quinta-feira, 12 de maio de 2016

O que dá para fazer de diferente - a partir de 1964 e de hoje

O Senado aprovou nesta quinta-feira, por 55 votos, a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Esta é a segunda vez, em 24 anos, que um presidente é afastado temporariamente (anteriormente havia sido Fernando Collor de Mello, que renunciou antes de ser julgado). 
Reproduzo abaixo trecho de um belíssimo artigo de Lilia Scharcz que faz um paralelo entre 1964 e hoje:
..."o jogo de mímica inclui em boas doses o protagonismo paulista, o crescimento das ruas e o fortalecimento do discurso religioso, moralizante e de direita.
XXX e as coalizões das esquerdas não viram a trovoada se formar. “Isso não é povo”, desdenharam. Estavam enganados. A marcha que parou São Paulo comprovava como havia se consolidado uma frente de oposição ao governo, com capacidade de mobilização e composição social heterogênea.
No protesto desfilavam, em primeiro lugar, a aversão de setores da sociedade ao protagonismo crescente dos trabalhadores urbanos e rurais. Em segundo, o dinheiro curto e o futuro incerto que acendeu o ativismo das classes médias urbanas. O resultado foi esse, que conhecemos tão bem nos dias de hoje e entre nós brasileiros: o aumento dos radicalismos de lado a lado, e das expressões de intolerância – a irmã mais velha do ódio".
Tomei a liberdade de fazer um suspense e troquei Goulart por XXX. Mas dá para ver que a história se repete. Se eu acredito que dá para rescrever este final?
Dá...é só a esquerda e a direita começarem a pensar e a agir de forma diferente.
Pela reforma política, por menos projetos personalistas e demagogos, por instituições maduras e por um discurso que não menospreze o outro lado e que priorize o povo. 
Pela educação, por líderes mais bem preparados, por um projeto de país que tenha continuidade e planejamento. 
Só assim as lições de hoje não se repetirão no futuro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário