Em um domingo tenso para o nosso país, o plenário da Câmara
dos Deputados aprovou o parecer que pede o impeachment da presidente Dilma
Rousseff. Para mim, assim como para muitos, foi um choque ver a baixa qualidade
de votos daqueles em que votamos e nos representam. Mas irei colocar algumas
lições que vi a partir do episódio para renovar as esperanças e seguir em
frente nas nossas carreiras:
1.
Estratégia:
o levantamento final da coordenação do impeachment, segundo o site Os
Divergentes, informou que seriam 367 votos a favor da derrubada da presidente.
Acertaram na mosca. Há gráficos interessantes que mostram o “sim” e o “não” em
15 recortes diferentes. Não irei entrar aqui no mérito da estratégia, já que é
vergonhosa a troca de cargos e favores, mas mostrar o quanto muitas vezes nós
nos deixamos levar pelos fatos ao invés de traçar um plano preciso.
A partir deste episódio percebo a
importância de pensar em qual estratégia seguir para a carreira, mapear quantas
pessoas são favoráveis e quantas querem o meu “impeachment” e são os recursos disponíveis
para análise de cenários.
2.
Argumentação:
pouquíssimos deputados, sejam eles contra ou a favor, levantaram os motivos
reais do processo de impeachment. “Deveria ser pedagógico, fica muito claro que
o problema não é a presidenta Dilma Rousseff, o PT. Temos um problema muito
mais sério, mais grave. Ficou explícita a falência do sistema representativo
brasileiro”, disse a professora do Departamento de Ciência Política e
coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlise Matos.
Minha lição a partir daí é manter o foco e
se ater apenas ao mérito da questão.
3.
Oposição:
neste momento de grave crise política, precisamos de vozes para qualificar
o debate e precisamos nos posicionar e aceitar pensamentos contrários. Eu,
pessoalmente, sou contra o impeachment por considerar que não foi caracterizado
o crime de responsabilidade por parte da presidente Dilma, mas ouço as opiniões
contrárias.
Sobre este assunto recomendo o documentário
Best of Enemies, que mostra o confronto na TV entre os intelectuais William F.
Buckley Jr (direita) e Gore Vidal (esquerda). Concordo com o diretor Otávio
Frias Filho, que diz que nem sempre inteligência é suficiente para o
esclarecimento. Além disso, assino embaixo da análise que diz que os
entrevistados tinham perfeita consciência de que estavam fazendo um show em que
o público queria ver sangue.
Aprendi muitíssimo com os confrontos que
tive na minha carreira. Os debates fizeram de mim uma pessoa muito melhor.
4.
Educação:
o artigo de Ciro Dias Filho lembra que estamos avançando institucionalmente apesar
desta montanha-russa de emoções que estamos vivendo. “Não é pouca coisa.
Instituições fortes podem ajudar o Brasil a recuperar não apenas uma autoestima
arranhada por reveses nos anos recentes mas também o vigor dos investimentos
nacionais e internacionais, capazes por sua vez de reanimar a economia, o nível
de emprego e, quem sabe, finalmente abrir espaço para uma visão de futuro digna
da definição”. O sinal para melhorarmos ainda mais as nossas instituições passa
pela educação. Só assim nós iremos avançar ainda mais.
5.
Saúde: vejo muitos amigos que estão adoecendo
com a crise. Segundo especialistas, divergências políticas, população
sobressaltada a cada manchete, rusgas institucionais têm se repetido à
exaustão, deixando a população com um alto nível de estresse, o que favorece
epidemias como a H1N1.
Neste cenário, cuide-se. Respire fundo, viva com amor e positivamente. Este
é o melhor legado que podemos deixar para o nosso país.
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