dos piores interesses.

Hoje o Lula criticou (mais uma vez) a imprensa. Segundo ele, os escândalos do Senado ganham mais espaço no noticiário do que a geração de empregos no País.

Será que os escândalos ganham espaço porque a opinião pública acha errado manter ações escondidas da sociedade?

Será que o Lula concorda com essa falta de transparência, com essa bagunça no Senado que, na minha opinião, ocorre porque no Brasil se criou esse costume de confundir o público com o privado?

Acho que a melhor frase sobre o assunto li no Blog do Josias:

"No campo ético, Lula virou uma biografia em suspenso. Tornou-se, ele próprio, um Sarney. Com uma diferença: não lê Eça de Queiroz no original".

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Blog da Petrobras e os pequenos veículos

Fiz, como postado mais abaixo, uma reportagem sobre o Blog da Petrobras, o Fatos e Dados. Pois bem, fiquei esperando que a Petrobras, a exemplo dos demais veículos, publicasse as questões relativas à minha matéria.

Mas não houve sequer menção ao fato. Conversei com uma colega, que trabalha no Diário de Mogi, que disse ter sido tratada da mesma forma. Então fiquei pensando: será que a transparência da Petrobras só vale para os grandes veículos?

Como não gosto de deixar as pessoas sem resposta, enviei ao assessor da Petrobras a questão. Ele me ligou agora para dizer que não se trata de uma seleção, vamos dizer assim, "vamos dar preferência só pra Folha, Estadão e afins".

Na verdade, diz ele, as minhas questões não foram publicadas por se tratar de um tema já abordado por outros veículos.

Então, sugeri ao assessor: porque a Petrobras não reúne todas as questões semelhantes apresentadas pelos jornais e não publica por tema, para que todos apareçam no site? Ele gostou e disse que irá apresentar a ideia. Vou pagar pra ver.

Essa é mais um exemplo da batalha diária de quem trabalha fora da chamada "grande imprensa", tipo Globo, Folha etc...A gente é mais sufocado, o trabalho tem menos visibilidade. É a luta do anão contra Golias, mesmo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pontos de cabeça fria sobre o fim do diploma

Muito li e pensei muito mais ainda sobre essa questão da obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

Uma das argumentações mais sensatas que li durante toda essa polêmica foi por parte do Maurício Stycer, do Ig, contra a obrigatoriedade do diploma, mas favorável à regulamentação da profissão.

Acredito ser importante que o jornalista tenha curso superior e também uma especialização. Estamos no tempo do mundo real, em que a comunicação é cada vez mais fluida, mais livre, e precisamos lidar com isso. Esse é um dos pontos.

Outro ponto diz respeito à qualidade da imprensa e à proteção dos profissionais de imprensa, especialmente nos pequenos veículos. Como vai ser, se eles não precisam ter jornalistas formados? Vai aumentar a manipulação? Eles vão incluir mais apadrinhados nas redações?

É claro que me preocupo, afinal sou uma profissional de imprensa, e quero manter e melhorar de emprego. Vivo hoje do jornalismo regional, não no da Folha, do Globo, que nesses lugares sempre se prezou pela qualidade.

Em relação a esse segundo ponto, espero que o fim do diploma não prejudique o trabalho da grande maioria da imprensa do país, que não vive nas mega e baladadas redações. Mas, na verdade, a gente vai precisar pagar para ver.

Por final, quem me conhece sabe que sou uma pessoa otimista. Afinal, toda crise abre uma janela de oportunidade. Então, porque essa não pode melhorar a discussão do Jornalismo brasileiro? Melhorar os cursos de Jornalismo existentes?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bastidores da reportagem sobre os blogs políticos

Como disse aqui, iria contar como foi fazer a reportagem sobre os blogs de políticos. Pensei em fazer uma coisa mais geral, depois foquei no Blog da Dilma, no Twitter do Serra (já que os dois são os principais pré-candidatos em 2010) e queria também falar sobre o blog da Petrobras.

Primeiro falei com a Petrobras, que só fala sobre o assunto por meio da assessoria de imprensa, por escrito, e com umas respostinhas beeeem genéricas.

Mas, por outro lado, o assessor foi rápido, atencioso, e prometeu o mesmo tratamento para todos os veículos (eu, que trabalho hoje pra imprensa regional e já fui de veículo grande, percebo a diferença de tratamento).

Depois, o blog da Dilma. Queria muito falar com o editor por telefone, mas a ideia foi cortada pelo meu chefe por contenção de gastos (o editor mora no Ceará). Então o jeito foi falar por e-mail.

O editor Daniel "Pearl" fez um post no blog "antecipando" que eu iria fazer a reportagem. Essa é nova: agora é a fonte que antecipa a reportagem!

Enfim, gostei de fazer o texto e espero me aprofundar cada vez mais nos intercâmbios entre política e internet.

Aliás, se alguém souber de algum livro ou algum texto que aborde internet e política, aceito sugestões.

Sobre o discurso do Sarney: blog do Josias já disse tudo

O Blog do Josias já disse tudo e mais um pouco do que eu gostaria de falar sobre o discurso do José Sarney feito hoje. O nome do post, aliás, leva a frase: "a crise é do Senado, não a minha".

Como alguém que comanda uma Casa pode não assumir a responsabilidade por ela????

Reportagem minha sobre Blog da Dilma e Twitter do serra

Saiu hoje no Diário OnLine uma reportagem minha sobre o Blog da Dilma e o Twitter do Serra. A intenção é mostrar que os dois principais candidatos à sucessão do Lula possuem presença crescente na rede. Fiz outra reportagem, relacionada à essa, sobre o blog da Petrobras.

Espero que gostem da reportagem, e se puderem me enviar algum comentário ou sugestão, agradeço.

Mais tarde conto os bastidores dessa matéria.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Afinal, de quem é o Frankenstein? Da série erros da imprensa


Essa eu não resisti: a Folha e o G1 fizeram reportagens hoje sobre a visita do governador Serra ao presidente Lula. Ele disse aos jornalistas que a reforma...é um "frankenstein".

Assustador mesmo é não saber de QUAL reforma o governador está tratando. Para o G1, trata-se da reforma política, para a Folha, da reforma tributária. Super parecido, né? Pra ajudar, juntei as duas matérias em uma imagem bem tosca, mas que dá pra ter uma ideia do que aconteceu. E a reportagem da Folha você pode ver aqui, e a do G1 aqui.

Essa vai para a série erros da imprensa com a pressa da internet.

Enfim, o bom senso...

Felizmente a Petrobras soube reconhecer o erro e decidiu publicar as perguntas dos jornalistas apenas após a publicação de reportagens.

Aliás, o Claudio Weber Abramo, jornalista de mão cheia, fez em seu blog um comentário super equilibrado sobre essa questão do blog da Petrobras, que você pode ler aqui.

Aliás, estou fazendo uma reportagem sobre esse novo fenômeno: os políticos que estão usando a internet para divulgar diretamente suas ideias à população por meio das redes sociais. Meu desafio agora é conseguir fazer o Serra falar sobre o seu Twitter. A assessora dele sugeriu que eu vá a uma coletiva do governador para perguntar a ele diretamente sua opinião. Quero ver se consigo ir, mas será que ele vai falar???

terça-feira, 9 de junho de 2009

O blog da Petrobras já rende seus 'filhotes'

Sem mudar de opinião (continuo, como mostra o post abaixo, contra a publicação de dados de reportagens em andamento por parte do Blog Fatos e Dados, da Petrobras), tenho que contar que o assunto rendeu ao longo do dia.

Aliás, rendeu tanto que já tem até dois blogs "filhotes": um é o Petroperguntas, que se propõe a mostrar as perguntas feitas pelos jornalistas para a Petrobras, e o Fatos e Dados "cover", criado por um estudante de publicidade.

A internet veio pra mudar a nossa relação com os meios de comunicação, e acho que esse blog da Petrobras é um pontapé para a gente questionar qual o tipo de jornalismo na internet que queremos.

Vamos lá, gente! Quanto mais discussão melhor!

Convoco os meus dois leitores a colocarem o que acham do blog da Petrobras: é bom pra você?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Estou indignada com o blog da Petrobras

Não tenho outra forma de começar esse post. Até tentei digerir a ideia durante o dia, mas pra mim esse blog da Petrobras, do jeito que está, não dá.

Pra quem não sabe, o recém criado Blog Fatos e Dados está publicando na internet questões que os jornalistas fazem sobre a Petrobras, porém enquanto as reportagens estão em andamento. A justificativa da empresa é a chamada "transparência".

Até pode parecer um discurso bonito, mas na prática o que eles querem mesmo é intimidar os jornalistas, como disse a ANJ (Associação Nacional de Jornais). Veja a nota da ANJ aqui.

Concordo com o que o jornalista Marcelo Soares (aliás, um tremendo repórter, o blog dele na MTV segue aqui do lado) diz no Twitter (@msoares): poderia publicar esses dados, mas desde que a divulgação fosse feita depois das reportagens concluídas, e não antes.

Se a Petrobras está mesmo preocupada com a transparência, porque não coloca os seus balanços pra todo mundo ver? Pra quem não sabe, é necessário fazer um cadastro de jornalistas pra poder ver os balanços e as coletivas no site da empresa.

Até tentei fazer esse cadastro há um tempo atrás, mas eles nunca me deram resposta. Nem pra falar o motivo, eles simplesmente recusaram o meu cadastro.

E outra pergunta lançada na rede: porque o blog não divulga quais são os patrocínios de jornais, revistas, sites patrocinados pela Petrobras, se eles estão mesmo preocupados com a transparência?

Mais: se eles estão preocupados com a transparência, porque praticamente TODOS os comentários autorizados a entrar em seu blog são a favor da Petrobras? Se eles querem o contraditório, porque não liberar os comentários de quem não concorda com a empresa? Hein? Hein?

Por isso tudo: não digeri o blog da Petrobras.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia do meio-ambiente - e a comemoração?

Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Felizmente, diversas ações foram anunciadas pelo poder público (destaco as áreas de proteção ambiental criadas no plano federal, e a aprovação, ontem, da Lei Específica da Billings aqui na região).

Mas nem tudo é festa (aliás, muito pouco). Como já comentei aqui, a regulamentação da Lei da Billings é algo que permanece como algo muito confuso; e a MP da Amazônia, que nossa ex-ministra Marina Silva chama de "retrocesso"?

Infelizmente a gente continua querendo o bem do meio ambiente, meio como quer a paz mundial: como algo bacana, mas difícil de pôr em prática.

Afinal, é difícil abrir mão do próprio conforto em nome do meio-ambiente: deixar o carro em casa, separar o lixo, buscar por serviços menos poluentes.

Hoje eu fui pra São Paulo, já que tenho aula da Pós. Como moro em Santo André, são, sei lá, uns 15km de distância, mas quanta diferença! O ar é bem mais poluído, o tempo, mais abafado. Mesmo o ar daqui da minha cidade já foi melhor, tenho impressão disso.

Espero que a gente tenha tempo de reverter esses nossos atentados diários ao verde, antes que ele nos mate.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Para o anônimo que comentou sobre os professores

Para quem fez o post no blog sobre os professores: infelizmente, os professores não são prioridade no Brasil. Aliás, a educação em geral não é prioridade dos políticos. Quem pode, paga pra estudar;quem não pode, fica na ignorância.
Precisamos desabafar mesmo, cobrar, só assim as coisas vão mudar.

Como é difícil acompanhar o trabalho do Legislativo

Gente,vou contar aqui sobre duas histórias que se passaram comigo que explicam como o trabalho dos nossos nobres parlamentares é difícil de acompanhar.

História 1

Na semana passada entrevistei a representante do Movimento Voto Consciente. Percebi na voz dela um tom de desabafo. Ela disse que seu trabalho é "insano" e contou sobre uma manobra "esperta" feita pelos parlamentares:

Eles combinam juntos de faltar a uma comissão; aí a falta não é computada e eles não ficam como ausentes. Bonito, né? Fiz uma reportagem sobre o trabalho das comissões. Infelizmente esse tema gera muito menos discussão do que deveria.

História 2

Esta semana tentei fazer uma reportagem sobre o projeto de Lei da Billings. Só tentei, porque o objetivo da matéria era falar o que mudaria na vida da população caso a proposta fosse aprovada. E o que fiquei sabendo, após ouvir várias pessoas: que não era possível avaliar o impacto do projeto antes de sua aprovação.

Um dos órgãos públicos, aliás, não quis me passar dados atualizados sobre o assunto. Pediu para eu pesquisar no arquivo do jornal (pode?)

Agora, deve ser aprovado nesta quinta-feira, na assembleia legislativa de sp, um projeto que deve mexer com a vida de milhares de pessoas, e não consegui descobri o que, afinal, vai mudar com a proposta!

Aliás, você já tentou ler um projeto de lei? Ô linguajar difícil...

Conclusão

É muito frustrante às vezes você tentar entender o que os políticos fazem. Mas esse é o caminho: fuçar, cutucar, que uma hora eles mostram a cara.

Aliás, todos nós temos o direito de saber quando os parlamentares comparecem, quais são os projetos que eles tocam e como eles mudam a vida da gente.