terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quebrando a cabeça

Hoje, temos mais condições de conhecer as plataformas de cada candidato, e depois de eleitos, é bem mais fácil de acompanhar o mandato, já que há sites de governos, Agência Câmara, Senado, Assembleia e por aí vai. Além destes, têm surgido iniciativas super interessantes tal como o Adote um Vereador, o site Contas Abertas, o Portal da Transparência, a Transparência Brasil, entre outros.

No entanto, não é bem isso que a gente tem visto como prioridade na mídia. Infelizmente, o noticiário ainda é dominado por escândalos e pela personalização dos políticos.

Um exemplo: na entrevista feita pelo jornal Folha de São Paulo ao presidente Lula, na semana passada, não houve uma única palavra, uma única questão sobre as políticas públicas do país. Para não dizer que foi um zero completo, podemos considerar as medidas adotadas na área econômica (prorrogação do IPI), e o problema social (que foi mencionado a reboque dos conflitos no Rio).

E a saúde, como vai? Educação? Quem procurou respostas para estas perguntas saiu de mãos abanando. Eu acho isso muito grave.

Hoje saiu um texto no Observatório da Imprensa que vai ao encontro do que tenho pensado. O jornalista Juliano Schiavo faz uma análise de Pierre Bourdieu (li um livro de Bourdieu, “Os donos da rede”, muito bom). Reproduzo aqui um trecho:

Muitas das notícias veiculadas em nada modificam a sociedade, pois servem apenas para entreter, diminuindo o debate público sobre questões que influenciam no cotidiano. Mas, infelizmente, é uma tendência que se tem observado. As notícias, aos poucos, vão se tornando algo espetacular, apenas espetacular, sem serventia alguma.

E o pior, como assinala Bourdieu: quando um veículo de imprensa fala, o outro repercute. Por ser uma representação da realidade, enfoca aquilo que interessa à audiência e se esquece do que é necessário para a sociedade.

Isso poderia ser facilmente colocado como realidade também para a internet. E a pergunta que faço é: como melhorar o jornalismo?

Eu acredito (posso estar errada) que vem ocorrendo um movimento por maior transparência e por mais fiscalização do governo. Porém, quais são os gargalos que fazem esta informação ficar longe do leitor/internauta? Principalmente, porque hoje esta discussão sobre políticas públicas ainda não é uma prioridade?

Não sei as respostas, mas vou tentar descobrir ;-)

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