quinta-feira, 16 de junho de 2016

É possível se posicionar sem provocar polêmica?

Sigurd Decross/freeimages.com
Há poucos dias eu estive fazendo uma prova para um processo seletivo que a redação era para se posicionar a favor ou contra a objetividade do jornalista (e do jornalismo). Fiquei aqui pensando até que ponto nós, enquanto profissionais, devemos colocar opiniões pessoais em nosso trabalho. Política, religião, futebol, até que ponto estes assuntos fazem parte das nossas decisões?

Para ajudar a responder a esta pergunta, cito aqui uma notícia sobre o lançamento da biografia do notório advogado Sobral Pinto, que defendeu, em 1936, Luís Carlos Prestes e Henry Barger, líderes da intentona comunista. Ele, católico e conservador, denunciou as condições sofridas por Berger na prisão invocando a Lei de Proteção aos Animais.

Aos 96 anos [citando esta reportagem da Folha], ele defendeu um tenente-coronel punido por ter passado por um cheque sem fundo. Perguntado sobre de onde tirava tanta coragem respondeu: "Tem a ver com a capacidade de se indignar".

E por isso eu respondo. O desemprego cresce para 10,9% e atinge 11 milhões de pessoas, segundo dados divulgados em abril; hoje, exatamente hoje, estamos a 50 dias dos Jogos Olímpicos; o governo brasileiro aprovou, em maio, um defict primário recorde de R$ 170,5 bilhões (é o terceiro rombo seguido nas contas públicas).

Diante de tudo isso, como não se indignar? Como não se posicionar? Como evitar a polêmica?

Penso na minha experiência pessoal. Por muito tempo eu evitei participar, evitei discutir, evitei debater. Mas a omissão também é um posicionamento. É um posicionamento que favorece o status quo.

Comparo com uma reunião de condomínio. Penso como o Brasil seria melhor se todos participassem das suas reuniões de condomínio, discutissem seus candidatos (neste ano tem eleição municipal).

Pois quanto mais nós discutirmos os assuntos "chatos" como política, contas a pagar, contratos, quanto mais nós soubermos colocar a nossa visão, nos posicionarmos sabendo ouvir também a opinião do outro, mais nós cresceremos enquanto profissionais e enquanto cidadãos.

O Brasil precisa, cada vez mais, de gente que saiba participar das polêmicas. E que saiba respeitar os direitos do outro.

Em 2013, eu fiz uma entrevista para o Portal da Band com a Mônica Iozzi em que perguntei a ela qual nota daria para os políticos brasileiros. Ela respondeu: "A minoria é gente boa. Não no sentido de julgamento. A minoria está realmente trabalhando para melhorar a vida do povo. A maioria está trabalhando pelos interesses individuais, não pelos interesses da população. E essa minoria que trabalha pelo povo sofre muito, é muito difícil para eles conseguirem fazer alguma coisa. Então não gosto de jogar eles no lugar dos outros sabe?"

Então, enquanto a gente seguir sem querer melhorar a vida de todos, enquanto seguirmos apenas em prol dos nossos interesses individuais, sem se posicionar, sem participar, vai ficar difícil. A minoria vai seguir lutando contra a maré.

Brasília é reflexo do que nós somos enquanto cidadãos e profissionais.

P.S: A propósito, sou suplente de conselheira no meu prédio com muito orgulho ;-)



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