segunda-feira, 18 de abril de 2016

#DaquiPorDiante: Cinco lições aprendidas domingo

Em um domingo tenso para o nosso país, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o parecer que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para mim, assim como para muitos, foi um choque ver a baixa qualidade de votos daqueles em que votamos e nos representam. Mas irei colocar algumas lições que vi a partir do episódio para renovar as esperanças e seguir em frente nas nossas carreiras:

1.      Estratégia: o levantamento final da coordenação do impeachment, segundo o site Os Divergentes, informou que seriam 367 votos a favor da derrubada da presidente. Acertaram na mosca. Há gráficos interessantes que mostram o “sim” e o “não” em 15 recortes diferentes. Não irei entrar aqui no mérito da estratégia, já que é vergonhosa a troca de cargos e favores, mas mostrar o quanto muitas vezes nós nos deixamos levar pelos fatos ao invés de traçar um plano preciso.

A partir deste episódio percebo a importância de pensar em qual estratégia seguir para a carreira, mapear quantas pessoas são favoráveis e quantas querem o meu “impeachment” e são os recursos disponíveis para análise de cenários.

2.      Argumentação: pouquíssimos deputados, sejam eles contra ou a favor, levantaram os motivos reais do processo de impeachment. “Deveria ser pedagógico, fica muito claro que o problema não é a presidenta Dilma Rousseff, o PT. Temos um problema muito mais sério, mais grave. Ficou explícita a falência do sistema representativo brasileiro”, disse a professora do Departamento de Ciência Política e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlise Matos.

Minha lição a partir daí é manter o foco e se ater apenas ao mérito da questão.

3.      Oposição: neste momento de grave crise política, precisamos de vozes para qualificar o debate e precisamos nos posicionar e aceitar pensamentos contrários. Eu, pessoalmente, sou contra o impeachment por considerar que não foi caracterizado o crime de responsabilidade por parte da presidente Dilma, mas ouço as opiniões contrárias.

Sobre este assunto recomendo o documentário Best of Enemies, que mostra o confronto na TV entre os intelectuais William F. Buckley Jr (direita) e Gore Vidal (esquerda). Concordo com o diretor Otávio Frias Filho, que diz que nem sempre inteligência é suficiente para o esclarecimento. Além disso, assino embaixo da análise que diz que os entrevistados tinham perfeita consciência de que estavam fazendo um show em que o público queria ver sangue.

Aprendi muitíssimo com os confrontos que tive na minha carreira. Os debates fizeram de mim uma pessoa muito melhor.

4.      Educação: o artigo de Ciro Dias Filho lembra que estamos avançando institucionalmente apesar desta montanha-russa de emoções que estamos vivendo. “Não é pouca coisa. Instituições fortes podem ajudar o Brasil a recuperar não apenas uma autoestima arranhada por reveses nos anos recentes mas também o vigor dos investimentos nacionais e internacionais, capazes por sua vez de reanimar a economia, o nível de emprego e, quem sabe, finalmente abrir espaço para uma visão de futuro digna da definição”. O sinal para melhorarmos ainda mais as nossas instituições passa pela educação. Só assim nós iremos avançar ainda mais.

5.      Saúde: vejo muitos amigos que estão adoecendo com a crise. Segundo especialistas, divergências políticas, população sobressaltada a cada manchete, rusgas institucionais têm se repetido à exaustão, deixando a população com um alto nível de estresse, o que favorece epidemias como a H1N1.


Neste cenário, cuide-se.  Respire fundo, viva com amor e positivamente. Este é o melhor legado que podemos deixar para o nosso país. 

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