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| Sigurd Decross/freeimages.com |
Para ajudar a responder a esta pergunta, cito aqui uma notícia sobre o lançamento da biografia do notório advogado Sobral Pinto, que defendeu, em 1936, Luís Carlos Prestes e Henry Barger, líderes da intentona comunista. Ele, católico e conservador, denunciou as condições sofridas por Berger na prisão invocando a Lei de Proteção aos Animais.
Aos 96 anos [citando esta reportagem da Folha], ele defendeu um tenente-coronel punido por ter passado por um cheque sem fundo. Perguntado sobre de onde tirava tanta coragem respondeu: "Tem a ver com a capacidade de se indignar".
E por isso eu respondo. O desemprego cresce para 10,9% e atinge 11 milhões de pessoas, segundo dados divulgados em abril; hoje, exatamente hoje, estamos a 50 dias dos Jogos Olímpicos; o governo brasileiro aprovou, em maio, um defict primário recorde de R$ 170,5 bilhões (é o terceiro rombo seguido nas contas públicas).
Diante de tudo isso, como não se indignar? Como não se posicionar? Como evitar a polêmica?
Penso na minha experiência pessoal. Por muito tempo eu evitei participar, evitei discutir, evitei debater. Mas a omissão também é um posicionamento. É um posicionamento que favorece o status quo.
Comparo com uma reunião de condomínio. Penso como o Brasil seria melhor se todos participassem das suas reuniões de condomínio, discutissem seus candidatos (neste ano tem eleição municipal).
Pois quanto mais nós discutirmos os assuntos "chatos" como política, contas a pagar, contratos, quanto mais nós soubermos colocar a nossa visão, nos posicionarmos sabendo ouvir também a opinião do outro, mais nós cresceremos enquanto profissionais e enquanto cidadãos.
O Brasil precisa, cada vez mais, de gente que saiba participar das polêmicas. E que saiba respeitar os direitos do outro.
Em 2013, eu fiz uma entrevista para o Portal da Band com a Mônica Iozzi em que perguntei a ela qual nota daria para os políticos brasileiros. Ela respondeu: "A minoria é gente boa. Não no sentido de julgamento. A minoria está realmente trabalhando para melhorar a vida do povo. A maioria está trabalhando pelos interesses individuais, não pelos interesses da população. E essa minoria que trabalha pelo povo sofre muito, é muito difícil para eles conseguirem fazer alguma coisa. Então não gosto de jogar eles no lugar dos outros sabe?"
Então, enquanto a gente seguir sem querer melhorar a vida de todos, enquanto seguirmos apenas em prol dos nossos interesses individuais, sem se posicionar, sem participar, vai ficar difícil. A minoria vai seguir lutando contra a maré.
Brasília é reflexo do que nós somos enquanto cidadãos e profissionais.
P.S: A propósito, sou suplente de conselheira no meu prédio com muito orgulho ;-)

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