sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A diversidade faz uma sociedade melhor

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Hoje, olhando para trás (participei do projeto Reprograma há cerca de um ano), posso dizer que o projeto é muito mais do que ensinar tecnologia para mulheres. Trata-se de uma iniciativa que valoriza e resgata o mais profundo potencial feminino, o que contribui para a melhoria das mulheres e da sociedade como um todo.

As mulheres foram, ao longo da história, domesticadas, infantilizadas e tratadas como propriedade.

“A mulher que se enfeitava despertava suspeitas. Um traje ou o próprio corpo alegre aumentava o risco de ela ser agredida ou sofrer violência sexual”. Essas são palavras do livro de Clarissa Pinkola Estés, “Mulheres que correm com os lobos”.

“Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. (...) Têm uma determinação feroz e extrema coragem”, complementa a autora.

Eu acredito firmemente que o Reprograma colabora para esse resgate do espírito selvagem feminino.

Isso porque é um ambiente em que elas se sentem à vontade, junto de outras mulheres, para questionar, para inventar, para criar, para descobrir juntas as maravilhas do mundo tecnológico. Trata-se, sem dúvida, de uma política afirmativa.

Isso gera reflexos positivos no mercado de trabalho - já que existe uma alta demanda no setor de tecnologia da informação – e em toda a comunidade.

É importante colocar aqui como os homens podem ser beneficiados por uma política voltada a mulheres, já que algumas vezes este ponto é pouco compreendido.

Existe, inclusive, um debate forte a respeito das políticas de diversidade no setor de tecnologia após um manifesto ter sido divulgado por um funcionário do Google (você pode conferir o texto completo, em inglês, aqui).

No texto, chamado “Câmara de Ressonância do Google”, o empregado argumenta que as mulheres são sub-representadas no setor de tecnologia não porque enfrentam discriminação no local de trabalho, mas sim por causa das diferenças psicológicas inerentes entre homens e mulheres.“Precisamos parar de assumir que as lacunas de gênero implicam sexismo”, escreve.

A nova vice-presidente de Diversidade, Integridade e Governança do Google, Danielle Brown, respondeu ao memorando interno [o texto dela está ao final do memorando, no mesmo link]. Entre outros pontos, ela ressaltou que “nós estamos convictos de que diversidade e inclusão são críticos para nosso sucesso como companhia, e nós continuaremos defendendo e nos comprometendo com isso a longo prazo”.

A respeito deste assunto, a minha opinião pessoal é a seguinte: assim como a verdadeira alma feminina é sufocada, a verdadeira alma masculina também o é.

Por que o homem não pode chorar e ser sensível, por exemplo? Quem inventou isso? Trata-se de uma opressão violenta que existe em nossa sociedade. Creio que todos temos um pouco de “masculino” e de “feminino” dentro de nós, em maior ou menor grau. E que um ser saudável depende do estímulo a estas duas facetas.

O que eu disse agora parece soar incompatível com ambientes “para mulheres”, como é o Reprograma, mas é aí que mora o engano.

Locais em que as minorias sejam encorajadas e estimuladas a explorar os seus limites são fundamentais para que elas tenham condições de alcançar todo o seu potencial.

E, da mesma forma, ambientes que valorizam a diversidade e que abraçam a pluralidade do ser humano tendem a ganhar com seres melhores e mais completos.


É nisso que acredito. E por isso só tenho a agradecer pela contribuição do Reprograma na minha trajetória. 

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